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Cotidiano
VOLTANDO AO INTERIOR

Restaurado e simbólico, histórico bebedouro de Humaitá volta à sua cidade natal

Monumento escocês do final do século 19 foi recuperado pelo Ateliê de Restauro da Secretaria de Estado da Cultura e entregue nesta terça-feira no Palacete Provincial; obra é única e traz bandeira do Brasil 06/04/2016 às 11:07
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O secretário de Cultura de Humaitá, Ronald Nogueira, a gerente do Ateliê de Restauro Judeth Costa e a diretora de Restauração Regina Lobato, participaram da cerimônia
Paulo André Nunes Manaus (AM)

O próximo dia 15 de maio será de festa no Municipio de Humaitá (a 675 quilômetros de Manaus). Na data em que completará 147 anos de fundação, a cidade do Sul do Amazonas vai reinaugurar um dos seus mais históricos símbolos: o bebedouro de fabricação escocesa datado do final do século 19 e que foi restaurado pelo Ateliê de Restauro da Secretaria de Estado de Cultura (SEC). A entrega do monumento aconteceu no Palacete Provincial, localizado na Praça Heliodoro Balbi, Centro, nesta terça-feira (5).

A obra foi fabricada pela empresa inglesa Walter MacFarlane em comemoração ao Jubileu de Diamante do reinado da Rainha Vitória I do Reino Unido, comemorado em 1897.

Curiosamente, a MacFarlane também produziu outros monumentos importantes e que são considerados patrimônios históricos de Manaus, como o famoso chafariz da Praça 15 de Novembro (também chamada de Praça da Matriz e que hoje encontra-se em reforma por parte da Prefeitura de Manaus), o Mercado Adolpho Lisboa e a escadaria da Biblioteca Pública do Estado.

“Esse monumento é muito precioso. Pelos estudos que fizemos antes de restaurá-lo, no levantamento histórico iconográfico descobrimos que ele é único no Brasil. A diferença é que os existentes na Inglaterra, Estados Unidos ou na Escócia sempre têm a figura da Rainha Vitória. O nosso tem a bandeira do Brasil. Isso é muito significativo, veio especialmente para o nosso País”, destaca Judeth Costa, gerente do Ateliê de Restauro.

Em Humaitá, o monumento restaurado ficará novamente no seu local de antigamente: a Praça Benjamin Constant, centro da cidade. A população da cidade não conhecia a obra como bebedouro, sua real nomenclatura, mas sim como um chafariz.

“Contar novamente com esse bebedouro é um orgulho para toda a sociedade humaitaense. Por ser um município do extremo do Sul do Amazonas sempre nos sentimos esquecidos. Agradecemos ao Governo do Amazonas por essa restauração pois esse monumento há mais de 100 anos faz parte da história da nossa cidade. Ainda da época de Álvaro Maia (ex-governador do Amazonas), Alcântara Bacelar, Plínio Ramos Coelho, Ferreira de Castro que escreveu o livro ‘A Selva’, este bebedouro já estava presente”, contou Ronald Nogueira Siqueira, secretário de Cultura de Humaitá.     

O motivo de um monumento único no Brasil como esse ter ido parar naquela cidade do interior do interior do Estado é uma incógnita até para o departamento de Patrimônio Histórico da Secretaria de Cultura. “Fizemos uma pesquisa e não conseguimos detectar o motivo do bebedouro estar em Humaitá. Mas é uma peça catalogada, rara, bem conservada e que esperamos que eles conservem com todo carinho por muitos anos”, explica Regina Lobato, diretora do departamento.

EM NÚMEROS

2,60

Metros de altura, por 88 centímetros de largura tem o bebedouro. Confeccionado em ferro fundido, ele é composto por 4 colunas, uma bacia e uma cúpula, tendo na parte da frente a bandeira do Brasil e elementos da fauna e flora. Não há informações sobre o seu peso, nem quem o adquiriu e tampouco como foi parar no Município de Humaitá.

FRASE

“Esse monumento é único. Os existentes em outros países têm a figura da Rainha Vitória. O nosso, a bandeira do Brasil”

Judeth Costa, Gerente Ateliê de Restauro da Secretaria de Estado da Cultura (SEC)

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