Sábado, 19 de Outubro de 2019
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Quem sucederá Hugo Chávez?

Chávez morre antes de terminar seu projeto na Venezuela. O país irá enfrentar novas eleições em trinta dias.



1.jpg País tem novas eleições em trinta dias
05/03/2013 às 22:02

Após a morte do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, na tarde desta terça-feira (5), começam as especulações sobre quem de fato o sucederá na Presidência do país. Apesar de Nicolas Maduro ter sido escolhido pelo próprio Chávez, a constituição determina que uma nova eleição seja realizada até trinta dias após a morte do presidente para escolher um novo nome.

Além disso, embora reeleito, Chavéz não havia sido empossado em razão do afastamento para o tratamento do câncer.



Para o professor doutor em Sociologia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Renan Freitas Pinto, o desafio é encontrar um nome à altura da imagem de Hugo Chávez.

“Eles terão de encontrar alguém que, além de ter o mesmo carisma de Chávez, tenha habilidade política para dar continuidade ao projeto de reconstrução da Venezuela pelo qual o ex-presidente levava à cabo”, comenta Pinto.

Ele acredita ainda que não deva haver grande turbulência na passagem de poder. “É difícil fazer prognósticos nessas situações, mas pelo que conheço do governo atual da Venezuela, é questão de tempo até eles firmarem um novo nome”.

Já para a jornalista Valéria Costa, que morou por quase três anos na Venezuela, o candidato de oposição derrotado por Chávez na última eleição, Henrique Capriles Radonski, tem grandes chances de vencer daqui a trinta dias.


“A oposição vai respeitar o luto da população, mas deve vir forte para o novo pleito. Capriles ganhou a simpatia de muitas pessoas que eram chavistas nas últimas eleições com a promessa de continuar os programas sociais implementados por Hugo Chávez”, comentou Valéria.

A jornalista ainda acrescenta que Nicolas Maduro pode não ser o escolhido da situação para tentar vencer as eleições. “Ele foi o escolhido pelo próprio Chávez, mas não possui o carisma dele. Talvez o presidente da Assembléia, Diosdado Cabello, tenha mais apelo popular.


Diosdado Cabello ganhou notoriedade ao ser um dos articuladores da volta de Chávez ao poder em 2002 após os três dias de golpe que o presidente sofreu.


Figura polêmica

Apesar de todas as polêmicas que marcaram seu período de governo, Hugo Chávez colecionou amigos e desafetos ao redor do mundo durante 14 anos.

Chegou a chamar o ex-presidente norte-americano George W. Bush de diabo, e acusar o mesmo de feder a enxofre durante uma reunião de chefes de Estado na Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York.

Ele nunca perdoou o grupo de mídia RCTV por ter apoiado o golpe frustrado que tentou lhe tirar do poder em 2002 e ordenou o fechamento de seis canais de televisão pertencentes ao grupo.

O rei Juan Carlos, da Espanha, chegou a pedir para que o venezuelano se calasse após ser interrompido diversas vezes por este, durante o encontro Iberoamericano ocorrido no Chile no ano de 2007. A frase ¿Por qué no te callas?, ganhou as manchetes dos jornais na época do ocorrido.

"Ele era uma pessoa que despertava idolatria dentro da Venezuela, era impossível ser indiferente a ele. Ele tinha uma oposição ferrenha a tudo o que ele fazia, e mesmo assim, mais da metade da população de lá o amava", comenta Valéria Costa.

"Ele provocou vários modos diferentes de firmar sua liderança no país e na região. Tanto é que criou uma estrutura de poder própria na Venezuela, e conseguiu simpatizantes do seu modo de governar que chegaram ao poder nos países vizinhos, como é o caso de Rafael Correa e Evo Morales", diz Pinto.

Líder carismático

“Ele criou uma identidade de nacionalista e anti-imperialista que cativou milhares de pessoas na Venezuela. Chávez foi um homem que, apesar de todas as suas contradições, foi uma figura que se destacou no cenário político da América Latina”, comentou Renan Freitas Pinto.

Para o Professor, Chávez trouxe agentes políticos importantes para o cenário venezuelano, o que deve ser crucial para a escolha do novo líder.

“Ele produziu a presença dessas camadas mais populares para dentro da sociedade política da Venezuela. Elas agora fazem parte do jogo de poder, e devem contribuir para que a escolha do nome governista vença”, analisou Pinto.

“Chávez passou quase quinze anos no poder, promoveu reformas importantes dentro do país, mas ainda há uma disparidade muito grande entre pobres e ricos. Ainda há muito o que se fazer na Venezuela para tirar pessoas da miséria. Quem quer que assuma o posto de novo presidente não pode ignorar isso”, finaliza Valéria Costa.


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