Terça-feira, 25 de Junho de 2019
VAZAMENTO

PT diz que Moro e Dallagnol 'agiram de forma combinada para criar uma farsa judicial'

Em nota, PT se manifestou sobre o vazamento de mensagens atribuídas a força-tarefa da Lava Jato. Partido disse que Moro e procuradores "ultrapassaram fronteiras da legalidade"



agora_lula_E5C4AE20-34D2-40EF-B979-AFE6E2151D4A.JPG O PT diz que a força-tarefa cometeu crimes contra a liberdade do ex-presidente Lula. Foto: Agência Brasil
11/06/2019 às 08:12

O Partido dos Trabalhadores (PT) afirmou nessa segunda-feira (10), que o ministro Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol "agiram de forma combinada para criar uma farsa judicial, para impedir a vitória de Lula e do partido nas eleições presidenciais", em 2018. Em nota, o PT fez uma referência ao vazamento de mensagens extraídas do aplicativo Telegram atribuídas a procuradores da força-tarefa da Lava Jato, em Curitiba, publicadas no site The Intercept no último domingo (8).

O partido divulgou a nota sobre o caso no próprio site, afirmando que "Moro e os procuradores da Lava Jato ultrapassaram todas as fronteiras da legalidade do estado democrático de direito". Segundo o PT, a força-tarefa cometeu crimes contra a liberdade de Lula, "contra o direito de defesa e o devido processo legal e, principalmente, contra a soberania do povo no processo eleitoral".

O PT ainda destacou que as mensagens atribuídas aos procuradores e a Moro provam que a força-tarefa da Lava Jato mentiu sobre o triplex do Guarujá, pois Deltan Dallagnol reconhece que nunca teve provas de que pertenceria a Lula. Segundo o partido, não há máscara capaz de esconder a verdadeira face da Lava Jato, que "comprova ter sido uma operação política mal disfarçada como ação de combate à corrupção".

"As mensagens somam-se à série de arbitrariedades cometidas ao longo do processo e que afetaram não somente Lula e o PT, mas o estado de direito. Nem mesmo a Globo e a mídia que a segue, cúmplices ativas desse atentado contra a democracia, o direito e a justiça, podem mais esconder a realidade", afirmou o PT, na nota.

O partido também destaca que "Moro e seus procuradores terão de responder por seus atos criminosos - os já conhecidos e os que ainda serão revelados - e pelo papel desempenhado na eleição de Jair Bolsonaro, que os recompensou com a nomeação para cargos elevados na República".

O PT completa que não descansará enquanto "não houve nulidade dos atos de exceção promovidos por Moro e a devida punição para os criminosos da Lava Jato; enquanto não for feita justiça para Lula e restabelecida a plenitude do estado de direito democrático em nosso país".

Confira na íntegra a nota do PT:

A divulgação das mensagens trocadas entre o ex-juiz Sergio Moro e os procuradores da força-tarefa da Lava Jato confirmam, a toda prova, o que o PT e a defesa de Lula sempre denunciaram: Moro, Dallagnol e seus parceiros agiram de forma combinada para criar uma farsa judicial, forjando acusações com o objetivo político de impedir a vitória de Lula e do PT nas eleições presidenciais.

Ao contrário do que afirmam hoje para tentar abafar suas ações ilegais, Moro e os procuradores da Lava Jato ultrapassaram todas as fronteiras da legalidade e do estado democrático de direito. Cometeram crimes contra a liberdade de Lula, contra o direito de defesa e o devido processo legal e, principalmente, contra a soberania do povo no processo eleitoral.

Entre outras revelações, as mensagens provam que:

1) A Força-Tarefa da Lava Jato mentiu sobre o tríplex do Guarujá, pois Deltan Dallagnol reconhece que nunca teve provas de que pertenceria a Lula;

2) A Força-Tarefa mentiu deliberadamente ao estabelecer uma falsa ligação entre o tríplex e os contratos da OAScom a Petrobrás, outro crime confessado por Dallagnol;

3) Sergio Moro cometeu deliberadamente um crime ao vazar diálogos de Lula com a ex-presidenta Dilma, o que foi planejado com a Força Tarefa;

4) Sergio Moro mentiu para o STF ao pedir “escusas” pelo grampo de Lula e Dilma, do qual ele se vangloria em mensagem a Dallagnol;

5) A Lava Jato atuou para impedir a eleição candidato do PT, Fernando Haddad, como está claro nas mensagens para impedir a entrevista de Lula em setembro de 2018.

Não há máscara capaz de esconder a verdadeira face da Lava Jato, que se comprova ter sido uma operação política mal disfarçada como ação de combate à corrupção. As mensagens somam-se à série de arbitrariedades cometidas ao longo do processo e que afetaram não somente Lula e o PT, mas o estado de direito. Nem mesmo a Globo e a mídia que a segue, cúmplices ativas desse atentado contra a democracia, o direito e a justiça, podem mais esconder a realidade.

As revelações do site The Intercept Brasil expõem a real dimensão da trama criminosa, em conversas que cobrem de vergonha o sistema judicial brasileiro. Comprovam a parcialidade de Moro e sua atuação como maestro de uma denúncia manipulada desde o início. Expõem o escandaloso grau de corrompimento de agentes do estado que deveriam defender a lei e promover a justiça mas fizeram o contrário.

As mensagens comprovam, até para os que se recusavam a enxergar os fatos, que Lula é um preso político, condenado e encarcerado sem ter cometido crime nenhum, a não ser o de ameaçar, com a força do povo, o resultado eleitoral tramado pelos poderosos.

Moro e seus procuradores terão de responder por seus atos criminosos – os já conhecidos e os que ainda serão revelados – e pelo papel desempenhado na eleição de Jair Bolsonaro, que os recompensou com a nomeação para cargos elevados na República. São responsáveis pela instalação de um governo que entrega a soberania nacional, retira direitos do povo, dilapida o patrimônio público e mergulha o país na barbárie.

O PT conclama todas as forças democráticas, os movimentos sociais, a comunidade jurídica nacional e internacional a se levantar em repúdio às arbitrariedades agora confirmadas e em defesa do estado direito. O que está em causa é o País, a liberdade e o direito. As arbitrariedades cometidas, caso fiquem impunes, podem continuar atingindo todo e qualquer cidadão e a própria democracia.

Lutaremos pela justiça em todas as frentes: no Judiciário, no Parlamento, nas instâncias de controle da Magistratura e do Ministério Público, nos organismos internacionais e principalmente nas ruas e nos meios independentes de comunicação, para que a vergonhosa verdade seja conhecida dentro e fora do país.

Não descansaremos enquanto não houver a nulidade dos atos de exceção promovidos por Moro e a devida punição para os criminosos da Lava Jato; enquanto não for feita justiça para Lula e restabelecida a plenitude do estado de direito democrático em nosso país.

OAB recomenda afastamento

O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o Colégio de Presidentes de Seccionais, por deliberação unânime, recomendaram nesta segunda-feira (10) que o ministro da Justiça e Segurança Pública do Brasil, Sergio Moro, e membros da força-tarefa da Lava Jato peçam afastamento de seus cargos públicos.

Em nota, a OAB explica que a medida é para que as “investigações ocorram sem qualquer suspeita”. A entidade também se diz preocupada que os aparelhos celulares das autoridades envolvidas no caso tenham, supostamente, sidos hackeados, pois gera “grave risco à segurança institucional, quanto pelo conteúdo das conversas veiculadas, que ameaçam caros alicerces do Estado Democrático de Direito”.

Moro dribla jornalistas

O ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro evitou a imprensa na sua chegada à cerimônia de abertura do Conselho Nacional dos Secretários de Estado da Justiça, Cidadania, Direitos Humanos e Administração Penitenciária (Consej), que aconteceu em Manaus nessa segunda-feira.

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