Segunda-feira, 23 de Setembro de 2019
Desenvolvimento

Inclusão social: reforço escolar pode ajudar crianças com deficiência

Estudo dirigido, com atividades lúdicas, ajuda o desempenho escolar de crianças com algum tipo de deficiência



reforco_especial.JPG Atividades lúdicas e terapia ocupacional são utilizadas para o desenvolvimento das crianças / Foto: Winnetou Almeida
09/07/2016 às 17:53

O acesso da pessoa com deficiência a escolas regulares é uma realidade, assegurada pela a Lei Brasileira de Inclusão (LBI), e cada dia crescente. Em 2011 eram 558 mil alunos, número que aumentou para 698.768 em 2014, segundo o Censo Escolar. Mesmo assim, o dilema continua: de um lado estudantes necessitando de atenção especializada e, do outro, as escolas ainda se adaptando à nova realidade. Qual a alternativa nesse processo de transição?

“Imagine uma sala de aula com 20 a 30 alunos, entre eles um autista, um com dislexia, outro com déficit de atenção. Na maioria das vezes é um professor apenas para dar conta e ele ainda nem foi capacitado para isso. É um desafio que as escolas ainda estão se preparando para dar conta”, diz a psicopedagoga Ivone dos Reis.

Como qualquer criança ou adolescente com dificuldades nas tarefas, o reforço escolar é, há anos, uma eficiente alternativa encontrada pelos pais. Além de mais horas de dedicação, o aluno conta com uma atenção profissional individualizada e focada em trabalhar os pontos ainda pouco desenvolvidos. A ajuda se torna essencial quando o aluno tem algum fator que dificulte o aprendizado.

“A criança com deficiência tem uma maneira particular de ver o mundo e precisa de técnicas e dinâmicas adequada para estimular seu aprendizado. É importante ela ir para a escola, mas ela precisa também conseguir acompanhar o ritmo para se sentir confiante, feliz e não sofrer porque está ‘ficando para trás”.


A psicopedagogo Ivone dos Reis coordena o Centro Pedagógico de Estudo Dirigido (Ceped)

Diante disso, Ivone desenvolveu um projeto multidisciplinar de ensino que hoje se tornou o Centro Pedagógico de Estudo Dirigido (Ceped). É um reforço escolar que vai além das tarefas de casa. Os alunos contam com terapia ocupacional, gincanas e aulas lúdicas para estimular o aprendizado e socialização .

Os estudantes contam com psicopedagogos, professores, fisioterapeutas, intérpretes de libras e outros profissionais, além de um monitor para cada cinco estudantes. “Recebemos crianças com autismo, dislexia, déficit de atenção, entre outras dificuldades. Focamos muito no comportamento, autoconfiança e autoestima delas. Todo mundo é capaz de aprender. Às vezes, para ela, é mais fácil entender matemática cozinhando, ou brincando com palitos, por exemplo, algo prático, do dia a dia”.

Aos 13 anos, Paulo, filho da fisioterapeuta Anne Ingrid Albuquerque não conseguia ler, escrever e pouco falava. A dificuldade em acompanhar o colégio convencional repercutia diretamente na forma de agir dele, cada vez mais agressiva e isolada.

“Por ele ser autista, já tive preocupação de procurar uma escola mais preparada, mas nem particular, nem pública, atendeu às necessidades. No Ceped, além de se alfabetizar, ele aprendeu a se comportar em casa, na rua, no trato com as pessoas, está mais equilibrado. O resultado foi tão positivo que ele saiu da escola e ficou só lá”.

Mãe de Mateus, 9, e João Vitor, 10, Roselene Amaral ressalta que, além das notas, o ensino dirigido muda a forma de a criança ver a escola e se relacionar com o mundo.

“O Mateus tem dislexia e, embora a escola já faça atividades direcionadas a ele, como prova oral, por exemplo, ele se sentia inferior por não conseguir fazer as tarefas na escola junto com os colegas. Depois da educação dirigida, ele parou de falar que não consegue aprender, está mais otimista, maduro. Entendeu que sua forma de absorver conteúdo é diferente, em outro ritmo, por etapas. O irmão, José, também vai para as aulas, apesar de não ter a mesma necessidade, pois ler e escrever bem. Valorizar o potencial da criança é o ponto fundamental desse trabalho e por isso os resultados são maravilhosos”.


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