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Cotidiano
RISCO

Autoridades de Envira, no AM, temem surto de dengue após 500 casos no Acre

Prefeitura de município no Amazonas afirma que Governo não tem dado resposta sobre auxílio 08/11/2018 às 02:27 - Atualizado em 08/11/2018 às 09:09
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Foto: Divulgação
Àlik Menezes Manaus (AM)

A proximidade com o município de Feijó, no Acre, que está em situação de emergência por conta de surto de dengue, está preocupando as autoridades do município de Envira, no Sul do Amazonas. Segundo o prefeito, Ivon Rates, o medo é de que a doença transmitida pelo Aedes aegypti  chegue a cidade, que têm fluxo intenso de pessoas vindas do estado vizinho. Em Feijó, mais de 500 casos de dengue já foram confirmados.

Para A Crítica, Rates afirmou que acionou o governo do Estado inúmeras vezes durante os últimos dois meses, mas não obteve nenhuma resposta efetiva. O município, conforme o prefeito, atua com poucos recursos e sem a experiência para prevenir e combater a doença.

“Enquanto município, nós montamos uma equipe no aeroporto e atendemos as pessoas que estão chegando. Elas preenchem um cadastro conosco e é alertado sobre os sintomas da doença. Se ela sentir algo parecido com a dengue, já sabemos se ela entrou no município com sintomas de dengue. Então, a gente faz isolamento na família e trata”,  explicou o prefeito,  destacando que  Envira  não tem nenhum caso da doença  registrado até o momento.

Para o prefeito, a medida é importante, pois a cidade recebe seis vôos por dia. Por outro lado, diariamente, cerca de 10 barcos vindo de Feijó chegam em Envira. “Nos barcos, a gente borrifa para evitar que, caso haja algum mosquito, ele não se prolifere”, afirmou. 

Apesar das medidas iniciais, Rates afirmou  que uma intervenção do Estado é fundamental. Ele afirma que, caso o município não esteja preparado, o surto também pode chegar a outras cidades amazonenses como Eirunepé, Carauari, Ipixuna, Guajará e toda região do Juruá.  “O ideal seria fazermos uma barreira sanitária, no sentido de isolar a possibilidade do mosquito contaminado entrar em Envira. Nós conseguiríamos salvar Envira e toda a região do Juruá do risco de uma epidemia”, alertou. 

Na tentativa de agir antecipadamente, a prefeitura de Envira solicitou apoio técnico à Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM), além de materiais e equipamentos a serem usados em borrifação e combate às larvas. O diretor-presidente da FVS, Bernardino Albuquerque, confirmou que esteve com o prefeito e que se comprometeu em auxiliar o município.

“Me comprometi a mandar técnicos para lá e também equipamentos. O nosso pessoal já está lá no município”, disse.  Os equipamentos também foram enviados, mas segundo Albuquerque, serão utilizados apenas após a análise dos técnicos da fundação. “Nós precisamos confirmar algum caso de mosquito para usarmos os equipamentos, não podemos sair borrifando sem necessidade”, explicou.

Redução de casos

No mês passado, a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS) divulgou uma redução no número de casos de dengue, chikungunya e vírus zika no Amazonas nos primeiros nove meses deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. Os casos de dengue caíram 42%. Foram 4.147casos notificados em 2018, contra 7.201 em 2017. O zika vírus reduziu em 33%, sendo 430 casos este ano e 644 em 2017.

Os casos de chikungunya apresentaram redução de 71,8%, sendo 153 notificações em 2018, contra 544 no ano passado. Apesar da redução, o diretor-presidente da FVS, Bernardino Albuquerque, diz que as estratégias de combate ao mosquito são essenciais e devem continuar.

“Essas doenças acontecem durante o ano, a sazonalidade está se aproximando junto com as chuvas, em novembro, desta forma, a população deve permanecer em alerta para não acumular água parada em suas residências”, disse.

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