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Programa de pós-graduação da Ufam realiza cursos e palestras para a propagação da Química

Segunda edição da ‘Escola de Química’ da Ufam pretende atrair interesse de estudantes para a ‘tão temida’ disciplina e mostrar que ela está presente em tudo 07/10/2014 às 12:35
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Para o professor Caio Paranhas, o importante é incentivar a curiosidade dos estudantes, para que eles iniciem pesquisas
Jéssica Vasconcelos ---

A química, assim como boa parte das ciências exatas, encontra bastante resistência dos estudantes, que insistem em considerar essa matéria um “bicho papão” na hora da prova. Com objetivo de propiciar aos alunos de pós-graduação e graduação de Química um fluxo contínuo de conhecimento e mostrar que a química está presente em tudo, iniciou ontem a 2º Escola de Química da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

Até quinta-feira, os alunos poderão participar de cursos e palestras sobre a aplicação de sensores bioeletrônicos na qualificação de extratos vegetais do Amazonas, novos materiais para dispositivos eletroquímicos e outros temas.

Segundo o coordenador do programa de pós-graduação do curso de Química da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), Ernesto Pereira, química não é fazer uma molécula de carbono ou uma estrutura de orbitais de um átomo, a química “é vida” e está presente no cotidiano das pessoas. “Não é porque são do cotidiano que são coisas simples e fáceis de serem entendidas”, disse o coordenador.

Ainda segundo Ernesto Pereira, a ideia é trazer os professores da Universidade Federal de São Carlos, onde o departamento de Química tem 42 anos e o programa de pós-graduação 34 anos, para discutir e passar as experiências na área.

Inovação

Entre os cursos ministrados na manhã de ontem estava o do professor Caio Paranhas: “Filtragem de água com banana – polímeros membranas e aplicações”. A intenção, de acordo com o professor, foi provocar os alunos para que eles criem consciência de que diversos produtos podem ajudar a produzir tecnologias que facilitem a vida das pessoas. “A Amazônia tem um potencial enorme que pode ser explorado nas árvores, por exemplo, que podem substituir diversos materiais que hoje são utilizados”, disse Caio Paranhas.

O professor explicou que uma doutoranda em Química de Minas Gerais utilizou a casca da banana para despoluir a água contaminada por metais pesados. O processo é simples e funciona graças a um dos princípios básicos da química: o dos opostos que se atraem. Na casca da banana, existe uma grande quantidade de moléculas carregadas negativamente, enquanto os metais pesados são positivamente carregados. Logo, quando colocada na água, a casca da banana atrai para si os metais.

“Ela utilizou a casca de banana, mas poderia ter sido a cana de açúcar. O interessante é fazer com que os estudantes pesquisem novas formas de tecnologia”, acrescentou o professor.

Potencial das plantas para a cura

O minicurso “Química Inorgânica Medicinal: da toxidade à cura”, ministrado pelo professor da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar) Alzir Batista, mostrou a carência de medicamentos para doenças negligenciadas, como a malária, leishmaniose, doença de chagas, dentre outras, despertando no aluno a capacidade de desenvolver medicamentos para cura das pessoas afetadas por essas doenças.

Segundo o professor, existem muitas plantas medicinais que contêm composições elementares para a cura dessas doenças. “Por outro lado, o próprio organismo cria resistência, é necessário a modificação das moléculas. É isso que quero mostrar aos alunos, que há um vasto campo de pesquisa para o desenvolvimento de fármacos”, ressalta.

Para a aluna de Licenciatura em Química, Isabela Reis, 18, a expectativa é grande. “Quero conhecer composições moleculares de plantas amazônicas que podem ser usadas como remédio”, declarou.

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