Quarta-feira, 22 de Maio de 2019
REINTEGRAÇÃO FAMILIAR

MP-AM ajuda pessoas em vulnerabilidade psicossocial a resgatar autonomia

O programa 'Recomeçar' atende vítimas de violência sexual, entre outros, e vai além do problema jurídico, oferecendo possibilidade de mudança de vida às famílias



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Foto: Euzivaldo Queiroz
13/01/2019 às 16:06

O dia mais sombrio da dona de casa Silva* foi quando ela descobriu que a filha de 13 anos havia sido abusada sexualmente pelo próprio pai e estava grávida de quatro meses. Meses depois a adolescente teve o bebê, que foi disponibilizado para adoção; o pai foi denunciado e até hoje está foragido; sobraram os traumas aos envolvidos. “O programa Recomeçar nos ajudou a nos manter fortes e a enfrentar esse trauma. Toda a minha família está sendo amparada”, relatou Silva entre lágrimas.

O Programa de Atenção às Pessoas em Situação de Vulnerabilidade Psicossocial (Recomeçar), a qual ela se refere, foi criado em 2016 pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) e tem como objetivo apoiar o trabalho dos procuradores e promotores de Justiça, que encaminham pessoas em situação de vulnerabilidade psicossocial ao programa para que seja feita um trabalho de reintegração social familiar dessas pessoas, ajudando-as a resgatar a autonomia e a qualidade das suas vidas.

Equipe

Para amparar os vários casos delicados, como o enfrentado pela família de Silva, o Recomeçar conta com uma equipe formada por duas assistentes sociais (mais duas estagiárias), três psicólogas (mais uma estagiária), uma agente técnica pedagoga e um agente técnico jurídico, que juntos, promovem diversas atividades, como orientação jurídica, grupo de apoio familiar e, até mesmo, encaminhamento a cursos profissionalizantes, para que mulheres vítimas de violência doméstica, por exemplo, conquistem a própria independência financeira.

“O Recomeçar é um resgate de pessoas que sofreram algum tipo de violência”, explica a promotora Silvana Cavalcanti, gestora e fiscal do programa, acrescentando que a iniciativa é uma oportunidade de atuar de forma mais humanizada nos processos judiciais.

Mudança

De violência sexual contra crianças e adolescentes, abandono de idosos e pessoas com deficiência a violência doméstica, o cerne do programa não é somente ajudar a resolver o problema pontual e jurídico de cada caso, mas também oferecer uma possibilidade de mudança de vida às vítimas e às pessoas próximas.

“Não adianta resolver o problema pontual, fazemos um trabalho de conscientização com as pessoas envolvidas no caso, de modo a quebrar padrões nocivos de comportamento”, conta a agente técnico Tatiana Almeida, coordenadora executiva do programa Recomeçar, sobre um dos parãmetros da atividade atividade social.

Atendimentos

Em dois anos de atividade o programa Recomeçar atendeu aproximadamente 269 casos, o que dá uma média de 800 pessoas atendidas. Só em 2018, por exemplo, dos 146 casos encaminhados ao programa, 94 foram finalizados e 52 ainda estão em andamento.

Aliciamento, adversidade e sonhos

Outro caso tratado no Recomeçar é o da empresária Julia*, que está enfrentando um processo na Justiça de guarda da neta que sofria maus tratos e abusos sexuais quando morava com a mãe. “A minha neta estava passando um fim de semana comigo quando me contou que era aliciada por um adolescente que morava na mesma casa, onde também moravam mais de dez pessoas, em condições adversas. Sempre a minha neta aparecia lá em casa com algum machucado, ou doente, ou mal alimentada. Diante disso decidi tomar uma atitude”, relata.

Após a negligência ter sido denunciada, a equipe do Recomeçar foi acionada, fez uma visita à casa onde a menina morava e constataram o relato feito pela avó. Agora, enquanto o caso está na justiça, a mãe só pode ver a filha por meio de “visita assistida”, e a guarda está provisoriamente com o pai e a avó. “Eu me senti acolhida pelo programa Recomeçar. A minha neta está protegida e recebendo atendimento psicológico”, diz Julia.

O Recomeçar conta com uma estrutura especial com salas separadas para cada especialidade e uma ludoteca que visa atender as crianças. Para a promotora Silvana Cavalcanti, diante do êxito alcançado pela iniciativa em dois anos em Manaus, o desejo agora é estender o programa às cidades do interior do Amazonas, mas para isso será preciso ter apoio e estrutura. “É um sonho nosso”, diz.

Serviço

O Programa de Atenção a Pessoas em Situação de Vulnerabilidade Psicossocial (Recomeçar) fica localizado na rua Belo Horizonte, Adrianópolis, Zona Centro-Sul. Funciona de 8h às 14h, mediante visitas previamente agendadas pela equipe interprofissional. Mais informações pelo telefone 2101-4559 ou no site do MP-AM.

*Nomes fictícios a fim de preservar a identidade dos entrevistados.


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