Segunda-feira, 23 de Setembro de 2019
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Público das redes sociais é o mais insatisfeito com o resultado das eleições no primeiro dia do pleito

Enquanto a vontade popular optou pelo projeto da presidente reeleita, a fatia da sociedade conectada nas redes sociais promoveu uma campanha de difamação e preconceito; confira



1.jpg Eleitores fizeram montagens sugerindo dividir o Brasil em dois países
27/10/2014 às 14:42

O site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda divulgava o resultado parcial das urnas, na noite deste domingo (26), quando as redes sociais já decretavam: “Dilma eleita, vergonha da nação internauta”. De diversas classes, cores, posição social e geográfica, brasileiros se manifestavam contra o resultado das eleições presidenciais de 2014 - a ponto de quem vive no mundo online achar que houve alguma espécie de burla ou golpe.

Hashtags como #dilmanaomerepresenta, acompanhadas de textos carregados de insultos, foram amplamente utilizadas em todas as redes sociais de maior destaque, como Facebook, Twitter e Instagram. Não demorou para que as mensagens de repúdio ao final do pleito fossem transformadas em discursos de ódio, preconceito e xenofobia. Os nordestinos e nortistas, como de costume, foram os principais alvos do ressentimento.

A hostilidade chegou ao ponto de vários eleitores sugerirem a divisão do País entre estados que escolheram Dilma e estados que escolheram Aécio, ideia ilustrada e compartilhada pelos internautas. Uma comunidade no Facebook também foi criada para pedir o impeachment da presidente reeleita, com uma passeata marcada para 1º de novembro próximo, em São Paulo.

Representantes da própria classe política engrossaram o coro, como o deputado estadual Coronel Telhada, do PSDB de São Paulo, que irresponsavelmente escreveu no Facebook: “Mais quatro anos de corrupção e de desgoverno para o Brasil. Parabéns aos que votaram em Branco e Nulos (sic), vocês condenaram o Brasil com a sua omissão e covardia.” Ele também declarou estar “triste, muito triste” e que acha “que chegou a hora de São Paulo se separar do resto desse país”. “Que o Brasil engula esse sapo atravessado”, finalizou.

Mas a lamentação não se restringiu a eleitores anônimos e políticos exaltados. A maior parte dos apoiadores célebres do candidato do PSDB se manteve discreta durante a noite de domingo e a manhã desta segunda-feira (27), mas dois antipetistas radicais não deixaram de destilar bile pela vitória de Dilma.


No Twitter, Lobão desistiu da promessa de deixar o país caso o PT conquistasse as eleições (Reprodução/Internet)

Roger Moreira, vocalista do Ultraje a Rigor, foi o mais raivoso, postando no Twitter: “Metade de nosso povo é totalmente amoral. Que vitória. Tristeza gigantesca”, assim como o sucinto – e amargo – “Tchau. Podem ficar com esta m****”. Já João Luiz Woerdenbag, o músico Lobão, chegou a ameaçar deixar o país caso o PT vencesse as eleições, mas voltou atrás em dois tweets.

“Dilma está reeleita, grande tragédia para o Brasil. Agora estamos mais fortes, mais articulados e mais numerosos. Nasce uma verdadeira oposição no brasil e ninguém arredará pé daqui. Esse País também ë nosso e ficaremos firmes e fortes para lutar por ele. Vamos em frente", escreveu, completando: “Se é para o bem dos bons e desespero total do PT, diga ao povo que fico”.

Por fim, duas figuras importantes da comunidade evangélica brasileira também lamentaram o resultado do pleito. O pastor Silas Malafaia escreveu no Twitter: “Dilma venceu. Quem perdeu foi o Brasil!”, enquanto o também pastor e deputado federal Marco Feliciano (PSC) manifestou preocupação com os rumos do País: “Dilma venceu, o Brasil perdeu, a família perdeu, nosso futuro será incerto”.

Apesar de toda a discordância, por mais agressiva ou preconceituosa, a decisão do povo brasileiro fora do mundo virtual, amparada pelas leis da democracia, ratificou a confiança no projeto de governo de Dilma Rousseff - nem que seja somente por parte de 51,64% da população. Fica também a esperança por um debate mais qualificado e menos aferrado a preconceitos e pura e simples raiva. Como escreveu em sua conta no Twitter o humorista Hélio de La Peña, apoiador de Aécio Neves, mas considerado um observador equilibrado de que a vontade popular é soberana: “Não adianta chorar. Democracia é isso”.


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