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Quadrilhas que aterrorizam rios do Amazonas investem contra comboios de traficantes de drogas

Com armamento pesado, quadrilhas fazem emboscadas à noite para roubar cargas de drogas e depois matam traficantes esquartejando-os e jogando as vísceras nos rios 14/09/2015 às 10:42
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O alvo dos ‘piratas’ são as embarcações que transportam remessas de drogas do Peru até a capital Manaus, pelo rio Solimões
Joana Queiroz Manaus (AM)

Combater a ação de quadrilhas de piratas que atuam nos rios é um dos desafios da segurança pública do Estado. Mas, agora, o foco está no rio Solimões e em uma prática criminosa, no mínimo, irônica: a onda de ataques de piratas a comboios de traficantes. Com armamento pesado, que inclui até granadas, eles estão fazendo emboscadas para roubar as cargas de drogas e, depois matar os traficantes, que muitas vezes são esquartejados e têm as vísceras jogadas no rio.

De acordo com o assessor da Secretaria de Segurança Pública (SSP) Mauro Spósito, os “piratas do Solimões” estão em plena atividade. “Eles atacam as embarcações que estão transportando drogas, matam os ocupantes, abrem a barriga deles e jogam nos rios e os mesmos viram comida de peixe”, disse Mauro Spósito.

O assessor relatou que não é possível informar o número de casos de pessoas que foram mortas pelos piratas porque as famílias das vítimas nunca procuram a polícia para reclamar, uma vez que eles também estavam praticando crimes.  As informações chegam por meio de informantes.

Violência

Mas os traficantes não são as únicas vítimas dos “piratas do Solimões”. De acordo com Spósito, eles também atacam embarcações para roubar combustível e colocam em risco os próprios policiais, que desde que o bando começou a atuar, vêm sendo recebidos com mais violência a cada abordagem a embarcação suspeita. Os tripulantes da embarcação abordada, sem conseguir identificar que se trata de uma abordagem policial, e não de um assalto, atiram para matar.

“Foi o que aconteceu  em 2010, quando quatro homens da organização criminosa do traficante peruano Javier atacaram a lancha  da Polícia Federal, durante uma abordagem, e mataram os agentes da Polícia Federal Leonardo Matzunaga Yamaguti e Mauro Lobo, além de ferir o agente Charles Nascimento”, relembrou Spósito.

De acordo com ele, a violência dos piratas é tanta que os traficantes têm mais medo deles do que da polícia. “É que eles, além de ficarem com a droga, ainda matam e afundam a embarcação. Eles não deixam pistas que possam levar à identificação e prisão deles”. Segundo Spósito, para se “proteger”, as organizações criminosas passaram a equipar melhor seus “soldados”, usando, também, armas de alto poder de fogo e granadas.

Modus operandi

De acordo com o delegado de Polícia Federal Rafael Caldeira, os ataques acontecem sempre à noite e os piratas escolhem trechos dos rios que são desabitados para aguardar as lanchas que estão transportando drogas.  Há partes do rio Solimões que estão sendo consideradas pela polícia “de alto risco” devido aos ataques dos piratas.


Delegado de Polícia Federal, Rafael Caldeira

Eles estão localizadas nos municípios de Jutaí, Coari e Manacapuru. A polícia tem informações que os piratas trabalham com informantes ribeirinhos, que informam sobre a passagem de lanchas transportando drogas. “Eles reconhecem as lanchas peruanas que transportam drogas porque o formato delas é muito diferente do das canoas regionais”, revelou Caldeira.

Traficantes   redobram a ‘segurança’

Segundo o delegado da Polícia Federal Rafael Caldeira, as granadas apreendidas pela Polícia Federal na semana passada estavam sendo usadas para fazer a segurança dos 240 quilos de droga  transportados em uma lancha veloz que saiu da cidade de Santa Rosa, no Peru, e vinha para Manaus.

Na lancha estavam os brasileiros Renato Moreira Trajano, Alexandre Gomes Palma, André Filgueira do Remédio e Francisco dos Santos, que foram presos em flagrante. De acordo com Caldeira além das granadas os presos estavam armados e tinham coletes à prova de bala.

Durante as investigações, a Polícia Federal descobriu que três deles tinham sobrevivido a um ataque de piratas no rio Solimões, no mês de julho.  Outro, identificado como Alexandre, “sumiu” no rio.

“Dessa vez, eles estavam com alto poder de fogo para reagir a um ataque e até mesmo à ação da polícia”, revelou o delegado.

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