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Cotidiano
Jovens em risco

Aumenta número de jovens infectados com HIV/Aids no Estado do Amazonas

Aumento da doença entre pessoas de 15 a 24 anos levou o Estado a capacitar jovens para ações de detecção 20/04/2016 às 05:25 - Atualizado em 20/04/2016 às 12:11
Show aids
Nesta segunda-feira (19), mais uma turma de 15 jovens foi capacitada para fazer os testes (foto: Antônio Menezes)
Isabelle Valois Manaus (AM)

Nos últimos três anos, o Amazonas assumiu a segunda posição do ranking nacional de casos Aids, ficando atrás somente do Rio Grande do Sul. Conforme o Ministério da Saúde (OMS), a taxa de detecção da doença no Amazonas foi de 29,2 casos por 100 mil habitantes, com 1.859 novos registros de Aids identificados só em 2015. Como em todo o País, nesse mesmo período foi observado um crescimento da infecção de jovens, sobretudo adolescentes entre 15 e 17 anos. No Amazonas, do universo de casos, 26,8 % foram registrados em jovens. 

Preocupado com a taxa crescente de detecção, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), em parceria com o Ministério da Saúde e a Secretaria Estadual de Saúde (Susam), está investindo em meios de atingir o público jovem, que é o mais vulnerável. Uma das medidas adotadas é a capacitação de estudantes e jovens líderes comunitários para auxiliar no contato com esse público alvo, aumentando, assim, o número de jovens que realizam o teste rápido de detecção da doença. Uma dessas capacitações foi realizada nesta terça-feira (19), com a formação de mais uma turma de 15 jovens, que têm a missão de ir para as ruas e convocar os outros jovens a realizar o teste, focando na faixa etária de 15 a 24 anos.

 A coordenadora estadual de DST/Aids da Fundação Medicina Tropical (FMT), infectologista Silvana Lima, explica que, enquanto há três anos a maior taxa de detecção de Aids era de pessoas entre 20 e 39 anos, nos últimos anos esse cenário vem mudando, com o maior número de novos casos da doença registrados entre jovens de 15 a 24 anos.

 “Em nível geral, as pessoas relaxaram com a prevenção, estão deixando de usar preservativo nas relações sexuais e, assim, estão se expondo ao risco. Há campanhas, mas como existem vários tratamentos, as pessoas estão mais confiantes e evitando o uso da camisinha, mas é preciso lembrar que não existe a cura: a medicação precisa ser tomada rigorosamente, falta essa consciência”, explicou Lima.

Linguagem

Conforme Silvana Lima, a ideia de colocar os jovens para realizar essa abordagem é pelo simples fato de eles terem uma linguagem diferente, que facilita a aproximação aos jovens. “Nosso ponto de apoio, que é o ônibus de coleta, está até com uma roupagem mais jovem para facilitar esse contato, mas vale ressaltar que qualquer pessoa pode realizar o exame quando nossa unidade móvel estiver na rua, mas estamos realmente focados nos jovens”, reforçou. 
Até agora, três ações de coleta foram realizada, mas a meta é que, até no final do ano, 2 mil jovens realizem o exame.

Terceiro em número de mortes

Além de ser o segundo Estado no ranking nacional de detecção de casos de Aids, o Amazonas é o terceiro Estado com o maior índice de morte de pacientes,  conforme a coordenadora estadual de DST/Aids da FMT, Silvana Lima.

“Temos 82 UBS (Unidades Básicas de Saúde) que  realizam os exames, além de hospitais e nossas unidades móveis, mas ainda é preciso o teste realmente virar rotina. Se a pessoa tem uma vida sexual ativa, deve realizar o exame pelo menos de 6 em 6 meses”. Segundo ela, quanto mais rápido a pessoa for diagnosticada, mas rápido é possível iniciar o tratamento e evitar outras complicações que a Aids pode trazer.

Ainda segundo ela, outro fator que tem colaborado com o aumento do índice é o acesso ao tratamento. “Hoje com o tratamento, ficou bem mais difícil a pessoa identificar um infectado. Sem falar na segurança que ele dá para quem não quer se proteger”, disse.

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