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Cotidiano
SAÚDE EM PAUTA

Igreja quer levar debate sobre reordenamento da saúde à comunidade

Audiências públicas em bairros afetados e pedido de envolvimento da academia estão entre as ações. Susam afirma que vem seguido cronograma de reuniões para iniciar a implementação das medidas 22/06/2016 às 21:55 - Atualizado em 23/06/2016 às 15:52
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Entidades ligadas à Igreja Católica são contra o reordenamento da saúde (Foto: Antônio Menezes)
Silane Souza Manaus (AM)

O próximo passo das entidades ligadas à Igreja Católica, que são contra o reordenamento da Rede de Atenção em Saúde, em fase de implementação pelo Governo do Estado, em Manaus, é promover audiências públicas nos bairros afetados pelas mudanças para que o processo seja amplamente discutido com a população usuária do sistema antes de ser aprovado. A Cáritas Arquidiocesana e as Pastorais Sociais também querem envolver a academia nos debates bem como os técnicos da Secretaria Estadual de Saúde (Susam).

As informações foram divulgadas nesta quarta-feira (22) em coletiva de imprensa realizada no Centro de Formação da Arquidiocese (Cefam), localizado na avenida Joaquim Nabuco, Centro. Na ocasião, esteve presente o bispo auxiliar de Manaus, dom José Albuquerque,  o vice-presidente da Cáritas Arquidiocesana, padre Orlando Gonçalves, e o coordenador de Pastoral, padre Geraldo Ferreira. Ambos defenderam maior participação popular nos debates sobre o reordenamento que mudará o perfil de atendimentos de algumas unidades de saúde da rede estadual.

O padre Orlando Gonçalves explicou que essa posição vem acolher todas as comunidades que estão envolvidas no manifesto contra o reordenamento, entre elas Compensa, Tarumã, Novo Israel e Petrópolis, que sofrem com o colapso da saúde. “Nós queremos que essas mudanças sejam discutidas com a sociedade como um todo. Mudar a estrutura da rede de saúde estadual de Manaus requer discussão com todos os sujeitos e atores sociais. Não somos contra as mudanças que tem que se fazer, mas essas relações têm que ser repensadas”.

Ele afirmou que a Cáritas de Manaus continuará juntamente com as comunidades, movimentos sociais e profissionais da saúde defendendo a melhor qualidade do sistema. Conforme o padre, ainda está semana esses processos de discussão junto ao governo e a sociedade civil deve ser agendado. “Também queremos trazer a academia para nos ajudar a aprofundar esse debate. Da forma que o reordenamento está sendo feito é inconstitucional porque não é dialogado com os usuários, ou seja, não tem a participação popular”, enfatizou.

Para o padre Geraldo Ferreira o ponto de partida do governo foi equivocado. E ele só está dialogando porque houve pressão da sociedade, mas o fato de está conversando não deixa de ser autoritário. “Eles utilizam uma metodologia autoritária, centralizadora, que não corresponde mais aos nossos tempos modernos. Hoje as instituições trabalham descentralizando suas atividades, quanto mais filiais elas tem melhor. O governo não tem argumento para o reordenamento, pois desconhece a realidade”, disse.

Debates

A Susam informou que, a partir do anúncio das medidas de reordenamento, feito no final do mês de maio, o titular da pasta, Pedro Elias de Souza, acompanhado de sua equipe técnica e, ainda, dos secretários estaduais Thomaz Nogueira (Planejamento), Afonso Lobo (Fazenda) e Evandro Melo (Administração), vem cumprindo uma extensa agenda de reuniões para apresentar o detalhamento das mudanças e discuti-las com estas várias instâncias.

Em pelo menos duas ocasiões – na Câmara Municipal de Manaus e na sede do Ministério Público Estadual – estas reuniões, amplamente divulgadas com antecedência, foram abertas à participação efetiva da comunidade, com a palavra franqueada aos cidadãos. Outro fórum importante aonde o assunto vem sendo discutido é o Conselho Estadual de Saúde, que conta com representantes dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).

“A Susam tem um cronograma que vem seguindo e que tem prazo para ser concluído, para início de implementação das medidas, com os ajustes necessários e a tempo de surtirem os efeitos exigidos para o momento, em relação à otimização dos recursos. Vale ressaltar, ainda, que a área social do Governo do Estado está reforçando o trabalho de esclarecimento da população sobre as mudanças previstas”, disse em nota.    

Opinião: Dom José Albuquerque – bispo auxiliar de Manaus

"Nós estamos ouvindo muitas reclamações. Então ficamos atentos no que se pode fazer para a situação não piorar porque do jeito que o reordenamento está sendo proposto isso vai acontecer. O nosso papel é fazer com que o governo antes de vir com uma decisão possa conversar com os usuários que vão ser afetados diretamente. Eles vieram com uma decisão de cima para baixo e a justificativa que estão dando muitos questionam. Por que cortar as verbas da saúde? Isso vai atingir diretamente aqueles que não têm dinheiro para pagar um plano de saúde. Queremos que haja mais debate para pensar o bem de todos e, por querer ajudar o  governo a garantir a saúde para todos, queremos que haja discussões sobre essas mudanças, não que seja uma proposta fechada. Ninguém está querendo polemizar ou falar mal de governo, a situação da crise é evidente, só que estamos questionando o porquê de diminuir custos da área da saúde que é tão fundamental e necessitada".

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