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PT inicia processo de expulsão aos petistas que fizeram campanha para José Melo

Cinco petistas que não fizeram campanha para o senador Eduardo Braga responderão, na comissão de ética da legenda, processo de expulsão. Os dissidentes afirmam que irão recorrer 14/11/2014 às 08:44
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PT inicia caça aos infiéis
RAPHAEL LOBATO Manaus (AM)

A cúpula do PT determinou, na noite de quarta-feira (12), o afastamento imediato dos principais petistas que não fizeram campanha para o senador Eduardo Braga (PMDB) durante as eleições. Entre os alvos está o presidente municipal da sigla e titular do Instituto de Terras do Amazonas (Iteam), Vital Melo. Os dissidentes acusados de “desobediência” serão julgados pela comissão de ética do partido.

A maioria presente na reunião realizada na sede do partido decidiu afastar imediatamente, além de Vital, o titular da pasta de Movimentos Sociais e Populares (SEARP), José de Farias, conhecido como “Zeca do PT”. Também foi punida a ex-titular da pasta municipal de Trabalho (Semtrad), Maria Francinete Correia de Lima.

Os quatro prefeitos do PT no interior também estão na mira da direção do partido. A previsão da sigla é de que os processos de expulsão alcancem os prefeitos Padre Carlos Goés (Maués), Lindinalva Ferreira Silva (Novo Airão), Joseias Lopes da Silva (Nova Olinda do Norte), João Braga Dias (Amaturá), além do ex-prefeito de Codajás, Joel Gomes. O partido acusa o grupo de ter engrossado o apoio ao governador José Melo (Pros) no interior.

Petistas ouvidos pela reportagem relataram que entre os nomes que participaram da reunião estavam o superintendente adjunto de operações da Suframa, José Adilson Vieira, a secretária municipal de organização da sigla, Gilza Batista, além do tesoureiro do diretório, Thiago Medeiros, que é filho do presidente estadual do partido, Waldemir Santana.

O “acerto” de contas com a ala dissidente do partido já havia sido anunciado por Santana, vinte e quatro horas após o resultado das eleições, no dia 28 de outubro. Na ocasião, o dirigente convocou a imprensa para afirmar que iria “banir os militantes que fizeram campanha” para adversários. O presidente chegou a dizer que “não classifico essas pessoas apenas como infiéis, mas como traíras”.

Acusado de coordenar a dissidência, Vital Melo foi substituído desde ontem pela vice-presidente do diretório municipal, Luquésia Mustafá.

O militante acusa Santana de ter capitaneado um “golpe” contra a ala governista e diz que o presidente “passou por cima” do regimento interno da sigla por não ter dado oportunidade de defesa aos acusados.

“Fizeram essa reunião escondidos. Disseram que o tema era sobre a nova militância e chegando lá o motorista do Waldemir entregou as papeladas com as denúncias. Não nos deram direito de defesa. Chegaram a me acusar de ter feito campanha para o Aécio Neves, quando fiz campanha para a presidente Dilma”, disse.

“Sou Melo mesmo”, diz Zeca do PT

Integrante da ala que permaneceu no governo durante a campanha, Zeca do PT disse que “não é assim que as coisas devem ser encaminhadas” e contestou a validade da decisão tomada pelo partido. “O nosso estatuto interno diz que os secretários de governo são julgados pela direção estadual e não pela municipal. Essa decisão foi equivocada. Vamos recorrer”, disse.

“Eu sou Melo mesmo e não nego”, disse o secretário, completando que “a dissidência chega a metade dos filiados. É muita gente”.

O racha que viveu o partido durante a campanha ainda permanece na sigla. Após a vitória de José Melo, alas petistas pedem que a direção recue das ofensivas e reabra o “diálogo”.

O principal opositor as reações pós-campanha de Santana é o vice-presidente estadual da sigla, deputado Sinésio Campos. Após as declarações do presidente, Sinésio defendeu que o partido siga “a ordem nacional pela união das forças” e “desfaça os palanques”. Sinésio chegou a receber afagos do governador após a reeleição, que o classificou como “grande amigo pessoal”.

Na eleição, a sigla manteve os dois mandatos de deputado estadual, mas não elegeu Praciano para o Senado e perdeu uma cadeira na Câmara Federal.

Governador convoca ala ameaçada de expulsão

O grupo de dissidentes petistas que permaneceu no governo de José Melo durante a campanha foi convocada pelo governador reeleito para uma reunião agendada para hoje. Foram convidados além dos secetários afastados do partido Vital Melo e Zeca do PT, o ex-deputado federal pelo Amazonas nos anos 90, Ricardo Moraes, petista que atuou na campanha de Melo.

O encontro estava marcado para acontecer anteontem, mas foi adiado, assim como o almoço com os vereadores da Câmara Municipal de Manaus (CMM). A reunião de hoje será o primeiro encontro com o partido após as eleições.

A expectativa dos petistas convocados é de que Melo apresente o futuro dos secretários na reforma administrativa que o governador vem capitaneando com os partidos. José Melo tem dito que iniciará o segundo mandato repaginando a estrutura de governo, com mudanças nas secretariais. A ideia anunciada é o corte e fusão de pastas.

A primeira mudança já anunciada por Melo foi na pasta de Produção Rural (Sepror), que será comanda pelo deputado estadual reeleito, Sidney Leite (Pros). O líder do governo na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) substituirá Valdenor Cardoso, que comandou a pasta após o PCdoB deixar o governo e migrar para o bloco adversário.

José Melo tem dedicado as primeiras semanas após a campanha para se reunir com aliados e estruturar a base de apoio no parlamento. O governador fez o anúncio sobre a Sepror durante o primeiro encontro com os deputados da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), ainda nesta semana. A ação, no entanto, não conseguiu engajar a oposição, que não compareceu.

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