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Região Norte lidera ranking proporcional de trabalho infantil, aponta pesquisa

Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) mostrou que região concentra maior taxa de ocupação de jovens entre 5 e 13 anos de idade 29/11/2017 às 19:50
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Foto: Arquivo/AC
acritica.com Manaus (AM)

A região Norte lidera o ranking proporcional de trabalho infantil, revelou a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgada nesta quarta-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

De acordo com a pesquisa, que investigou, em 2016, informações sobre as atividades econômicas, escolares e domésticas realizadas por crianças de 5 a 17 anos de idade no País, a região Norte registrou a maior proporção de trabalho infantil a ser erradicado, isto é, aquele de 5 a 13 anos de idade, com um nível de ocupação da ordem de 1,5%, o que representa um universo de aproximadamente 47 mil crianças. Em seguida vem a região Nordeste, com 1,0% de ocupação (aproximadamente 79 mil crianças).

Já o trabalho entre os adolescentes de 14 a 17 anos foi proporcionalmente maior na região Sul, representando 16,6% da população desse grupo de idade na região.

No Brasil, segundo dados da PNAD Contínua, de um total de 40,1 milhões de crianças de 5 a 17 anos, 1,8 milhão estava ocupada na semana de referência da pesquisa, ou seja, o nível de ocupação dessa população foi de 4,6%, majoritariamente concentrado no grupo de 14 a 17 anos de idade. Dentre as crianças de 5 a 9 anos de idade, 0,2% (aproximadamente 30 mil) encontrava-se ocupada em 2016, enquanto no grupo de 10 a 13 essa proporção era de 1,3% (aproximadamente 160 mil crianças). De 14 ou 15 anos de idade, 6,4% das crianças estavam ocupadas e, de 16 ou 17, 17,0%

Trabalho no campo

A região Norte também apresentou os maiores percentuais de crianças realizando trabalho na produção rural para o próprio consumo: 3,4% das pessoas entre 5 e 17 anos. Quando consideramos a faixa etária dos 5 aos 13 anos, a taxa é de 2,3%, mas para a população dos 14 aos 17 anos esse índice salta para 5,9%. Em média, essa população ocupou 6,4 horas realizando essas atividades.

Mais uma vez, a região é seguida pelo Nordeste em taxas proporcionais. As Regiões Centro-Oeste e Sudeste têm relativamente menos pessoas desse grupo realizando esse tipo de trabalho.

Trabalho doméstico

Tarefas domésticas pesadas e cuidados com irmãos e irmãs menores em casa, sem que lhes seja garantido, por exemplo, tempo para os estudos ou brincadeiras, também compõem uma definição mais ampla de trabalho infantil, dado que essas tarefas podem estar em conflito com a educação formal, ou sendo executadas em horário prolongado, ou ainda sob condições perigosas.

Quando o assunto são os afazeres domésticos, as regiões Centro-Oeste e Sul apresentam os percentuais mais elevados. Na região Norte, as crianças e adolescentes de 5 a 17 anos que estavam realizando atividades domésticas ocupavam, em média, 8,4 horas diárias com os afazeres.

Impacto na educação

A PNAD Contínua também revelou o que o IBGE classifica como “efeitos perversos” do trabalho infantil,   destacando os prejuízos à educação, seja pela entrada tardia na escola e pela evasão escolar ou pelas enfermidades contraídas em função do trabalho realizado.

Em média, no Brasil, 81,4% das crianças ocupadas frequentavam escola em 2016. A desagregação por grupos de idade mostrou que 98,4% das crianças de 5 a 13 que se encontravam ocupadas frequentavam escola; no grupo de 14 a 17, essa proporção foi de 79,5%, revelando uma tendência de afastamento das salas de aula.

Das pessoas de 5 a 17 anos ocupadas que frequentavam escola, 94,8% estudavam na rede pública, enquanto 5,2%, na rede privada. No Amazonas, essas taxas correspondem a 98% e 2%, respectivamente.

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