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Cotidiano
MAUS CAMINHOS

Ré da Maus Caminhos diz que provas do esquema criminoso foram destruídas

Jennifer Nayiara, ex-presidente do INC, e mais três réus, incluindo Mouhamad Moustafa, são acusados de desviarem R$ 110 milhões da Saúde no Amazonas 14/11/2017 às 13:06 - Atualizado em 14/11/2017 às 13:12
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Foto: Arquivo A Crítica
Camila Pereira Manaus (AM)

A enfermeira Jennifer Nayiara Yochabel, a primeira ré da Maus Caminhos a ser interrogada hoje pela Justiça Federal, em Manaus, disse em interrogatório que as provas do esquema criminoso foram destruídas. Ela e mais três réus, incluindo o médico e empresário Mouhamad Moustafa, serão ouvidos ainda nesta terça (14) acusados de participarem de um esquema que desviou R$ 110 milhões da Saúde no Amazonas.

Em interrogatório, a enfermeira afirmou que tais provas foram destruídas após a fiscalização da Controladoria-Geral da União (CGU). Jennifer Nayiara Yochabel atuou como presidente do Instituto Novos Caminhos (INC), empresa apontada por comandar o desvio das verbas públicas através da contratação de três empresas terceirizadas, a Salvare, Total Saúde e Sociedade Integrada Médica do Amazonas Ltda (Simea).

Questionada sobre ocultação de provas, Jennifer Nayiara citou HDs – disco rígido de computadores – da empresa Total Saúde. “Os HDs foram trocados. Foram apreendidos HDs da empresa Total Saúde. Acredito que eles foram destruídos. Nada poderia linkar as atuações ao Mouhamad”, disse.

Segundo a enfermeira, documentos das empresas Total Saúde e Salvare foram separados logo após a visita da CGU. “Tudo era feito no mesmo RH. Queriam que fosse desvinculado meu nome às coisas da Salvare. Continuei na Total. Os documentos foram apenas separados, conforme ordens. Não houve destruição, tanto que continuam com erros, sem cabeçalho, por exemplo”.

De acordo com a ex-presidente do Instituto Novos Caminhos, havia fornecedores do setor de Saúde do Amazonas que eram privilegiados e praticavam valores acima do mercado. “Em alguns casos os serviços eram prestados, sempre cobrado a mais. O excedente era levado para Mouhamad”.

Jennifer disse ainda que estabeleceu “certa amizade” com Mouhamad, mas recebia ameaças de perder o emprego. “Eu tinha medo de ser desligada. Sou a única pessoa da minha família a ser remunerada. Ele dizia que eu não conseguiria trabalhar em outro local. Mouhamad andava armado e com muitos policiais. Em diversas reuniões ele colocava a arma em cima da mesa, acredito que como forma de coagir. Ele contava historias de quem mexesse com ele, ele iria ‘finalizar’”.

Quando presidente do Instituto Novos Caminhos, Jennifer registrou evolução patrimonial de 385,5% de 2013 para 2014. Ela foi presa após a operação Maus Caminhos, deflagrada em setembro de 2016 pela Polícia Federal e CGU. Em meados de 2012, ela afirma ter recebido cerca de R$ 3,2 mil. Até a operação recebia cerca de 46 mil.

“Eu acredito que era um valor justo porque (eu) administrava muitas pessoas. Tinha que verificar as escalas de plantão”, afirmou. Ela prestava serviços para a Salvare, Total Saúde e Instituto Novos Caminhos. Após fiscalização da CGU, ela saiu da empresa Salvare.

A operação Maus Caminhos foi deflagrada em setembro de 2016, desarticulando uma organização criminosa que teria desviado R$ 110 milhões de verbas públicas por meio de contratos entre a Secretaria de Estado de Saúde com o Instituto Novos Caminhos. A quadrilha era liderada por Mouhamad Moustafa, que foi solto em agosto.

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