Quarta-feira, 16 de Outubro de 2019
RIBEIRINHOS

Projeto leva atendimento especial em saúde para crianças ribeirinhas no Amazonas

Iniciativa capacita agentes comunitários do interior para cuidar dos pequenos desde a gestação, na barriga da mãe, até os 6 anos de idade, a chamada primeira infância



14_F29FB1B6-0F9F-4343-98AE-8FD880711698.jpg Foto: Divulgação
04/11/2018 às 07:10

Mais de 70% do cérebro humano de um adulto comum é formado ainda no período da gestação, na barriga da mãe, até os 3 anos de idade. É a chamada “primeira infância”, que dura até os 6. É a fase em que são desenvolvidas as estruturas física e psíquica e as habilidades sociais das crianças e o período de maior vulnerabilidade. Estudiosos em saúde e educação vêm alertando para o cuidado que deve ser dado aos pequenos nesse estágio da vida e o perigo de expô-los a estresses, agressões e limitações.

As primeiras palavras, os primeiros passos, o aleitamento materno, os primeiros aprendizados. Novas experiências de extrema importância que geram consequências para sempre. E foi pensando nas crianças, especificamente as que moram no interior do Amazonas e que passam por dificuldades como distância e falta de acesso a serviços básicos, que a Fundação Amazonas Sustentável (FAS), por meio do projeto Primeira Infância Ribeirinha (PIR), promove capacitações sobre métodos de atendimento e assistência em saúde na primeira infância para agentes comunitários de saúde, os ACS, que lidam diretamente com os pequenos.



A última foi realizada em Maraã, a 635 quilômetros de Manaus em setembro, e a próxima será em Tefé, distante 523 quilômetros da capital, entre os dias 12 e 15 de novembro, envolvendo também agentes do município de Coari.

O cuidado com a mãe gestante, o nascimento, a amamentação, o contato físico com o bebê, o diálogo, o desenvolvimento da fala, etc. Para cada nova etapa da vida até os 6 anos existe um método em saúde para atendê-los. E foi tal metodologia que foi ensinada aos ACS em Maraã.“Nosso objetivo é formar os agentes para um melhor atendimento à família e às crianças, desde a suspeita da gravidez até os 6 anos, fortalecendo o vínculo entre os pais e a criança, que muitas vezes é deixado de lado por diversos motivos: a roça, o trabalho, a rotina”, explicou a nutricionista e analista técnica do PIR, Franci Lima.

Ao todo, 47 pessoas participaram da formação em Maraã, incluindo agentes comunitários, enfermeiros e ouvintes, tanto da zona rural quanto da zona urbana de Maraã, com apoio das prefeituras municipais, dos Conselhos Municipais da Criança e Adolescente (CMDCA), da EMS, Edenred e Bradesco.

Ações preventivas em saúde, cuidados com a água e a alimentação, higiene pessoal, como evitar acidentes doméstico, entre outros, estão entre o conteúdo ministrado no curso.

“Os ACS são os olhos da saúde. Eles atuam em campanhas de vacinação, combate a endemias, estão dentro da casa das pessoas lidando com a saúde delas. Mas infelizmente a saúde na primeira infância não é dada a devida importância. Então preparando-os para aplicar essa metodologia o atendimento fica diferenciado, na forma de abordar as famílias, como explorar e solucionar os problemas”, explicou a analista Franci Lima.

Guia de Visitação Domiciliar

Todo conteúdo ensinado no curso segue um Guia de Visitação Domiciliar com mais de 200 páginas produzido pela FAS e por especialistas em saúde com base em orientações do Ministério da Saúde sobre a primeira infância. No guia, os agentes comunitários são ensinados a realizar 93 visitas às casas das famílias desde o período da gestação da mãe até quando a criança completar os 6 anos de idade. À cada visita, o ACS precisa completar quatro etapas: acolhimento, intervenção, tarefa para família e conclusão.

“A partir dessa metodologia o agentes e torna um profissional preparado e seguro em como falar com as famílias sobre alimentação, nutrição, preenchimento da caderneta de saúde da criança, incentivo à leitura, fortalecimento do vínculo entre pais e filhos, a importância do brincar. É uma formação completa que vai nortear todo o atendimento em saúde daquela criança até ela chegar aos 6 anos de idade”, ressaltou Lima.

Após passarem pela capacitação, que aconteceu de 14 a 18 de setembro, os agentes comunitários de saúde deverão colocar em prática tudo o que aprenderam, indo às casas das famílias e aplicando as visitas e os atendimentos. “Em cada etapa da formação ele aprende a teoria e aplica a metodologia a sua rotina diária de trabalho. São trabalhados temas sobre aleitamento materno, alimentação complementar, direitos das crianças e gestantes. É o cuidado integral com a criança, educação, saúde, lazer, direitos, assistência social”, disse Franci.

Diferencial

É a segunda vez que agentes comunitários de saúde de Maraã recebem capacitação em atendimento em saúde para a primeira infância. Os ACS sentiram a diferença nas visitas feitas às famílias, bem como no desenvolvimento das crianças atendidas no decorrer do processo. “É evidente a mudança nas crianças que são atendidas pelo novo método de primeira infância. Eles têm mais facilidade para escrever, reconhecer cores e formas, para dialogar”, ressalta Franci Lima.

PIR

O projeto Primeira Infância Ribeirinha (PIR) existe na FAS desde 2012 com objetivo de dar assistência integral às crianças amazonenses na faixa etária de 0 a 6 anos de idade. A ação piloto na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Negro, desenvolvida com apoio da Fundação Bernard Van Lee e o IDIS, tornou-se referência para a aprovação de uma política pública no estado do Amazonas. Posteriormente, foram desenvolvidas capacitações para agentes comunitários de saúde da zona rural dos municípios de Iranduba, Maués, Manacapuru, Novo Airão, Novo Aripuanã e Uarini, com a expansão na área de atuação para a zona urbana nos municípios de Itapiranga e Maraã. As ações contaram com apoio das prefeituras municipais, Secretaria de Estado de Saúde (Susam) e Jonhson & Jonhson.

*Com informações da assessoria de imprensa


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