Domingo, 19 de Maio de 2019
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‘Qualquer ajuda será bem vinda’ diz Presidente da Abraciclo sobre polo de duas rodas em Manaus

Presidente da Abraciclo diz que segmento de duas rodas em Manaus está esperançoso nos auxílios do governo para recuperar o cenário negativo 



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O executivo é economista de formação e iniciou sua carreira na área de administração de negócios da Honda, em1987
11/07/2015 às 14:39

Enfrentando baixas consecutivas há pelo menos três anos, o setor de duas rodas do Polo Inustrial de Manaus (PIM) - o segundo mais expressivo - vem buscando alternativas para se reerguer diante do atual cenário da economia brasileira. No balanço do semestre, os números não são nada animadores: queda geral de 10% na produção, redução das exportações e crédito restrito para financiamentos. Mas ainda há esperanças.

O presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo) conversou com o DINHEIRO sobre que medidas as associadas estão adotando para se manter no mercado, os auxílios do governo e as projeções para o próximo ano. Confira.

Há quanto tempo o setor está enfrentando esta crise, agravada pela atual situação econômica?

Nós tivemos dois momentos muitos distintos. Um que durou até o final de 2013 e até 2014 quando o setor de motocicleta acumulou perdas de um terço na produção. Chegamos a produzir pouco mais de 2 milhões de unidades em 2011 e terminamos 2014 por volta de 1,5 milhão. De lá pra cá, já considerando o tamanho da disponibilidade de crédito que o mercado oferecia, nós projetamos - para ser até pessimista - manter o mesmo patamar do que foi 2014. Então era um ano para estabilizar a queda e até ter um pequeno crescimento em 2015. Mas com as incertezas macroeconômiacas que impactou o mercado do varejo como um todo nos colocou nessa onda de pessimismo. Tanto é que os dados de emplacamentos despencaram para o pior nível em junho. De forma que isso foi bastante inesperado e já tinhamos promovido um corte na produção há dois meses. Vai depender muito de como o mercado vai se comportar nos próximos meses para que o setor volte a pensar em avaliar o plano para 2015, considerando que temos poucos meses pela frente. Apesar de ter um resultado negativo no semestre, tem um aspecto positivo a ser considerado: segundo semestre é historicamente melhor, e o salão de duas rodas. A somatória disso é sempre muito favorável. Resta saber se esses aspectos positivos devem ser ou não anulados pela continuidade das incertezas macroeconômicas.

A que esperanças o setor se apega para continuar operante?

Todos os associados estão fazendo ações de campanhas de varejo muito intensas a partir desse mês para evitar que tenhamos novos cortes. Além disso, os investimentos não foram cortados, modelos novos foram lançados e novas tecnologias. Tudo com intuito de cativar o consumidor ainda mais e recuperar o nosso mercado.

Quais as alternativas que estão sendo discutidas de forma prática para enfrentar esta baixa?

Não estamos promovendo, por enquanto, nenhuma medida de ajuste. Será fundamental avaliar os resultados de vendas nos meses de julho e agosto para que os associados possam pensar em promover cortes de investimentos, de pessoal. Essas decisões não foram tomadas.

Como a Abraciclo enxerga a Medida Provisória 680 do governo que permite às indústrias brasileiras reduzirem carga horária e salário de funcionários?

A PPE já foram implementadas no período de pós crise. Certamente é uma medida positiva. A gente não sabe ainda quais setores estão englobados. Cada fabricante deve avaliar se aderir ou não deve ser vantajoso. Se for uma leitura de crise passageira vale a pena, se você consegue reduzir a jornada de trabalho e a folha de pagamento. Se a leitura for de uma crise mais duradoura talvez não seja vantajoso, acaba protelando algo que seria inevitável que seria o ajuste do seu tamanho. Ainda é prematuro dizer se é vantajoso ou não, mas certamente é um alento.

Quanto as empresas do PIM já desempregaram?

Terminamos 2014 com 18 mil postos de trabalho. No mês de maio caiu para 16.600. Não foi um movimento de demissão em massa, mas uma quantidade de gente que sai das empresas e que não estão recompondo. Nós acreditamos que a decisão de novos cortes impactarão novos ajustes no quadro funcional.

Ainda existe um público desassistido por esta falta de crédito no segmento de motocicletas de baixa cilindrada?

Dada a dificuldade do consumidor de baixa renda de comprovar sua capacidade de assumir compromissos, ainda tem alto nível de rejeição por parte das instituições financeiras. Por volta de cada dez demandadas, duas ou três acaba se efetivando. Pelo menos as marcas que têm bancos próprios vem suprindo uma parte da ausência de crédito, principalmente dos bancos privados. Elas já correspondem 40% das operações de vendas financiadas de cada marca: Honda e Yamaha, principalmente.

As fabricantes de motos de Manaus estão pleiteando via Governo do Estado uma compensação do crédito de ICMS? Isso será significativo para tentar reduzir os prejuízos?

De fato, o Estado do Amazonas está sensível ao que o setor de duas rodas passa. Eles sabem que toda a cadeia produtiva e fornecedores é o maior segmento que está presente no polo industrial. Inicialmente estávamos pensando em crescer ou parar de cair em 2015, mas fomos pegos com uma onda de dificuldades. Qualquer ajuda será bem vinda, mesmo que seja pequena.

Mudar a estratégia para exportar mais motocicletas para a América Latina pode ajudar na recuperação do setor?

O maior mercado da zona franca para exportação é a América Latina, principalmente a Argentina. Muito embora haja outros mercados promissores como Colômbia e Chile. Os fabricantes que atuam nesses mercados estão trabalhando para conseguir com produtos mais competitivos. Nesse aspecto, o MDIC está empenhado em ampliar as exportações e precisamos estabelecer medidas para que os produtos brasileiros sejam mais competitivos. O mercado de exportação ajuda, mas mesmo que a gente volte ao patamar de 2014, mas não seria suficiente. O plano para este ano é de 70 mil motos exportadas, no ano passado foram mais de 100 mil. Não é a tábua de salvação porque o mercado interno é muito maior que as exportações.

Como está se comportando o segmento de alta cilindrada no polo industrial de Manaus?

O segmento premium vem numa rota diferente. Da mesma forma que o segmento de motos como um todo caiu, o de alta ciclindrada pelo contrário, vem crescendo ano a ano. Agora no último semestre, o segmento também caiu 4,9% (acima de 450 cilindradadas). A média cilindrada caiu 16,9% e a baixa cilindrada caiu 10,2%. Como um todo caiu 10%.

Quanto representa o setor de bicicletas para o PIM?

Mercado brasileiro produz 5 milhões. Produzimos 800 mil no ano. Existe uma expectativa de que 20% de 5 milhões seja de bicicletas que consideram brinquedo. O mercado que cresce mais rapidamente com o perfil das industriais sediadas em Manaus são as bicicletas com mais componentes e valor agregado.




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