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Raymison Monteiro, exemplo de trabalho e dedicação à Medicina

Com 28 anos de carreira, cirurgião geral atende em diversos hospitais e maternidades de Manaus, a maioria da rede pública de saúde 23/10/2015 às 14:53
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Raymison Monteiro atende no HPS da Criança e em cinco outros centros. Mas cirurgião geral não reclama da rotina puxada. “Sinto prazer em ajudar as pessoas”, diz
Jony Clay Borges Manaus (AM)

Não tem estação nem tendência certas: para Raymison Monteiro de Souza, 55 anos, o branco está sempre na moda. É que o médico cirurgião geral passa com o jaleco branco nada menos que cinco dias por semana, quase sempre do dia à noite, além de sábados ocasionais de plantão, em diferentes hospitais, pronto-socorros e maternidades de Manaus, boa parte da rede pública. E pensa que ele reclama? Pelo contrário. “Amo o que faço. Mesmo com a correria toda, amo o que faço”, declara ele, convicto, em entrevista dada justo no trajeto entre um hospital e outro.

A paixão pelo ofício ajuda a explicar por que Raymison é também um dos profissionais mais bem conceituados em sua área. Com 28 anos de carreira, ele teve e até hoje tem personalidades e figuras ilustres do Estado entre seus pacientes, mas não abre mão de prestar serviço também às pessoas em instituições públicas federais e estaduais.

“Sinto prazer em ajudar as pessoas. Às vezes até sem fins lucrativos. Sou desprovido desse interesse, talvez seja até um problema, um caso a ser tratado”, diz, bem humorado. “Quando faço um procedimento bem sucedido me dá uma satisfação muito grande. É óbvio que nem sempre temos sucessos, não somos deuses e nem pretendemos ser. Mas estamos aí para lutar contra a morte e dar uma condição melhor para as pessoas”, completa.

Entre os trabalhos que Raymison mais aprecia está o atendimento ao público infantil no Hospital e Pronto-Socorro da Criança, na Compensa, Zona Oeste. Vez por outra, todavia, casos delicados vão parar em suas mãos, como o de uma menina de 3 anos, agredida e em risco de morte, que chegou ao local há pouco mais de uma semana.

“Uma das piores coisas que já vi”, confessa, por outro lado feliz pela reação positiva da criança. “Está na UTI ainda em estado grave, mas teve uma melhora. Achei que nem chegaria a suportar a operação, e hoje (quarta) já faz uma semana”.

Raymison percebe a relevância de seu trabalho também no atendimento a pacientes hepáticos na Fundação Hospital Adriano Jorge, do qual já foi diretor e onde hoje atua via cooperativa. “Ali sei o quanto sou importante para essas pessoas, às vezes em situação terminal. Tem de ter carinho, respeito, tratar com dignidade. Disso tenho orgulho como profissional: atender bem”.

Natural de Rondônia, Raymison hoje é Cidadão do Amazonas, graças à honraria que recebeu em abril passado da Assembleia Legislativa do Estado. Em seu íntimo, porém, o cirurgião geral já carregava o título há muito mais tempo.

“Escolhi Manaus para viver. Escolhi porque um jovem tem sonhos, e porque em Guajará-Mirim, onde nasci, não tinha faculdade para eu fazer”, declara ele, que veio para a capital em 1978, para estudar na antiga Escola Agrotécnica, de onde saiu técnico agrícola. O sonho de estudar seguiu rendendo frutos, e em Manaus ele estabeleceu suas raízes.

“Constituí minha família nessa cidade de que gosto muito, e vou continuar trabalhando para que ela melhore cada vez mais”.


FAMÍLIA EQUILIBRA ROTINA PUXADA

Além do HPS da Criança e do Adriano Jorge, Raymison Monteiro se reveza ainda entre outros quatro hospitais e maternidades, além de dar aulas de Técnica Operatória e Cirurgia Experimental a estudantes de Medicina da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). A rotina, ele conta, já foi até mais puxada.

“Até o ano passado trabalhava também aos sábados. A partir desse ano, decidi não trabalhar mais aos sábados nem domingos, mas ficar com a família”, revela ele, que diz passar todo o tempo fora do trabalho ao lado da esposa, Tânia Maria, e dos filhos que hoje fazem faculdade. “Dizem que sou, e eu me considero um bom pai e marido”, orgulha-se.

Os passatempos com a família, revela o médico, incluem ir ao restaurante com a esposa ou viajar com a turma toda. “Fico muito em casa também. Sou caseiro, fico ouvindo música e gosto de apreciar um bom vinho”, revela ele, que não é dado a excessos. “Não gosto de outras bebidas nem fumo”.

Por outro lado, ele revela ter relaxado na atividade física. “Caminho esporadicamente, mas estou matriculado na academia, eu e meus filhos. Sábado agora (hoje) estou indo”, prometeu.


CRISE PODE AFETAR SAÚDE, AVALIA MÉDICO

Com décadas de vivência na saúde pública, Raymison Monteiro acredita que a atual crise pode se refletir de forma negativa na qualidade do atendimento prestado ao público na capital e no Estado. “O Governo estadual agora diminuiu alguns plantões. Isso vai refletir na qualidade do atendimento às pessoas. E acho que a tendência é não melhorar muito a curto prazo: teremos vários problemas na cidade e no Estado por conta da crise”, alerta ele.

A falta de recursos, opina o médico, acaba comprometendo também a estrutura de atendimento, causando problemas como a superlotação, e também o trabalho do profissionais. “Temos médicos extremamente competentes, capazes, com titulações e referências, e que muitas vezes não desenvolvem seu trabalho adequadamente pelo fato da instituição não lhes dar condições”, defende ele.

“Avançamos sobremaneira na qualificação dos nossos profissionais no Amazonas. Mas as instalações estão aí, é só entrar e ver: falta tudo. É um prédio bonito? Mas basta ver o centro cirúrgico deficiente, o material deficiente”, aponta.


TRAJE IMPECÁVEL

Raymison Monteiro leva de casa sempre dois jalecos, sendo um para uso dentro do hospital e outro para trajetos entre um lugar e outro. “E fico de olho na questão da contaminação. Nós profissionais de saúde disseminamos infecções, e temos de estar atentos a isso”, ressalta.


PERFIL

Natural de Guajará-Mirim (RO), é médico cirurgião geral e professor. É graduado em Medicina pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e mestre em Cirurgia Vascular e Videolaparoscópica pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

É membro do Colégio Brasileiro de Cirurgiões e da Sociedade Brasileira de Videocirurgia, e sócio efetivo da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular. É também professor do curso de Medicina da Ufam.

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