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Rede de fibra óptica que conectará Brasil aos EUA e Africa deve beneficiar também o Amazonas

Segundo Divino Sebastião de Souza, diretor presidente da Algar Telecom, a infraestrutura abre possibilidades que permitirão uma capacidade de transmissão de dados para a Região Norte do Brasil 14/10/2014 às 20:29
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A instalação dos novos cabos permitirão maior fluxo de dados entre os Estados Unidos, América Latina e a África, regiões com demandas crescentes no setor de telecomunicação
Lucas Jardim* São Paulo (SP)

Rede de cabos submarinos de fibra óptica que conectará o Brasil aos Estados Unidos e à África pode vir a melhorar a Internet no Amazonas, de acordo com Divino Sebastião de Souza, diretor presidente da Algar Telecom, uma das empresas que construirão a rede em parceria. O anúncio foi feito durante palestra na Futurecom 2014, que acontece em São Paulo.

Um dos cabos sairá de Boca Ratón, no estado norte-americano da Flórida, passará por Fortaleza (CE) e chegará até Santos (SP). Outro conectará Fortaleza a Angola, permitindo maior fluxo de dados entre a América Latina e a África, duas regiões com demandas crescentes no setor de telecomunicação. Segundo Cristian Ramos, gerente de parcerias de desenvolvimento de infraestrutura de internet para a América Latina da norte-americana Google, a previsão é que todo o sistema esteja totalmente operacional até o final de 2016.

O diretor acredita que as possibilidades abertas pelo projeto permitirão uma capacidade de transmissão de dados para a Região Norte. “Nós temos mais de 14 mil Kms de fibra óptica compondo nossa rede nacional e, com o cabo submarino conectando o nossobackbone, que hoje passa em Santos, com Fortaleza, há muitas possibilidades para levar essa conectividade ao Norte”, disse Divino.

Para o diretor da Algar Telecom, “uma parceria com alguém tenha estrutura na área a partir de Fortaleza é muito mais possível”, em contraposição a Brasília, a atual ponta norte do backbone da empresa. “Não imagino forma de conectar a transmissão dos dados do Norte via Brasília que não envolva a construção de linhas de transmissão, e isso requereria um trâmite muito mais complexo”, comentou.

Além dele, Carolina Cossa, presidente da estatal uruguaia de telecomunicações Antel; Antônio Nunes, presidente do conselho executivo da empresa angolana Angola Cables; e John Mitchell, presidente da também norte-americana TE SubCom, líder em sistemas de comunicações submarinos, estavam presentes na coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (14) dentro das atividades do Futurecom.

Investimento

Perguntados sobre o investimento total da empreitada, que um jornalista estimou que seria de aproximadamente US$ 500 milhões, os dirigentes ficaram constrangidos e olharam uns aos outros até que o gerente da Google declarou: “O investimento é próximo de US$ 500 milhões, mas não é US$ 500 milhões”.

Apesar disso, Antônio revelou que seus investimentos giram em torno de US$ 260 milhões, inclusos as despesas com um centro de processamento de dados que a Angola Cables pretende instalar em Fortaleza para dar suporte aos cabos que passarão pela cidade, e Cristina comentou que a Antel pretende gastar US$ 73 milhões com a obra.

Objetivos

As empresas vêm de diferentes backgrounds e têm objetivos distintos. A Antel, por exemplo, ainda tem expectativas de conectar o cabo diretamente ao Uruguai, em uma futura extensão que o levaria de Santos a Maldonado, mas disse ainda não ter previsão para essa obra. Já a Angola Cablesvê na incursão um passo estratégico.

“Isso tem tudo a ver com a nossa estratégia de desenvolvimento a nível africano. Angola quer ser um hub de telecomunicações na África e, para isso, fazer uma estrutura de cabos submarinos que vai fazer ligações diretas de Angola tanto para Europa, que temos um cabo a funcionar, outro cabo que vamos instalar entre Angola e o Brasil e este cabo que vai ligar o Brasil e o Estados Unidos, desenvolvendo com isto uma rede de cabos submarinos internacionais”, disse o presidente da empresa.

Gestão

Cada empresa compartilhará a estrutura em sua totalidade, mas será responsável por seu trecho de fibra óptica, podendo capitalizá-lo da maneira como achar melhor. Cristian, no entanto, destacou que “nem todas as empresas (da parceria) têm objetivo de gerar receita. Algumas só têm o objetivo de reduzir custos”.

Independente disso, os dirigentes comentaram que manutenção será pro rata, ou seja, custeada de maneira proporcional por todas as empresas, e realizada por uma única empresa contratada.

*O repórter viajou a convite da Telefônica Vivo

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