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Cotidiano
TRÂNSITO

Resolução do Contran vai padronizar os semáforos com sinais sonoros

Medida do Conselho Nacional de Trânsito vai beneficiar um universo aproximado de quase 50 mil cegos no Amazonas. Órgãos têm até 2020 para se adequar à norma 24/11/2017 às 21:52 - Atualizado em 25/11/2017 às 09:05
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Carlos Pereira, fundador e ex-presidente da União dos Deficientes Visuais de Manaus, mostrou as dificuldades que se é atravessar vias com e sem semáforos com sinais sonoros / Fotos: Jair Araújo
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Os semáforos com sinais sonoros destinados a pessoas com deficiência visual serão padronizados em todo o País, seguindo a resolução nº 704 de 10 de outubro deste ano do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). A medida vai beneficiar um universo aproximado de quase 50 mil cegos no Amazonas e tem data limite para os órgãos de trânsito se adequarem: 1º de janeiro de 2020.

Uma das mudanças principais é que, a partir de agora, haverá a identificação dos equipamentos com sinalização em braile e alerta com mensagem verbal de indicação para orientar o pedestre, ao invés de apenas emitir um sinal quando o semáforo está vermelho.

Segundo o Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização de Trânsito (Manaustrans) em Manaus existem um total de 12 semáforos sonoros instalados na capital amazonense. “No total, em toda a cidade, são 250 cruzamentos com semáforos”, informou a assessoria de comunicação do órgão municipal.

A reportagem encaminhou ao órgão questionamentos sobre quanto custam para o erário público os semáforos locais, mas não obteve essa resposta. Sobre as datas previstas para instalação, o Manaustrans informou que fará as devidas adequações às sinalizações,  de acordo com os prazos estabelecidos na resolução do Contran. 
Para especialistas em trânsito, os equipamentos não auxiliam apenas a cegos ou quem tem baixa visão, mas também são importantes para pedestres distraídos e idosos, ao passo que,somados sinalização visual e alerta sonoro, é possível melhorar a segurança de todos.

Manaustrans

A reportagem de A CRÍTICA acompanhou o deficientes visual Carlos Pereira da Silva, o Carlão, de 70 anos, atravessando em duas vias de alta velocidade onde há semaforos sonoros e em uma na qual não existe o equipamento. Em todos os três locais ele teve dificuldade para atravessar.

No primeiro semáforo, localizado na avenida Mário Ypiranga, em Adrianópolis, Zona Centro-Sul, em frente à Secretaria de Estado da Pessoa com Deficiência (Seped), o mais difícil foi ter paciência para o sinal abrir para os pedestres.

Na segunda, via, a Djalma Batista, em frente ao Plaza Shopping, não havia piso tátil, rampa e Carlos quase caiu ao atravessar por deparar-se com o meio-fio. Outro problema foi que o botão do semáforo, no sentido Centro-Bairro, fica em difícil visualização. 

O terceiro local foi um verdadeiro desafio por ser um local onde não há semáforo sonoro: a via tripla da avenida Constantino Nery, no trecho em frente à Arenda Amazônia e o ginásio poliesportivo: duas das três vias têm rampa, mas uma delas tem dois blocos de concreto dificultando a travessia. Além disso, a houve a habitual tensão de clamar, com a bengala, para que os veículos parassem para ele.

“Quando não há semáforo temos que esperar para os carros pararem. Alguns deles só pararam porque viram a reportagem. Quando eu quero atravessar a rua, se não há uma faixa de segurança de pedestre, tenho que pedir auxílio a alguém. A cidade de Manaus não é provida de sinalização para cegos. Ainda falta muito. Falta acessibilidade para nós, as calçadas são altas e baixas e não há um padrão”, disse Carlos, fundador e ex-presidente da União dos Deficientes Visuais de Manaus (Udevima).

Tendência é subir no ranking mundial

Não é apenas a categoria das pessoas com deficiência em todo território brasileiro que tem a comemorar com o anúncio da nova legislação dos semáforos sonoros pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran). É que a tendência é que, com a novidade, o Brasil suba de posição no ranking do Social Progress Imperative (SPI), índice que avalia o progresso social em todos os continentes do Planeta.

Hoje, o país sul-americano ocupa a 43º colocação na lista, que tem como líderes a Dinamarca, a Finlândia e a Islândia, respectivamente.

Resolução reforça Lei da Inclusão

Para o especialista   em orientação e mobilidade da Associação Brasileira de Assistência à Pessoa com Deficiência Visual (Laramara), João Felippe, a norma reforça os direitos previstos na Lei Brasileira de Inclusão.

“A falta de estrutura das cidades sempre foi o impeditivo para propiciar um contexto favorável no processo de inclusão e participação social. A nova regulamentação é com certeza um avanço importante para a sociedade”. 

Em São Paulo, onde a tecnologia está entre as mais difusas do País, existem apenas oito semáforos acessíveis para atender cerca de 2,7 milhões de pessoas com deficiência visual. Dos poucos recursos instalados, a maioria está na região do Aeroporto de Congonhas e próximo às instituições assistenciais, como a Laramara, porém nem todos funcionam plenamente.
Na rua Vergueiro, em frente ao Centro Cultural São Paulo – onde há um dos maiores acervos em Braille da capital -, o equipamento opera parcialmente. No cruzamento da rua Conselheiro Brotero com Brigadeiro Galvão, o sinal foi vandalizado e sem manutenção desde 2016”, diz a entidade.

Frase

Essa nova determinação do Contran vem tarde, mas dá autonomia para nós na acessibilidade”

Carlos Pereira da Silva, 70, que tem deficiência visual

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