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Rede de observadores criada há cinco anos reúne pessoas que observam pássaros

Ainda que a logística seja uma das dificuldades encontrada, os números mostram que, independente dos desafios a serem superados, os apaixonados querem mesmo é observar e fotografar passarinhos 25/07/2015 às 12:08
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O Amazonas detém uma das maiores diversidades de aves, 85% das espécies, porém desperdiça potencial turístico de observação por falta de estrutura logística
Luana Carvalho Manaus (AM)

Existem 1.300 espécies de aves em toda a Amazônia, sendo que 85% delas podem ser encontradas no Amazonas, colocando o Estado no topo dos destinos com maior potencial para observação de pássaros. Coloridas, escuras, de grande ou pequeno porte, as aves atraem um público específico, simples, que precisa apenas da floresta preservada para viver  momentos de pura contemplação. 

Ainda que a logística seja uma das dificuldades encontrada, os números mostram que, independente dos desafios a serem superados, os apaixonados querem mesmo é observar e fotografar passarinhos. A rede de observadores  WikiAves, criada há cinco anos para reunir pessoas que viajam com o objetivo de observar pássaros, registra atualmente 884 espécies fotografadas  no Amazonas. Este é o maior número registrado pelos usuários em todo o Brasil.

Um dos principais colaboradores, o analista ambiental Robson Czaban, possui mais de 5 mil fotos publicadas no site.  Ele também já cruzou com 1.275 espécies pelo país. “Sempre que viajo procuro incluir no meu roteiro a observação de aves. Mas não tem local mais rico em pássaros do que a Amazônia. E Manaus está bem no centro de tudo, não tem lugar melhor para observar”, conta.

Só na capital ele já observou 500 espécies. “Se você fizer um circulo de 50 quilômetros de raio a partir do centro de Manaus, incorporando Rio Preto da Eva, Presidente Figueiredo, Manacapuru, Iranduba, Novo Airão e Careiro da Várzea, esse numero salta para mais de 650 espécies”, enumera.

Há dois anos, o Instituto de Pesquisas da Amazônia (Inpa) publicou 15 espécies novas de aves de uma vez, o maior numero de espécies publicadas em 140 anos.

Embora a biodiversidade seja a mais rica do mundo, o mercado do turismo ornitológico ainda é bastante tímido na região.

Existem, aproximadamente, três guias especializados em observação de pássaros em Manaus. Uma delas é Vanilce Carvalho, 37, guia profissional há seis anos. “Conheci a observação de pássaros há 15 anos.

Fui criada no interior e sempre tive muito contato com a natureza. Quando entrei na faculdade de biologia, procurei várias áreas para atuar mas eu gostava da observação de aves. Então decidi fazer deste ‘hobbie’ a minha função. A demanda por pessoas que procuravam um guia específico era e ainda é muito grande”, conta.

Para a guia, ainda falta articulação e incentivo para o turismo de aves.

“Não temos uma cooperativa e muitos clientes fazem contato por e-mail ou pelo site WikiAves. Não temos estrutura para este tipo de público, mas ainda assim fazemos de forma independente e dá certo. Para observação não precisa de muita coisa. Precisamos de um fragmento de floresta, até mesmo dentro da cidade, silêncio e sensibilidade”.

Mário Cohn-Haft Ornitólogo do Inpa

“O observador de pássaros consegue ver aves até no meio da estrada. Se ele tentar entrar num Parque Nacional ou em uma Unidade de Conservação e for impedido, ele vai procurar outro canto, vai para o terreno particular ao lado, que tem uma mata tão bonita quanto. A região amazônica é enorme. Só o que o observador precisa é ter acesso às florestas e ecossistemas em bons estados. Existem certas infraestruturas que são necessárias, a exemplo das trilhas em mata, onde seja proibida a entrada de pessoas que vão para bagunçar, onde não pode haver invasão, onde o observador não se sinta ameaçado. Uma torre construída acima da copa numa área de floresta virgem, com 40 metros de altitude é um imã irresistível. A torre do Museu da Amazônia (Musa) e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) são exemplares. Precisamos de mais torres como estas, trilhas e hospedagem, por mais simples que sejam. Portanto, o mais importante que o visitante se sinta seguro.  Ele está disposto a pagar taxas para contribuir com a conservação dos ecossistemas. Só é preciso de uma mobilização a mais. Estamos muito perto e temos potencial para isto”.

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