Publicidade
Cotidiano
EDUCAÇÃO

Regionalizar merenda escolar conforme cada comunidade indígena é objetivo de encontro

Representantes indígenas e da Educação debatem formas de levar alimentos a estudantes de acordo com os costumes tradicionais deles 06/12/2017 às 13:09
Show 4da1aa07 f949 49d9 ba95 3d64ab7eb1ca
Foto: Euzivaldo Queiroz
Álik Menezes

Regionalizar a merenda escolar indígena conforme cada comunidade, respeitando a cultura, os costumes e os alimentos tradicionais de cada povo e ainda garantindo incentivos aos produtores locais, a qualidade da comida oferecida aos estudantes e facilitando o transporte dos itens alimentícios às escolas para reduzir custos.

Esse é um dos pontos debatidos durante o 1º Encontro de Alimentação Escolar Indígena, que começou na manhã desta quarta-feira (6), em Manaus, no Centro de Formação Padre José de Anchieta (Cepan), na rua Waldomiro Lustoza, no Japiim. A Secretaria de Estado de Educação (Seduc) participa do evento.

O objetivo maior do encontro é debater os avanços e os desafios na alimentação escolar indígena e o direito à segurança alimentar e nutricional dos povos. Representantes de comunidades indígenas de municípios do interior do Amazonas, da Seduc, do Ministério Público Federal (MPF) e do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) participam do encontro.

A secretária executiva adjunta pedagógica da Seduc, Luciana Cáuper, destacou a importância e os objetivos do evento. Segundo ela, a partir das discussões será possível servir uma alimentação com melhor qualidade, reduzir custos e incentivar a produção de comunidades indígenas de cidades do interior.

“Essa parceria com essas instituições é muito importante. A gente vai discutir a regionalização dessa merenda escolar indígena. Nós temos merenda de qualidade, mas precisamos melhorar ainda mais, nós precisamos regionalizar. Nós vamos discutir meios de desburocratizar um pouco o processo de compra e como essa merenda vai chegar às comunidades. Hoje esse alimento vai de balsa da capital para os interiores. Regionalizando, vamos reduzir gastos e ter produtos produzidos na própria região respeitando a cultura e tradição de cada etnia”, disse.

Atualmente, o transporte do alimento é feito de balsa, pelo menos quatro vezes por ano. Segundo Marenildo, presidente da Comissão de Chamada Pública e Logística da Seduc, se as compras foram regionalizadas, o estado vai reduzir recursos e vai incentivar a produção rural de indígenas.

“Hoje nossa logística manda o alimento de balsa, quatro vezes por ano, e temos que ter cuidado de não mandar alimento perto do vencimento, que às vezes acontece de chegar lá próximo de vencer. Se esse processo for modificado, a compra vai ser feita lá mesmo na comunidade. O pai do aluno vai poder vender para a Seduc o alimento que o filho dele vai comer. O alimento vai ser de melhor qualidade porque não passou por um longo processo para chegar ao destino final”, disse.

Marta Riá Vieira, 40, indígena tuxaua da comunidade Iacang, no município de Barreirinha, comemorou a discussão do tema. “A alimentação das nossas crianças deve ser respeitada e esse tipo de evento fortalece os direitos dos povos indígenas”, disse. O evento encerra nesta quinta (7) e os pontos discutidos serão reunidos para direcionar as próximas reuniões em torno do tema.

Publicidade
Publicidade