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Cotidiano
restauração

Resgate do patrimônio histórico é missão do ateliê da SEC

Desde 1997, quando foi criado, o Ateliê de Restauro da Secretaria de Estado de Cultura é um dos principais responsáveis pela recuperação de bens móveis e imóveis antigos do Amazonas 17/04/2016 às 14:21
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O trabalho dos restauradores é minucioso e árduo ao mesmo tempo: alguns restauros levam meses ou anos (Divulgação)
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O ambiente é igual ao de um monastério. Em silêncio, o trabalho é minucioso e árduo. É possível que se ouça até mesmo o som de uma agulha caindo ao chão. Lupas, bisturis e pincéis ficam lado a lado com os livros numa grande mesa, para que se visitem as técnicas a serem usadas naquela peça. Mais tarde, ela voltará a ser exposta para que a população possa apreciá-la. Mas o que poucos sabem é que, por trás daquela exposição, uma equipe trabalhou incessantemente para que essa peça voltasse a ter o seu esplendor original.

O responsável por tudo isso é o Ateliê de Restauro da Secretaria de Estado de Cultura (SEC). Criado no ano de 1997, por iniciativa do secretário de Estado de Cultura, Robério Braga, e atualmente vinculado ao Departamento de Patrimônio Histórico, o Ateliê é um dos principais responsáveis pelo trabalho de restauro de grande parte de bens móveis e imóveis antigos em todo o Estado do Amazonas, tanto públicos como privados, já tendo restaurado pouco mais de 1400 peças, entre bens móveis e imóveis.

Dentro do Departamento do Patrimônio Histórico e do Ateliê de Restauro nasceram projetos como o Manaus Belle Époque, com o objetivo de trazer à forma original várias edificações importantes do Estado, valorizando, ao mesmo tempo, os seus entornos. A primeira construção a ser contemplada foi o Palácio Rio Negro. Logo após a restauração do entorno do Palácio, veio a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição e o entorno do Teatro Amazonas, criando o espaço que hoje se conhece como Largo de São Sebastião. Além de tudo isso, o setor ainda tem muitas contribuições em execução para a preservação do patrimônio histórico e cultural do Amazonas.

História

O Ateliê iniciou suas atividades no início do ano de 1997 e logo foi montada uma equipe para catalogar todas as obras móveis e imóveis que estavam espalhadas e até mesmo sumidas. Ao mesmo tempo, houve a capacitação específica do corpo técnico do setor, numa parceria entre a Secretaria de Cultura e a Fundação Getúlio Vargas - ISAE. A Oficina de Restauração, realizada em 1997, também foi aberta ao público, ministrada por profissionais com experiência na área de restauro de bens móveis e imóveis.

Ao mesmo tempo em que era concebido o Manaus Belle Époque, outra equipe começava a trabalhar com os acervos da Pinacoteca do Estado do Amazonas. Para isso, foram necessárias diversas consultorias presenciais com profissionais do Rio de Janeiro e São Paulo. A primeira consultoria foi com a renomada restauradora Florence Maria White, que ensinou os primeiros passos na conservação, manuseio e procedimentos usados no restauro de uma tela a óleo.

Em seguida, o Ateliê e a Pinacoteca receberam a consultoria de Edson Motta Júnior, um dos mais reconhecidos restauradores do Brasil, formado pela Escola Nacional de Belas Artes, do Rio de Janeiro. Foi com o auxílio de Motta que o Ateliê deu os primeiros passos na intervenção de restauro, com a tela “O Banho de Ceci”, de Aurélio de Figueiredo, datada do início do século XX. “Essa foi a primeira consultoria que nós vimos o resultado prático. Para o período em que estávamos vivendo, a mais importante. Era o início de uma grande jornada”, afirma Judeth Costa, atual gerente do Ateliê de Restauro.

Reforço de um ‘time’ de italianos

O ano de 2001 foi fundamental para o Ateliê. Os integrantes do setor passaram pela oficina “Iniciação das Técnicas de Investigação Cientifica”, ministrada pelos profissionais italianos Paola Bracco e Carlo Lalli, ao mesmo tempo em que aconteciam os restauros da Catedral de Nossa Senhora da Conceição, a Igreja Matriz.

Em 2005, o Ateliê de Restauro passou a executar mais um projeto: a restauração de peças arqueológicas. Junto com o restauro das peças, que estavam no Centro Cultural dos Povos da Amazônia, havia também a tarefa de realizar o restauro de esculturas em ferro fundido presentes no complexo que abrange as praças Heliodoro Balbi e Roosevelt.

Para isso, o Ateliê contou com o auxílio de três especialistas italianos: Nicola Salvioli, especialista em pétreos e metais; Elena Funghini, especialista em cerâmica arqueológica; e Carlo Lalli, químico e biólogo. “Para este momento aproveitamos a presença dos especialistas para capacitar também os profissionais que trabalham nos espaços que pertencem à Secretaria, como Centro Cultural Palácio Rio Negro, Teatro Amazonas e outros” conta Judeth Costa, gerente do Ateliê de Restauro.

Bebedouro histórico recuperado

Entre os trabalhos realizados pelo Ateliê está a restauração de um bebedouro de fabricação inglesa do século XIX, confeccionado em ferro fundido, pertencente ao Município de Humaitá, localizado no Sul do Amazonas, a 675 quilômetros de Manaus. O bebedouro estava presente na Praça Benjamin Constant, no centro do município, e com o tempo, entrara num estado avançado de corrosão.

A restauração da peça começou em agosto de 2013, com os processos de registro e mapeamento de danos, necessário para avaliar o real estado da peça e o que será feito no processo de restauro. “A partir disso, passamos para os processos de decapagem, jateamento, proteção com ácido tânico, proteção com um verniz especial para ferro e a pintura final, de cinza-escuro e dourado, uma característica bem inglesa”, salienta.

O Ateliê ainda deu um toque especial à peça. Única do gênero em todo o País, esta carrega na sua frente, no alto, a bandeira do Brasil. “Nós a cromatizamos nas suas cores, porém suavemente. A peça ficou valorizada e com simbolismo todo próprio, uma vez que os bebedouros desse tipo, que existem no mundo, carregam a imagem da Rainha Vitória. O nosso leva a nossa bandeira”.

Para o aniversário de 120 anos do Teatro Amazonas, o Ateliê está trabalhando na restauração de uma pintura sobre tela, duas escarradeiras de porcelana e um vaso de alabastro, peças que integram o acervo da casa de espetáculos. Além de trabalhar na conservação de elementos do Salão Nobre.

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