Domingo, 16 de Junho de 2019
CPI da Pedofilia

Rede de Pedofilia em Coari envolve mais pessoas

Presidente da CPI afirma que suposto sistema conta com a ação de um número maior de envolvidos e de vários setores



1.jpg Presidente da CPI, Érica Kokay(à direita), e a relatora da comissão, Lilian Sá, realizaram segunda audiência em Coari
24/09/2013 às 08:01

O número de pessoas envolvidas na suposta rede de pedofilia no Município de Coari (a 370 quilômetros de Manaus) é maior do que se imaginava. A informação é da presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara dos Deputados que apura a exploração sexual de crianças e adolescentes em todo o Brasil, deputada federal Érica Kokay (PT-DF), após realizar, nessa segunda-feira(23), mais uma audiência no município. A deputada adiantou que mais pessoas serão ouvidas pela comissão.

“A amplitude do número de atores tem ficado muito evidente a cada tomada de depoimento. Precisamos traçar linhas de atuação para ver até onde vai essa rede, que outros segmentos ela pode envolver”, afirmou Érika Kokay.

A CPI foi pela segunda vez a Coari colher os depoimentos de cinco pessoas, entre elas, o ex-secretário municipal de Defesa Social, o subtenente da Polícia Militar (PM) Antônio Aguiar, o fotógrafo da Prefeitura de Coari, Jaime Paiva, e Eudes de Souza, marido da secretária-adjunta de Meio Ambiente e Turismo do município, Maria Lândia Rodrigues.

Segundo a presidente da CPI, os depoentes responderam a todas as perguntas, mas negaram participação em qualquer ato ilícito. “Óbvio que houve resistência em se produzir provas contra si mesmo. Mas os depoimentos são importantes para a comissão formar um juízo de valor. Às vezes, o silêncio e as negativas falam mais que as afirmativas. O nível de contradição e coerência dos depoimentos é outro elemento avaliado”, afirmou Érika Kokay.

A relatora da CPI, deputada federal Lilian Sá (PSD-RJ), disse que o que já está claro é o modus operandi da suposta rede de exploração sexual de crianças e adolescente em Coari. “Chegamos à conclusão de que esta rede aliciava as meninas, e depois, mais velhas, essas meninas aliciavam outras”, declarou Lilian.

Segundo Érika Kokay, a figura de aliciadoras menores não é nova nas denúncias relacionadas ao caso de Coari, e todas vão ser investigadas. “Hoje se confirmou algo que já tinha aparecido em outros depoimentos, que á figura da menina vítima da exploração sexual, que depois passa a ser utilizada como aliciadora de outras adolescentes, porque tem uma facilidade de diálogo, pela própria idade e interesses comuns”, disse a presidente da CPI.

Suspeitos negam envolvimento

Um dos depoimentos colhidos pela CPI da Câmara dos Deputados ontem foi de uma adolescente de 16 anos. Segundo denúncia apurada pelas deputadas, em 2012, a jovem teria tentado marcar encontros entre a prima dela, à época com 12 anos, com Adail Pinheiro (PRP), então candidato a prefeito.

Os pais da adolescente não quiseram falar com a imprensa. Também evitaram falar com a reportagem, Eudes de Souza e Jaime Paiva. Os três apresentaram como advogado Christian Naranjo.

Segundo Christian, os clientes dele negam envolvimento com os supostos crimes investigados pela CPI, mas estavam dispostos a colabora com a comissão. “Eles vieram hoje aqui, mas não sabem nem do que são acusados”, disse Naranjo.

Questionado se foi contratado por Adail Pinheiro para defender Eudes, Jaime e adolescente, Naranjo disse que não. “Eles que estão me pagando. É bom que fique claro que não tenho nenhuma relação com o prefeito (Adail). Estou na cidade para audiências no fórum e fui contrato pelo Eudes e as famílias das adolescentes. O Jaime me viu aqui e pediu para eu defendê-lo também”, afirmou o advogado.

Assessoria descarta fundamento


A assessoria do prefeito Adail Pinheiro informou, nessa segunda-feira(23), que a denúncia de 2012 apurada pela CPI da Pedofilia não tem fundamento. “Juridicamente, ele (Adail) nunca foi acusado, uma vez que a denúncia não teve materialidade sequer para sustentar um inquérito policial, que seguiu para a Justiça com autoria por identificar e o crime por tipificar”. A assessoria disse também que as demais denúncias levadas à comissão já foram investigadas, e estão sendo “requentadas” por adversários políticos do prefeito.


A presidente da CPI da Pedofilia, Érica Kokay, disse que vai hoje ao Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM) pedir informações sobre a demora da Justiça do Estado em julgar processos onde Adail Pinheiro é réu. Entre eles há uma ação penal de 2009, por favorecimento da prostituição.

Depois que Adail se tornou prefeito novamente, o caso saiu da comarca da cidade e foi enviado ao TJ-AM. A ação penal tem como relator o desembargador Aristóteles Lima Thury, e está pronta para ser julgada por ele desde o dia 20.

Fábio Martins, proprietário da empresa Mega Models, não foi depor. A presidente da CPI disse que emitiu o mandado de condução coercitiva contra ele.

 * O repórter viajou a Coari a convite da CPI


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