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Reajuste na tarifa de energia elétrica causará mais demissões no Estado do Amazonas

Desemprego em vista: após anúncio da subida do preço na conta de luz para residências e indústria, empresários já avaliam cortes de pessoal no comércio e no PIM 31/10/2015 às 18:54
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No comércio, lojas podem fechar as portas se não tiverem como repassar os preços
Aristide Furtado e Natalia Caplan Manaus (AM)

O reajuste de até 42,5% na tarifa de energia elétrica no Amazonas agravará o quadro de demissões no Polo Industrial de Manaus (PIM) provocado pela crise econômica nacional. A medida se soma a outras tomadas pelo Governo Federal, como o aumento do preço da gasolina e a elevada taxa de juros básicos, que aumentam o custo de vida e provocam um cenário de retração do mercado.

“O que já está ruim ficará pior. Isso significa menos compra, menos produção e, no futuro, uma acomodação do mercado que resultará em menos empregos. O que estamos tentando fazer, hoje em dia, é manter o emprego. Um funcionário custa muito caro, se faz muito investimento”, declarou. “Por mais que tenhamos boa vontade, nossos políticos estão complicando tudo”, disse o presidente Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus, Athaydes Mariano Félix.

Na opinião dele, que também integra a diretoria da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), com o mercado em baixa e mais uma despesa do poder público “jogada nas costas do consumidor final”, será ainda mais difícil não apenas abrir novas vagas, mas manter as que ainda existem. Desde o início deste ano, mais de 20 mil industriários perderam os empregos.

“O aumento da tarifa de energia terá que ser repassado no preço. O mercado já está ruim e aumentar preço vai piorar. Ainda não temos ideia do impacto. Estou reunido com a classe metalúrgica e esse é um dos assuntos que discutiremos. Já estavam preocupados com situação política e econômica. Chega o momento em que é preciso tomar uma decisão e isso significa demissão”, enfatizou.

Comércio

 Para o presidente da Câmara de Dirigentes e Lojistas de Manaus (CDLM), Ralph Assayag, haverá alta no índice de desempregados no Amazonas. Muitos empreendimentos que passam por dificuldades financeiras poderão receber o aumento como a “gota dágua” e fechar as portas. “As empresas que têm um consumo maior, vão pegar uma pancada muito grande”, disse.

Com a diminuição do poder aquisitivo das famílias, ela ressalta o risco de um “efeito dominó”, desde o produtor até o comprador final. “Não sabemos nem como colocar um preço, repassar isso ao consumidor. Quem não tiver como calcular e repassar esse valor pode quebrar. Como uma empresa que gasta R$ 1 milhão em energia por mês vai ter de onde tirar R$ 400 mil a mais?”, questionou.

Representantes da Secretaria Executiva de Proteção e Orientação ao Consumidor (Procon),  dos Ministérios Públicos Estadual e Federal, Defensorias Públicas do Estado e da União, OAB-AM, Procon Municipal, Comissão de Defesa do Consumidor da CMM e da ALE-AM preparam uma representação pedindo a suspensão  por até 30 dias do reajuste da energia elétrica no Amazonas.

Blog, Wilson Périco, Presidente do Centro das Indústrias do Estado do AM

“O impacto do reajuste da tarifa de energia elétrica é para a sociedade como um todo. Tudo fica mais caro desde o pãozinho.  O nível de desemprego está alto, o poder de compra da população caiu. Há aumento do custo de vida. A Aneel adotou medidas eleitoreiras  no passado. E agora joga tudo isso em cima da população. É um crime.  Quem está pagando esse custo da medida eleitoreira é a sociedade. Tem segmentos no Polo Industrial de Manaus que vão sentir mais, outros menos. O custo de algumas atividades, principalmente, no setor de injeção plástica,  terá um peso maior com o aumento da conta de energia. O plástico vai ficar mais caro e os produtos que utilizam esse insumo também. É o terceiro segmento com maior faturamento do PIM. O que menos precisamos nesse momento  é aumentar o desemprego”.

Personagem

Alexandre Tavares, empresário de Manacapuru ‘A promessa do gasoduto era baratear a energia’

Dono de um dos maiores supermercados de Manacapuru, município que integra a Região Metropolitana de Manaus (RMM), o  empresário Alexandre Tavares lembra que a promesa do gasoduto Coari-Manaus, que corta o município,  era de baratear a energia elétrica. “Hoje a gente nem houve mais falar nisso”, disse.

Na avaliação dele, no primeiro momento, o reajuste da tarifa não deve provocar demissões no comércio local por conta das festas de final de ano. “Há  expectativa de aumento de vendas nesse período. Entra mais dinheiro na econômica do município com o pagamento do décimo terceiro salário”, disse.

Segundo o empresário, a conta de energia representa 6% da despesa total de sua loja. Essa participação superará os 8% com o reajuste anunciado pela Aneel. Com uma despesa mensal de R$ 12,5 mil de energia elétrica, ele afirma que um dos problemas do município é o elevado índice de ligações clandestinas.

Conta de energia

Aumento expressivo na conta de luz dos amazonenses, anunciado na semana passada pela Aneel, terá sérios efeitos no nível de empregos em Manaus, tanto no comércio como na indústria, alertam lideranças setoriais.

Explicação

A compra de energia elétrica de produtos independentes e o consumo de óleo combustível são itens que entram no calculo da tarifa.

Em números

65,17% foi o reajuste da tarifa de energia elétrica  para a indústria, no Amazonas, nos últimos 12  meses. No final de 2014, a conta foi acrescida de 22,62%. Agora inflou em 42,55%. Para as residências, o total acumulado chega a 54,37% nesse período.

54,37% é o total do reajuste da conta de luz para os consumidores do Amazonas nos últimos 12 meses.

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