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Renúncia de Hissa Abrahão no próximo dia 31 deixa Manaus sem figura oficial de vice-prefeito

Eleito deputado federal após a frustrada tentativa de se viabilizar na disputa pelo governo, o político do PPS irá renunciar no último dia deste mês 04/01/2015 às 20:59
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Hissa Abrahão chegou declarar em sua campanha para deputado estadual: 'me arrependo de ter sido vice de Artur'
Raphael Lobato Manaus (AM)

Na metade do mandato, o prefeito Artur Neto (PSDB) irá iniciar este penúltimo ano de gestão antes das eleições de 2016 sem a figura de um vice-prefeito. Eleito deputado federal após a frustrada tentativa de se viabilizar na disputa pelo governo, Hissa Abrahão (PPS) irá renunciar no dia 31 deste mês, encerrando o conturbado período ao lado do tucano.

Apesar de ter sido eleito presidente da Câmara Municipal de Manaus (CMM) sob a promessa de preencher a figura do vice, o vereador Wilker Barreto (PHS) só poderá despachar efetivamente como prefeito nas ausências de Artur. Aliados do prefeito, no entanto, avaliam que Artur deverá aproximar Wilker da gestão para evitar desgaste com ausência de um vice.

Hissa exerceu plenamente apenas alguns meses dos quatro anos de mandato. Nomeado no início da gestão para comandar Infraestrutura (Seminf), o socialista, em julho de 2013, deflagrou o início da sequência de desavenças públicas com o prefeito tucano sinalizando sua candidatura ao governo em um inesperado pronunciamento na Câmara Municipal de Manaus (CMM).

A partir de então, Artur passou a externar a insatisfação com a vontade de seu vice até que, convencido de que não haveria recuos, exonerou Abrahão da pasta junto à leva de secretários que entrariam em campanha, em dezembro do mesmo ano. As circunstâncias da demissão, em uma rádio e sob ataques de “imaturidade”, oficializaram a quebra de relações entre prefeito e vice.

Fora dos planos de campanha do PSDB, Hissa viu na aliança nacional que se formava entre PSB e PPS em junho de 2014 a chance de ser apoiado pelo partido do clã Serafim. Na investida, defendeu o apoio a “quem estava melhor nas pesquisas”, mas não conseguiu evitar que Marcelo Ramos conquistasse o decisivo aval da então presidenciável Marina Silva para entrar na disputa.

Novamente descartado, restou a Abrahão integrar o grupo de pré-candidatos que desistiram da disputa e foram absorvidos pelas coalizões do PMDB e do Pros. Hissa se lançou candidato a deputado federal aliado ao grupo do ministro peemedebista Eduardo Braga, o que lhe custou o distanciamento do discurso da “renovação” e o engajamento na campanha de Marina.

À essa altura, Hissa já colecionava ataques ao prefeito, tendo chegado a declarar, durante a campanha, que “me arrependo de ter sido vice de Artur”. Em contrapartida, a aliança com Braga e a vitória lhe renderam integrar os possíveis nomes que poderão ser apoiados pelo ministro na disputa contra a reeleição de Artur, em 2016.

Gabinete extinto

A renúncia de Hissa só deverá ser formalizada no fim deste mês, mas, na Prefeitura, o gabinete do vice já foi extinto e esvaziado de servidores há pelo menos dois meses.

Com o aval do próprio Hissa, o espaço no primeiro andar do Palácio da Compensa, ao lado do gabinete de Artur, foi cedido para abrigar a equipe do titular de Finanças (Semef), Ulisses Tapajós. 

“As intalações da Semef têm mais de vinte anos, então, decidimos reformá-las, aproveitando recursos obtidos por meio do BNDES que irão fazer da Semef uma das cinco melhores do País. Em uma conversa com o vice-prefeito, ele nos disponibilizou o espaço, muito gentilmente. O gabinete foi desmontado”, disse neste domingo (4), Ulisses Tapajós, por telefone, a A CRÍTICA. 

O secretário de governo (Semgov), Márcio Noronha, informou que o gabinete tem duas salas e um espaço para reuniões. Ele não soube precisar a quantidade de assessores que integravam a equipe de Hissa. Segundo ele, o destino do espaço só será avaliado após a renúncia. “Não temos planos para o gabinete.  Até porque ele ainda está em mandato”, disse.

Declaração

“Alívio! Eu deixo finalmente a Prefeitura com sentimento de alívio. Ao longo de todo esse processo, fui desrespeitado, fui humilhado, sem merecer passar por nada disso. O interessante nessa história é que eu contribuí imensamente para que o Artur pudesse sentar nessa cadeira. Já no início desta semana vou agilizar as papeladas da renúncia junto aos meus advogados. Agora, vou poder prosseguir de forma ética, coerente, poderei continuar trabalhando por Manaus e pelo Amazonas. Tem gente que precisa diminuir a nossa capacidade e humilhar os outros pra se sentir grande. Eu não. Agora tenho total liberdade para agir com autonomia, austeridade, garra e força. O marcante de tudo isso é que no dia 31 de janeiro, quando irei renunciar, será o dia do aniversário do meu pai. Ele, com certeza sabe de tudo o que eu passei. Não houve tentativa só de me isolar, tentaram me destruir mesmo. E essa vontade dura até hoje. Porém eu continuo firme e cada vez mais forte. Enquanto estive como vice, não fui informado das vezes em que precisaria assumir, mas continuei atendendo a população, as pessoas que me procuravam. Depois das eleições, no entanto, isso diminuiu porque as pessoas passaram a me procurar como deputado federal. Em Brasília, quero trabalhar fiscalizando, vou ser um vigilante das ações do governo federal” - Hissa Abrahão, vice-prefeito pelo PPS, eleito deputado federal.

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