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Cotidiano
Manaus

Projeto de lei quer proibir lavagem de carros e calçadas com mangueiras de água

Autor do projeto, o vereador Plínio Valério (PSDB), propõe também que qualquer outra forma de uso contínuo de água seja proibida, com direito a multa, e que todo lava jato tenha hidrômetro 08/01/2015 às 09:50 - Atualizado em 15/03/2017 às 19:30
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Se aprovada, o não cumprimento da lei acarretará em multa para o infrator
Luciano Falbo Manaus (AM)

Cena comum no cotidiano manauara, a lavagem de carros e calçadas com mangueiras de água pode estar com os dias contados. Um projeto de lei que tramita na Câmara Municipal de Manaus (CMM) quer proibir a prática e prevê pagamento de multa para quem for flagrado descumprindo a norma. O projeto também quer obrigar que todo lava jato, mesmo os que possuem poços artesianos, tenha hidrômetro. A proposta prevê ainda medidores de água individuais nos condomínios.

Conforme o projeto de lei 324/2014, de autoria do vereador Plínio Valério (PSDB), a prefeitura será responsável por regulamentar a proposta, criar mecanismo para fiscalização e aplicar advertências e multas. Segundo o texto, a prefeitura também ficará responsável por promover ações educativas para combater o desperdício e conscientizar sobre a economia de água, na mídia, em praças públicas e nas escolas.

O projeto, apresentado em plenário em novembro de 2014, está em análise na Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) desde o dia 15 de dezembro. Na justificativa da proposta, Plínio Valério frisa que “a água é um recurso limitado e seu desperdício tem consequências”. Segundo o parlamentar, “cada setor da economia e cada fatia da sociedade tem sua parcela de responsabilidade nesta história”.

No texto, o vereador cita dados de desperdício do uso doméstico da água. Plínio Valério informa, com base em dados da Agência Nacional de Água (ANA), que aproximadamente 40% da água captada e tratada para distribuição se perde no caminho até as torneiras, devido à falta de manutenção das redes e a falta de gestão adequada do recurso.

Controlar lava jato é exagero

Gerente de um lava jato na Zona Sul, Max Ramos, 48, também acredita que o controle do uso da água de poços abre caminho para uma futura cobrança. “Vão cobrar. Aí vamos pagar mais ainda. Igual cobram taxa de esgoto de forma abusiva. Eles fazem esses projetos e não pensam no impacto disso para o povo”, afirmou.

O taxista Durval Gama, 54, disse que “daqui a pouco vão colocar uma máquina no nosso nariz para controlar quanto ar nós respiramos”, sobre o controle do uso da água de poços em lava jatos. Ele, porém, disse concordar com a proposta de proibir o uso da “bica”. “Concordo. Em outros países, as pessoas reaproveitam a água para lavar carros e usar no banheiro. Um bom exemplo, mas os governantes não estão interessados”, afirmou.

‘Quem vai me ressarcir?’

Proprietário de um lava jato no bairro Educandos, Haroldo Serra, 54, criticou a proposta de instalar hidrômetros para regular a quantidade de água gasta nos estabelecimentos. “Controlar para depois querer cobrar. E aí, quem vai me ressarcir pelo poço que mandei furar? Os vereadores deveriam se preocupar com coisa útil e não com quem está trabalhando. Tenho esse posto de lavagem há 15 anos. Aqui funciona 24 horas. Emprego 12 pessoas e me sinto responsável por essas pessoas”, disse. Haroldo Serra admitiu que não tem o controle de quanto é usado nas lavagens, que variam de R$ 25 a R$ 40. “Agora, quanto ao uso da bica para lavar calçada e carro, acho importante. Essa água é tratada e custa caro”, afirmou.

Blog: Plínio Valério, autor do projeto

“Fiz constar no Código Ambiental que não se pode lavar carro com mangueira no meio da rua, mas ninguém obedece. Por isso o projeto de lei ordinária, no qual trouxe os hidrômetros. É um absurdo o que se gasta de água nos lava jatos. A água não é um bem infinito e sua falta é um problema mundial. Eu sei que vai causar polêmica e que o pessoal dos lava jatos vai ficar chateado. Mas a intenção é equipar o município de boas leis para o futuro. Quero que minha passagem pela Câmara sirva de alguma coisa. Lavar nas ruas é uma cultura que vai ser difícil mudar, mas temos que pensar o futuro”.

Leis ‘bonitas’ são insuficientes

Para o diretor de abastecimento e meio ambiente da concessionária Manaus Ambiental, Arlindo Sales, “não adianta termos leis bonitas sem praticidade”. Arlindo Sales afirma que é importante ter mais leis para evitar o desperdício, mas é preciso também clareza quanto ao órgão que deve fiscalizar e condições para ele atuar.

“O grande desafio é a fiscalização”, frisa. “A crise da água em São Paulo despertou o Brasil todo para a importância de evitar o desperdício. Acredito que as medidas propostas pelo vereador, ainda que algumas já sejam regras, embora não aplicadas, vão fortalecer esse debate. Precisamos de uma mudança de comportamento, de valorização da água, mesmo aqui onde temos uma aparente abundância”, ressalta o diretor.

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