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Resíduos eletrônicos viram arte nas mãos de parintinense

Denizal Melo, 42, se inspira em figuras regionais para criar esculturas a partir de materiais que seriam descartados no meio ambiente 14/06/2015 às 15:07
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O parintinense Denizal Melo mostra uma pequena parte do seu acervo de esculturas produzidas a partir do lixo eletrônico
Oswaldo Neto Manaus (AM)

Placas-mães de computadores, CDs, peças de motos e carros ou qualquer tipo de material com pouca utilidade após o abandono se transforma em arte nas mãos do parintinense Denizal Melo, 42. Com resíduos tecnológicos, ele usa a criatividade para criar obras como uma miniatura da Arena da Amazônia, animais e até mesmo um robô do tamanho de um ser humano.

A “terapia”, conforme ele mesmo denomina, nasceu há três anos. Naquela época, Denizal conta que trabalhava como motorista em uma loja de informática, local que fez despertar nele o interesse por um curioso tipo de material: o lixo eletrônico. “O meu hobby é moto, então comecei a guardar essas peças da loja e fazer motos para decorar aqui. Eu não queria mostrar pra ninguém... Tinha vergonha. Depois que a minha mulher jogou na Internet, isso aqui virou uma terapia pra mim”, conta.

Desde então, Denizal vem montando e desmontado freneneticamente, o que fez o artista atingir recentemente a marca de 300 esculturas. Algumas obras produzidas por ele ficam expostas em sua residência, no conjunto Canaranas 2, bairro Cidade Nova, Zona Norte, e também são levadas para exibições em feiras. Outras, conforme ele conta, são vendidas a um público específico. Ele desabafa sobre o cenário oferecido aos artistas locais. “Posso dizer que o meu maior público é de fora. Já vendi mais de 200 peças no Brasil e também para a Austrália e Estados Unidos. Aqui é muito difícil mostrar, a maioria das feiras prefere chamar gente de outros locais ao povo do Amazonas. O meu maior sonho é ter uma galeria onde eu possa produzir”.

Criações

Apesar de soltar a imaginação nas invenções, Denizal não deixa de se inspirar em ícones da Amazônia para compor suas criações. O maior e considerado o mais trabalhoso por ele é a reprodução do estádio Arena da Amazônia.

O tempo de confecção da escultura durou cerca de três meses, onde foram utilizadas telas de LCD para fazer a cobertura da arena, seis placas-mães que reproduzem o gramado, 70 memórias de notebook para a arquibancada, além de fios de LED, que lembram as luzes do campo de futebol.

Além da Arena, destaca-se em seu grandioso catálogo a confecção de um robô, chamado de “DAE-R2”. Com quase 1 metro e 70 centímetros de altura, o robô, construído com peças de carro, pronuncia diversas frases por meio de um alarme de moto e é uma das atrações da galeria improvisada do artista. “Quanto mais eu vou pegando peças mais eu tenho ideias”, conta.

Descarte correto

De acordo com Denizal, embora alguns resíduos eletrônicos ofereçam riscos por terem um grande grau de toxinas, ele defende a possibilidade das peças servirem como decoração. Isso porque ele explica que o perigo oferecido por elas pode ser menor do que o de aparelhos usados no dia a dia. “É lógico que não pode colocar na boca, por exemplo, mas é menos nocivo que o celular que você tem, onde a carga é perigosa para saúde e pode causar câncer”, alega. Para promover esse tipo de discussão, Denizal participa de palestras em escolas e faculdades da capital sobre o uso correto desse tipo de material, além de incentivar a prática da reciclagem e do artesanato. “É muito importante falar pra todo mundo que essas coisas não podem ser jogadas no lixo comum. Esse material pode afetar nossos lençóis freáticos e trazer riscos no futuro. Com o meu trabalho eu tento motivar as pessoas a reciclarem e a criarem”.

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