Sábado, 20 de Julho de 2019
SAÚDE PÚBLICA

Propostas para reforma no serviço público de saúde no Brasil são discutidas em evento

O debate está sendo realizado na 6ª Conferência da Sociedade Internacional de Pesquisa em Farmaeconomia e Resultados (Ispor) para a América Latina



amanda.JPG Foto: Reprodução/Internet
16/09/2017 às 12:27

O maior desafio da saúde brasileira é político, segundo o professo titular do Instituto de Saúde Coletivo da Universidade Federal do Estado da Bahia (UFBA), Jairnilson Silva Parim. Neste sábado (16), propostas para reformas no serviço público dos países da América Latina estão sendo discutidas durante a 6ª Conferência da Sociedade Internacional de Pesquisa em Farmaeconomia e Resultados (Ispor) para a América Latina, na cidade de São Paulo.

Na primeira parte do evento, especialistas de países como Brasil, México, Costa Rica e Argentina discutiram sobre o assunto. Mais de dois mil profissionais do mundo tudo participaram das atividades.

O representante brasileiro, professor titular em políticas da saúde da UFBA, Jairnilson Silva, explicou que  durante a década de 60, o Brasil enfrentava um momento complicado na saúde. No entanto, ao passar dos anos a realidade mudou.

"Até a década de 60 não podíamos falar sobre um sistema de saúde no Brasil. A nossa organização sanitária era insuficiente e corrupta. Com um esforço enorme da sociedade, foi possível estabelecer o serviço da saúde. Hoje a área funciona no país de uma forma descentralizada. O nosso maior desafio é político", disse o professor.

Questionado sobre a complexidade do sistema de saúde brasileiro, o professor afirmou que o país enfrenta a burocracia política. "No Brasil existem conselhos estaduais e municipais, onde questões relacionadas à saúde são discutidas. Meses atrás tivemos uma situação especial, porque o congresso aprovou uma medicação que não tinha suficiência e o Ministério da Saúde questionou, mas foi uma lei reconhecida. Tivemos que apelar para o Supremo para que o uso do medicamento fosse suspenso. A gente enfrenta um situação política", ressaltou mais uma vez.

Jairnilson também acrescenta que o serviço de saúde brasileiro é contraditório com a constituição federal. "A nossa constituição diz que o serviço precisa ser oferecido para todos, mas isso não acontece. Por essa questão, os sistemas privados estão crescendo no país. Apenas 3,9% dos recursos do Governo Federal são gastos com a saúde. Isso precisa mudar", ressaltou.

Outros países

A realidade no sistema de saúde de outros países da América Latina também foram apresentadas durante o evento. O mestre da Universidade da Costa Rica, Maurício Vargas Fuentes, destacou que o sistema privado no país também tem crescido pela falta de estrutura.

"Em forma concreta estamos compartilhando desafios. O que vemos na Costa Rica é que precisamos sustentar o serviço com os recursos. O sistema público nos trás desafios", disse.

Nessa sexta-feira (15), a Análise Multicritério de Apoio à Decisão (MCDA) também foi discutida entre especialistas como um modelo que pode ser usado para melhorar o serviço no Brasil e em outros países da América Latina.

*A repórter participa do evento em SP a convite da empresa Roche

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