Quarta-feira, 26 de Junho de 2019
Educação

Universitários escolhem a nova gestão do Diretório Central dos Estudantes da Ufam

Em meio a calmaria incomum e na véspera do Dia Nacional dos Estudantes, universitários escolhem a nova gestão do Diretório Central dos Estudantes da Ufam; será que o espírito revolucionário deles acabou?



ufam4.JPG Eleição para o Diretório Central dos Estudantes ocorreu nessa quarta-feira (10) em todos os campus da Ufam (Antônio Menezes)
11/08/2016 às 09:56

Ontem, no campus da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), na avenida General Rodrigo Otávio, Zona Sul, o dia parecia como outro qualquer. Nem dava para perceber direito que acontecia a eleição para o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da instituição. Essa calmaria sinaliza, para os universitários de outrora,  que os jovens de hoje estão mais conservadores e muito mais preocupados com o futuro profissional e menos com as questões políticas. Enquanto isso, a tendência de serem sempre os revolucionários da sociedade tem perdido força, apesar de ter ganhado certo ânimo com as manifestações que se espalharam pelas ruas do Brasil, a partir de 2013.

Para a professora Tanara Lauschner, 41, a juventude é naturalmente revolucionária, mas, infelizmente, o que se vê hoje nas universidades é um jovem sem espírito revolucionário. “Hoje o estudante está mais conservador do que era antes”, avalia a professora. “Eu lamento porque acabamos tendo estudantes participando menos da vida da universidade e do espaço de decisão da instituição. Às vezes, quando participam vem com ideias conservadoras, o que acho ainda pior. Com isso, os estudantes acabam perdendo espaço e direitos”, completou Tanara. 

A professora Salete Lima, 58, por sua vez, diz que não pode fazer comparações porque a sociedade muda muito de uma geração para outra. Hoje a realidade é outra e o universo também. “Na época em que fui estudante não tinha internet, mas emprego o estudante se dava ao luxo de escolher. Atualmente, com a crise, dê-se por feliz se tiver um emprego. O jovem não se politiza porque tem outras preocupações. Se dedica e foca no estudo e esquece o resto, pois é aonde vai se destacar. Se ele não se destacar como aluno não vai ter referências para passar num concurso, por exemplo. Isso reflete na sociedade”, frisou Salete Lima.

O estudante Elizeu Rodrigues, 19, é exemplo do que Salete vê nos corredores das instituições de ensino. Ele diz que não tem tempo para se envolver em movimentos por conta dos estudos. “Acredito que depende muito do curso que cada um faz. Em alguns deles os estudantes têm olhar mais voltado para questões políticas e revolucionárias e levam muito a sério, não que os demais não levem também, mas num grau menor. Eu curso Medicina, tenho três endereços de estudo (campus, faculdade de Medicina e faculdade de Enfermagem), a gente não para, por isso, ficamos distantes dessas questões”, afirmou. 

Diferentemente de Elizeu, a estudante Dhyene Vieira, 20, se engaja nos movimentos estudantis por acreditar, conforme ela, que “é possível fazer mudanças”, por isso, defende educação pública de qualidade e gratuita. “Hoje nós temos uma sociedade que não tem mais vergonha de se reconhecer de esquerda ou de direita. Na universidade a gente também tem isso. Mas ainda existem estudantes que são comprometidos com as pautas estudantis, com a universidade, com as lutas do povo brasileiro e que depois de junho de 2013 teve maior interesse em participar do processo de mudança”, afirma a estudante, participante de uma das chapas que disputa a nova direção do DCE.

Vencedor conhecido na madrugada desta quinta-feira (11)

O Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal do Amazonas (DCE/Ufam) terá uma nova equipe à frente a partir deste segundo semestre de 2016. Quatro chapas concorreram às eleições para a entidade representativa realizada ontem. A vencedora será conhecida nas primeiras horas de hoje. 

Conforme a vice-presidente da Comissão Eleitoral do DCE, pleito 2016/2017, Sofia Marusca Soares, o DCE, formado por 26 membros, é a entidade representativa de todos os estudantes de graduação da Ufam. Ele possibilidade aos estudantes o debate e mobilizações relacionadas à nossa instituição, seus problemas, desafios gerais ou específicos.

Além disso, promove também atividades culturais, calouradas, e representa o conjunto daqueles estudantes na União Estadual dos Estudantes Secundaristas (UEES) e na União Nacional dos Estudantes (UNE). Os DCEs realizam eleições anuais, além de Conselhos de Entidades de Base (CEB), entre outras formas de organização para ouvir os alunos e agir.

Dia existe desde 1927
Nesta quinta-feira (11), é comemorado, no Brasil, o Dia do Estudante. Essa comemoração acontece desde o ano de 1927 e remete ao tempo do Império, quando em 11 de agosto de de 1827, o imperador Dom Pedro I autorizou a criação das duas primeiras faculdades do Brasil, a Faculdade de Direito de Olinda,  em Pernambuco, e a Faculdade de Direito do Largo do São Francisco, em São Paulo.

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