Publicidade
Cotidiano
Esperança da cura

Audiência pública discute informações técnicas sobre a Fosfoetanolamina

Os impactos da distribuição da Fosfoetanolamina, a ‘pílula do câncer’, serão discutidos em audiência pública 24/08/2016 às 09:55
Show defensoria
O defensor público Carlos Almeida não descarta entrar com ação para solicitar a distribuição a pacientes do Estado (Foto: Antônio Menezes)
Silane Souza Manaus (AM)

Uma audiência pública para investigar informações técnicas sobre a Fosfoetanolamina, conhecida como a “pílula do câncer”, e discutir os impactos da distribuição da substância à população na fase de estudos em que se encontra será realizada na próxima segunda-feira, em Manaus. O evento promovido pela Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM) acontecerá às 9h, no auditório da Escola Superior da Defensoria Pública (Esudpam), na rua 24 de maio, Centro. 

O objetivo da audiência é trazer para o Amazonas a discussão sobre o uso da “pílula do câncer” e identificar a viabilidade do seu fornecimento aos pacientes acometidos com câncer no Estado, conforme explicou o titular da Defensoria Especializada de Atendimento de Interesses Coletivos (DPAIC), Carlos Alberto Almeida Filho. “Fomos procurados por pacientes que tentaram todos os tratamentos convencionais e disseram que a Fosfoetanolamina é a única esperança de uma sobrevida”.

Ele destacou que, com as discussões, a Defensoria Pública do Amazonas também avaliará fundamentos jurídicos que subsidiem possível judicialização de demandas que obriguem o fornecimento do medicamento aos pacientes do Estado. “Vamos aguardar as conclusões que serão tiradas na audiência pública para posteriormente verificar qual será nossa linha de atuação. Mas, se for o caso, vamos entrar com medida extrajudicial para obter o fornecimento da substância”, afirmou. 

Carlos Alberto lembrou que há uma enorme polêmica envolvendo a Fosfoetanolamina, por isso, diversos órgãos públicos e organizações sociais, além de pacientes com câncer foram convidados para participar das discussões na próxima segunda. Entre os quais, os conselhos regionais de Medicina (CREMAM) e de Farmácia (CRF/AM); assim como as secretarias estadual e municipal de Saúde (Susam e Semsa); Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon) e o Instituto Provida.

A audiência pública é resultado de um requerimento feito pela empresária Carola Caldas, 27, a fim de que pacientes com câncer que não têm condições de tomar o medicamento porque a lei 13.269/2016, que autorizava o uso da substância por pacientes diagnosticado com neoplasia maligna, foi suspensa, possam adquirir a pílula por meio da justiça. “A última chance de sobrevivência é tomar essa substância, que já curou 600 pessoas em 23 países”, disse, alegando ser um desses pacientes curados de câncer com a Fosfoetanolamina. 

Sobre a Fosfoetanolamina, a Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon) informou que apoia as pesquisas em andamento nas instituições de excelência no Brasil, as quais estão nas fases pré-clínicas e quando entrarem na fase de estudos clínicos estará disponível para compor junto ao estudo nacional.

Ainda não liberada ao público

Apesar de usuários e familiares descreverem melhora significativa no combate ao câncer usando a fosfoetanolamina, o medicamento não possui registro na Anvisa e, por isso, não pode ser distribuído livremente. Atualmente, a substância, conhecida como “pílula do câncer” passa por testes clínicos em São Paulo. Na próxima fase, a droga será testada em humanos.

UEA deve começar a pesquisar

A Universidade do Estado do Amazonas (UEA)  está em fase de constituição de um grupo de trabalho que irá dedicar-se aos estudos da fosfoetanolamina em relação ao tratamento do câncer, a partir de pesquisas e trabalhos científicos que já estão sendo feitos em outros estados brasileiros sobre este assunto.

A instituição esclareceu que não irá produzir cápsulas de fosfoetanolamina sintéticas e nem realizar testes clínicos com essa substância, pois qualquer ação nesse sentido deve, primeiramente, passar por outras etapas inicias, conforme os protocolos estabelecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a elaboração de quaisquer medicamentos.

Em data ainda não identificada e, também, conforme a necessidade deste grupo de trabalho da UEA, poderá haver um diálogo com o químico Gilberto Orivaldo Chierice, professor aposentado do Instituto de Química de São Carlos (IQSC-USP), que estudou, de forma independente, a substância fofoetanolamina, conforme nota oficial divulgada pela Universidade de São Paulo (USP).
 

Publicidade
Publicidade