Terça-feira, 20 de Abril de 2021
Canal para pacientes de câncer

Publicitária cria canal no Youtube para falar de pacientes em situação de câncer terminal

Dani é paciente de câncer cerebral há mais de 20 meses e seu canal é dirigido pelo cineasta Max Alvin



Sem_t_tulo_F86A53F1-BB2F-4CC6-A356-3907C9B530A2.jpg Foto: Divulgação / Cris Oliveira
20/12/2020 às 12:02

Dani é uma jovem do interior de São Paulo e que luta diariamente para viver com o câncer cerebral da melhor forma possível. Ela deu voz à sua luta através de um canal no Youtube, o “Terminal”, onde relata sua rotina, entrevista especialistas e busca ajudar pessoas que estejam passando pelo mesmo problema. 

Do diagnóstico pra cá, se passaram 22 meses, 01 cirurgia cerebral pra ver se dava pra operar (não dava), 30 sessões de radioterapia, 03 de quimioterapia (não deu pra completar) e um montão de remédios pra evitar as dezenas de convulsões e dores de todo tipo que ela seguiu tendo.



A publicitária precisou parar de trabalhar e passou a maior parte do seu tempo em hospitais. Só que ela seguiu observando a vida e pensando um jeito de viver o tempo que ela tivesse pra viver. Tratada gratuitamente pelo SUS – Serviço Único de Saúde, através do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo – ICESP, Dani passou a batalhar pela saúde (sua e a dos outros) e a lutar contra o câncer e pelos direitos das pessoas que estão em tratamento.

Foi assim que nasceu seu canal no You Tube: o Terminal. “Muita gente torce o nariz quando ouve esse nome de canal, mas terminal é uma palavra que gosto muito. Lembra o povo da periferia que batalha a vida e a palavra certa nos slams; lembra as inúmeras trocas de ônibus que fez em terminais lotados de trabalhadoras e trabalhadores; lembra que, de vez em quando na vida, um ciclo termina e é preciso novos destinos e novos percursos; e lembra também que a vida tem fim, oras bolas”.

O Terminal é um canal voltado para quem tem câncer ou quem cuida de quem tem. Nele, Dani explica com muita clareza tudo o que ela está passando ou do que outros estão enfrentando. Nesse espaço cabe entrevistas, depoimentos e todo tipo de encontro com a realidade. Como diz a produtora-executiva Roby Amaral, da SLK Comunicação, empresa responsável pelo canal, “a vida não é pão com ovos”! A vida não é moleza e a Dani sabe muito bem o que isso significa.

“Assim como os moradores de periferia batalham pra chegar em seus trabalhos nos centros das cidades, os pacientes oncológicos precisam sair de suas casas pegar 2, 3 conduções para realizar seus tratamentos, lutar por suas vidas e ainda assim continuam sendo invisíveis para boa parte da sociedade e do estado”, reflete ela, que pedalava 22 km por dia e agora anda com o auxílio de uma bengala. “Meu desejo é desmistificar o câncer e criar conexões. O Terminal carrega sonhos, mas quer enfrentar os temas duros da vida, especialmente da vida com câncer”.

Em apenas dois meses de canal, parece que a Dani tem feito muitas conexões. Chegou a mil inscritos em apenas 25 dias e já teve mais de 60 mil visualizações. Qual o segredo? “Falar a verdade e não esconder a luta diária”, responde o diretor do canal, o cineasta Max Alvim.

Ele acrescenta que o projeto possui três pilares: o primeiro é a dimensão informacional, o compromisso de carregar o máximo de informações possíveis sobre o câncer e para a audiência interessada; o segundo é a luta por um SUS mais humanizado que valorize trabalhadores de saúde e gestores, que reconheça o protagonismo, corresponsabilidade e autonomia dos sujeitos e coletivos, e que, por fim, crie condições para tratamentos acolhedores e transversais nos atendimentos de quem tem câncer; e o terceiro pilar é a dimensão comunicacional. "Não cabe ao canal só informar, tem que promover encontros entre as pessoas. A gente vai buscar cada vez mais favorecer relações entre a audiência e o canal e entre as pessoas que nos seguem", explica Max.

Por trás das palavras cheias de verdade da Dani e da luta pela melhoria da saúde pública, o projeto do canal Terminal busca intervir nos códigos culturais que caracterizam nosso entendimento sobre o câncer. "Fazer a gestão de um canal com temática tão delicada só potencializa a vontade de aprender e crescer. As pessoas falam pouco sobre este tema, então a gente pode contribuir ampliando o vocabulário delas e a forma de pensar seu tratamento contra o câncer. Afinal, as pessoas não são cérebros, pulmões ou fígados. Elas são pessoas", define Roby.

Como o Terminal é um lugar de acolhida diante de uma jornada dura, o canal está ganhando mais uma protagonista. Trata-se da arquiteta e cenógrafa Rita Anderaos, diagnosticada com um câncer de mama. "Ela (a Rita) entrou para ampliar as ações do canal, que não é meu. Ele é de quem estiver disposto a lutar por mais saúde para os Brasileiros. A Rita é uma dessas pessoas. Logo teremos outras para nos ajudar. Espere e verá", prevê Dani.

Ajuda

Quem quiser contribuir com a vaquinha virtual de Dani (ela precisa de dinheiro para sobreviver), acesse o link http://vaka.me/1445181

 

 

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