Sexta-feira, 26 de Abril de 2019
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A cirurgiã Brigitte Nichthauser trabalhando na confecção de uma das próteses, feitas à base de resina e silicone
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Projeto reconstrói rostos para pacientes mutilados

Equipe de cirurgiões-dentistas desenvolve ação gratuita que visa dar uma nova face a pacientes mutilados por doenças


04/04/2015 às 14:43

A reconstituição de órgãos mutilados, assim como a recuperação do olfato, paladar ou audição pode ser algo impossível para quem sofre do problema. Muitas pessoas se escondem e têm medo de encarar as “pessoas normais”. Entretanto, um serviço recém-criado em Manaus e conduzido por três cirurgiões-dentistas vem transformando rostos gratuitamente. O resultado é uma nova vida a pessoas que ficaram desfiguradas.

No Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) Maria das Graças Marrocos de Oliveira, bairro Adrianópolis, Zona Centro-Sul, os profissionais atendem esse público específico há três meses, conforme contou a cirurgiã Brigitte Nichthauser. No local são confeccionadas próteses para partes do corpo como olhos, nariz, orelha e o céu da boca. Segundo ela, a prótese funciona como o complemento de procedimentos cirúrgicos. “Existe a parte cirúrgica, mas se você perde um olho, por exemplo, não existe reparo, aí você vai precisar usar uma prótese ocular”.

Brigitte explica ainda que, apesar de causar estranheza o fato de cirurgiões-dentistas realizarem o procedimento, a “escultura” de um membro é cabível dentro da área odontológica. “Juntamos duas coisas, que são a habilidade manual com todo o material trabalhado e o conhecimento técnico-científico, que é a anatomia”, explica.

Processo e benefícios

Brigitte explica que o processo para a produção de uma prótese é lento. Isso porque, devido às particularidades faciais de cada paciente, o trabalho é feito de forma manual. “A confecção técnica dura em torno de três meses. Esses pacientes são do interior, então tem que combinar o dia que eles podem vir, e às vezes a escultura não ficou boa e é preciso refazer”, conta. Ainda segundo ela, os passos até se chegar ao objeto final são muitos. “Tem que primeiro reproduzir em gesso o rosto do paciente para que você possa trabalhar sem ele. Depois produzimos uma peça em cera, que é levada até ele de novo para fazer adaptações”, contou. Os materiais usados para a prótese final são resina e silicone.

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Até o momento, três pacientes foram contemplados com a cirurgia na capital. Um deles, segundo ela, teria perdido um olho, nariz, pálpebra e parte do céu da boca. De acordo com Brigitte, dependendo da extensão da prótese, o serviço pode custar até R$ 3 mil em hospitais particulares. Ela pontua alguns benefícios provenientes da mudança. “Essas próteses não são só estéticas. O paciente que perdeu uma parte do céu da boca não consegue se alimentar bem, falar e até engolir saliva. No momento que você coloca uma prótese você já resolve 90% do problema”, disse.

Com o objetivo de dar continuidade ao projeto, alguns alunos da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) acompanham a equipe de cirurgiões. Segundo Brigitte, o foco é consolidar o serviço. “A gente quer implantar e não deixar que seja uma coisa passageira. Por isso que temos a preocupação de trazer os alunos e ensiná-los, isso tudo para não deixar que esse projeto acabe”.

Próteses

Segundo a especialista, uma prótese varia entre R$ 1.500 e R$ 3 mil. Em 2013, o Governo do Estado distribuiu gratuitamente 80 próteses oculares na base de licitação. O paciente leva em torno de uma semana para adaptação.


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