Sábado, 24 de Agosto de 2019
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Qualidade de vida para crianças com câncer no Amazonas será tema de pesquisa científica

De acordo com o autor da pesquisa, Daniel Xavier, o processo será realizado em parte no Brasil e em parte em Portugal pela Universidade do Minho



1.gif No Brasil, Daniel Xavier destaca que o câncer já representa a primeira causa de morte por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos
08/10/2014 às 12:27

A prática de atividades físicas como forma de recuperar e dar mais qualidade de vida a crianças com câncer no Amazonas será tema de pesquisa de doutorado (3º Ciclo) e PHD desenvolvido pelo fisioterapeuta doutor Daniel Xavier, coordenador do serviço da Unidade de Fisioterapia Intensiva (UTI) da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon).

De acordo com Daniel Xavier, que também é autor de dois livros da área de Fisioterapia Intensiva, o processo de pesquisa científica será realizado em parte no Brasil e em parte em Portugal pela Universidade do Minho. A instituição é uma das mais tradicionais de Portugal com excelência educacional reconhecida em todos os países da comunidade europeia, além estar entre as 400 melhores do mundo.

A pesquisa “A prática da atividade física e da reabilitação oncofuncional como parte integrante do processo de reinclusão social e incremento da qualidade de vida em crianças portadoras de neoplasias", procura agregar duas das maiores áreas relacionada à saúde, reabilitação e ao bem estar. : os fisioterapeutas oncofuncionais e os educadores físicos.

No Brasil, Daniel Xavier destaca que o câncer já representa a primeira causa de morte por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos, para todas as regiões, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Nas últimas quatro décadas, o progresso no tratamento do câncer na infância e na adolescência foi extremamente significativo.

 Atualmente, em torno de 70% das crianças e adolescentes acometidos de câncer podem ser curados, se diagnosticados precocemente e tratados em centros especializados. A maioria deles terá boa qualidade de vida após o tratamento adequado. “Dentro desse contexto, a fisioterapia se torna uma aliada para as crianças diagnosticadas com a doença”, disse.

Ele destaca que o trabalho de pesquisa tem o objetivo demonstrar a relevância da associação entre a adequada prescrição de atividade física e aliada a fisioterapia oncofuncional como fatores fundamentais à reinclusão social e melhora da qualidade de vida de crianças portadoras de câncer. “Estamos preocupados principalmente em garantir após o tratamento do câncer um programa que garanta uma melhor qualidade de vida a estas crianças; um programa focado nas habilidades e funcionalidades da criança e em suas potencialidades a serem desenvolvidas e não na doença, que por si só, já devastadora”, afirmou.

A pesquisa deve contemplar a maior parte dos canceres infantis e de maior incidência no Estado. Daniel Xavier explica que inicialmente será feito uma triagem juntamente com os pesquisadores sêniors da Uminho para determinar quais tipos de cânceres infantis participarão da presente pesquisa científica. “Por se tratar de um programa que visa a implementação de um serviço específico e inédito, até onde temos conhecimento, voltado à qualidade de vida e reinsersão social da criança portadora de câncer, esperamos contemplar a maior parte de cânceres infantis”, disse.

O fisioterapeuta informou ainda que a escolha do tema envolvendo as crianças para pesquisa vem suprir uma carência nessa área. “Carecemos de algo voltado para a reinclusão dessa criança com câncer junto ao convívio familiar, junto à sociedade de uma forma geral e não só em nosso Estado mas no Brasil. Infelizmente são raros os programas que efetivamente lidam com essa classe de pacientes e buscam o que objetivamos em nosso trabalho”, disse.

Trabalho voluntário

Em Manaus, Daniel Xavier coordena um trabalho voluntário que oferece fisioterapia para crianças atendidas no Grupo de Apoio à Criança com Câncer (Gacc). Para elas, é uma chance única de melhorar os movimentos e a independência motora, perdida na maioria das vezes devido ao agressivo tratamento contra a doença. “É muito gratificante ajudar essas crianças que já tem a vida e a rotina bem atingidas por conta da doença. Pra nós, o ganho é ainda maior, porque estamos fazendo nosso papel humanitário de ajudar ao próximo”, afirmou.

Os atendimentos são feitos aos sábados, com apoio de profissionais fisioterapeutas e acadêmicos voluntários. De acordo com o Daniel Xavier, o trabalho melhora a qualidade de vida das crianças, que têm suas habilidades de movimento recuperadas. “Todas as crianças que atendemos já passaram por processos agressivos no tratamento contra o câncer. Além da quimioterapia, algumas tiveram membros amputados”, destacou.

Ele destaca que a criança que tem o diagnóstico de câncer e passa pelos tratamentos vai precisar constantemente da fisioterapia. “Dependendo do tratamento, a criança perde algumas funções de movimento, que só podem ser resgatadas com o trabalho fisioterapêutico”, disse.

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