Publicidade
Cotidiano
Notícias

Reforço de 113 médicos chega ao Amazonas

Mais dois grupos de profissionais estrangeiros devem iniciar treinamento antes de assumirem postos no interior e capital 28/10/2013 às 08:03
Show 1
Os médicos do programa ‘Mais Médicos’ chegaram em voos no sábado e ontem de manhã, no aeroporto de Ponta Pelada
Cinthia Guimarães ---

Médico há 21 anos, o cubano Carlos Enrique Trotman Gavilán descreve como uma experiência única a oportunidade de vir trabalhar no Amazonas. A partir de novembro ele vai morar em Lábrea (a 702 quilômetros em linha reta de Manaus), onde ficará durante três anos para exercer medicina comunitária pelo programa Mais Médicos, do Governo Federal.

Gavilán integra a turma de 113 médicos estrangeiros que chegaram à capital no último final de semana para receber treinamento de duas semanas em doenças típicas da Amazônia, organizado pela Fundação de Medicina Tropical Dr. Heiton Vieira Dourado (FMT/HVD) e Fundação de Vigilância Sanitária (FVS), de onde seguem na missão de levar assistência básica de saúde aos rincões da Amazônia.

“É uma experiência única estar nesta cidade maravilhosa pela oportunidade de ajudar pessoas que estão absolutamente esquecidas e que precisam de uma atenção mais dedicada, porque é o modo de trabalho dos médicos cubanos, que são especialistas em medicina comunitária”, disse.

Questionado sobre o que pensa da rejeição dos médicos brasileiros ao programa, ele disse. “Podemos trabalhar juntos, o importante é o ser humano e ajudar a todos que necessitam”.

Formada em Cuba e especialista em medicina familiar e comunitária na Venezuela, a médica paulista Ana Rosa Tavares resolveu se inscrever no programa Mais Médicos porque queria trabalhar com saúde indígena. “A Região Norte é muito carente, com déficit de médicos. Achei que era a hora de ir, ajudaria mais e, como trabalhava com comunidades indígenas na Venezuela, seria uma boa experiência para o Estado do Amazonas”, disse ela, que ficará em Manaus.

Até abril de 2014 o Amazonas vai receber 600 médicos do programa Mais Médicos. A proposta do governo é sair da relação de 1,3 médicos por mil habitantes o Amazonas – um dos índices mais baixos do País – para 2 médicos por mil habitantes.

Há municípios onde a relação é mais crítica, como Atalaia do Norte, onde o único médico da cidade é o secretário municipal de saúde, que também é vice-prefeito. Cidades como Borba, Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira também sofrem de extrema carência de profissionais de saúde.

Expansão abrange as universidades

O programa Mais Médicos prevê também a expansão do número de vagas de medicina e de residência médica nas universidades, além do aprimoramento da formação médica no Brasil.

A Universidade Federal do Amazonas (Ufam), por exemplo, está autorizada a abrir mais 60 vagas para o curso de Medicina, que será lecionado em Coari, segundo o secretário estadual de Saúde, Wilson Alecrim. “

De acordo com o secretário de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Antônio Alves, a ideia é primeiro resolver a falta de profissionais e depois partir para a capacitação do sistema. “Você tem que dar comida no momento em que a pessoa está com fome. Temos que dar médico para quem não tem médico”, ressaltou Alves.

Publicidade
Publicidade