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Cotidiano
EMPODERAMENTO FEMININO

Empoderamento feminino: mulheres do AM cobram mais espaço no Legislativo

Audiência realizada na CMM defendeu o empoderamento e a ampliação da representação feminina nas Casas Legislativas 09/03/2017 às 05:00 - Atualizado em 09/03/2017 às 11:54
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Dos 41 assentos da Câmara de Manaus, somente quatro são ocupados por mulheres: vereadoras Therezinha Ruiz, Professora Jacqueline, Glória Carrate e Joana D’Arc
Camila Pereira Manaus (AM)

A bancada feminina da Câmara Municipal de Manaus (CMM), que representa apenas 9,8% das cadeiras na casa legislativa promoveu ontem uma audiência pública em alusão ao Dia Internacional da Mulher para defender o empoderamento feminino e a maior participação das mulheres na política. A iniciativa foi da Comissão de Defesa e Proteção dos Direitos da Mulher. 

Até 2016, a presença feminina na CMM era de 14,6%. Das 41 vagas da Casa Legislativa, somente seis eram ocupadas por vereadoras. No pleito do ano passado, esse número reduziu para quatro parlamentares no  município em que as eleitoras são maioria nas urnas, somando 52%, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
 
Única representante feminina no órgão que dirige a CMM, a mesa diretora, a vereadora Glória Carrate (PRP) ressaltou as dificuldades enfrentadas pelas mulheres para ocupar espaços de poder no Legislativo. “A parte da política é crítica. Não estamos crescendo, nossa sobrevivência é muito dura. Para alguma mulher entrar na política, não encontra incentivo, isso a deixa tímida”, afirmou.
 
A parlamentar defendeu que  os governantes precisam incentivar o empoderamento feminino. “Precisamos ter uma presença, com campanhas muito fortes nas escolas, porque do pequeno que se faz o grande”, disse.
 
A vereadora Therezinha Ruiz (DEM), vice-presidente da Comissão da Mulher, enfatizou que a busca por igualdade precisa ser uma luta diária. “Cerca de 51% da nossa população são de mulheres. Temos que conquistar esse percentual dentro da política, para contribuirmos com políticas públicas. Além de incentivar as mulheres a entrar na política”, defendeu. 

A professora Cecília Otto, que participou da audiência,  lembrou que o Brasil figura na posição 156 no ranking de participação política da mulher, com pouco mais de 10% de presença feminina na Câmara dos Deputados. “É preocupante. Precisamos reconhecer que fazemos parte das decisões políticas e temos condições de defender nossos direitos. A presença da mulher na política é crucial para definir políticas de justiça social e igualdade entre gêneros. A realidade de vida entre as mulheres é de muita desigualdade”, afirmou. 

Ao relembrar os 85 anos da conquista do voto feminino no Brasil, a vice-presidente  da Associação Brasileira das Mulheres de Carreira Jurídica Regional do Amazonas, Maria Glaucia Barbosa, afirmou que é preciso mais determinação para buscar uma sociedade mais igualitária. 

Personagem - Vereadora Professora Jacqueline

Precisamos de uma mudança de comportamento da sociedade como um todo, para podermos perceber a importância da mulher no mundo moderno e alcançar a igualdade. A inserção das mulheres no mercado de trabalho está cada vez mais forte, tanto que muitas mulheres têm sido o sustendo de suas casas. O que precisamos é melhorar na questão de políticas afirmativas voltadas para mulheres e aumentar as políticas públicas. 

Acredito que se a mulher tiver as oportunidades ideais, que o homem tem, certamente avançaremos mais. Temos avançado ao longo dos anos. Há muito tempo a mulher vem se destacando. Acho que ainda é tímida a participação da mulher na política. Precisamos dessa valorização. As campanhas e mobilizações são importantes para dar visibilidade à causa, para alertar que mulheres precisam se emponderar ainda mais. 

Precisamos nos empoderar na questão da política, questão dos empregos, buscando direitos e salários igualitários. Muitas pesquisas mostram que as mulheres possuem mais qualificação técnica, mas infelizmente ganha menos que o homem. Precisamos romper esses modelos repressores.

Blog - Cacique Chitara Apurinã

“Consideroa mulher ser uma cacique como uma das maiores conquistas dentro do movimento indígena. Antes não existia a mulher cacique, líderes de comunidades indígenas, movimentos, se destacando no grupo. Hoje eu sou uma cacique Apurinã. Já estou no segundo mandato na comunidade Ienamãta, no conjunto Cidadão XII, na Zona Norte de Manaus. Eu vim de uma aldeia do Rio Purus, ainda pequena para estudar, porque a escolaridade era muito baixa na minha aldeia e precisava crescer. Vejo que as mulheres precisam ter iniciativa, tomar a frente das decisões que vão mudar a sua vida. Nós temos construído grandes coisas. Já enfrentei dificuldades por ser mulher dentro do movimento indígena e fora dele, por querer me impor. Os homens olham com diferença e dizem “Você não pode fazer, porque é mulher”, mas não podemos baixar nossas cabeças. Até hoje, vejo uma reunião de cacique só com homens. Recentemente, tivemos uma reunião de caciques Apurinãs e só tinha eu de cacique mulher no meio deles. A gente ainda sofre por ser mulher, mas não desiste e insiste. Temos capacidade e inteligência para se igualar e competir de igual para igual”. 

Participação feminina na indústria cai para 27,9%

Dados da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) apontam que a participação da mulher na indústria encerrou, no ano passado, em 27,9% do total. Historicamente, a participação é de 30% e já chegou a ser de 33,7%, em 2014. Segundo o professor doutor Neuler Almeida, do curso de economia da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), o preconceito existe e a preferência pela mão de obra para formar o “chão de fábrica” ainda é pelos homens. 

O professor afirma que a preferência pela mão de obra feminina, na indústria, é para trabalhos com componentes eletrônico, por exigir um maior cuidado e critério. O serviço mais “pesado” ficaria a cargo dos homens. Ele destacou ainda a crescente participação da mulher na construção civil, na parte de acabamento de prédios.

Neuler Almeida ressaltou que no mercado brasileiro existe um fenômeno chamado “Teto de Vidro”, que impede o crescimento da mulher na carreira, levando em consideração os rendimentos.

“O que se vê através de pesquisas é que as mulheres ganham menos. Uma das hipóteses seria pela licença maternidade, pelo afastamento isso seria algo oneroso para os empresários”, explicou. “Uma opinião minha é que grande parte das mulheres atualmente são chefes de família, ou seja, tem uma dupla jornada de trabalho. Isso faz os empresários acreditarem que haja uma produtividade menor”, disse o estudioso. 

Preconceito

O professor enfatiza que a preferência pelos homens em determinados setores se dá por conta do preconceito. “As mulheres não têm acesso a altos cargos de chefia de várias empresas, puramente por conta do preconceito. A disposição do cargo fica para a mão de obra masculina”, afirmou Neuler.

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