Quinta-feira, 02 de Julho de 2020
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Resistência da inflação e juros em alta causam cenário negativo para a Zona Franca de Manaus

Com inflação de 6,41% ano ano, e juros básicos de 11,75%, a economia tem como desafio crescer ou, pelo menos, manter os números de 2014



1.jpg Lideranças da Zona Franca avaliam que, se números de 2015 pelo menos igualarem os de 2014, será grande conquista
14/01/2015 às 09:54

A resistência da inflação – que ainda não deu sinais de recuo – e a expectativa de novas elevações nos juros criam um cenário negativo para a indústria como um todo, em especial para a Zona Franca de Manaus. Com inflação de 6,41% ano ano, e juros básicos de 11,75%, a economia tem como desafio crescer ou, pelo menos, manter os números de 2014. Logo na posse, o novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, falou em ajustes de alguns tributos. Com isso a tendência é que os impactos sejam sentidos não apenas pela indústria ou comércio, mas principalmente pelos consumidores.

O professor de economia Silvio Puga, da Faculdade de Estudos Sociais da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), explica que a taxa Selic elevada pressiona os preços na economia para inibir o consumo, o que é natural no contexto econômico brasileiro. “A elevação, tornará o crédito mais caro e, portanto, inibirá o consumo. A queda no consumo é uma das formas de se conter a inflação, estimada em 2015 para 4,5%, pelo Banco Central do Brasil”. De acordo com Puga essa inibição será refletida no PIB nos níveis Nacional, Estadual e Municipal.



Esse impacto, de acordo com a economista Denise Kassama, na prática, vai retrair o mercado, uma vez que o consumo diminuirá e isso poderá causar uma recessão na indústria semelhante à que está acontecendo em fábricas do ABC paulista. “Sempre que a Selic eleva, ela tende a segurar o consumo porque cresce o padrão de juros praticado no mercado. A meta do governo é segurar o consumo. Nesse sentido, se houver menos consumo, terá menos produção e menos emprego e o impacto na ZFM será muito forte”, avalia.

Política econômica

Kassama explicou que será necessário que o governo trabalhe políticas que evitem uma recessão no País. O presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, disse que 2015 será um ano difícil. “Não tem nada que não leve a enxergar 2015 com um ano melhor que 2014, porque você não vê nenhuma medida efetiva do governo de aumentar a produtividade da indústria local e isso aqui é muito importante porque acaba sendo uma movimentação sócioeconômica”.

Na avaliação de Périco, a política adotada pelo governo reduz a competitividade, mas é uma estratégia para equilibrar as contas e retomar o crescimento, embora ele acredite que a preocupação maior seja “aumentar a arrecadação e não o crescimento da indústria”.

Essa intenção ficou clara no discurso inicial do ministro e Joaquim Levy e nas medidas já anunciadas pelo Governo.

Objetivo é restaurar a confiança

O secretário de Estado da Fazenda do Amazonas, Afonso Lobo, explica que o aumento da taxa de juros e reajuste de impostos é uma forma de restaurar a confiança dos investidores, que atualmente estão céticos com o mercado. Por outro lado, essas medidas têm consequências.

“Quando se aumenta juros e impostos, uma das consequências é que diminuem os recursos para a atividade econômica em geral”, analisa.

A estratégia para que a arrecadação em 2015 não sofra tanto com a diminuição dos recursos é “melhorar a nossa máquina de arrecadação tributária, tornando-a mais eficiente”. Lobo disse ainda que caso a confiança dos investidores aumente, a economia pode ter uma melhor performance no segundo semestre de 2015.


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