Terça-feira, 29 de Setembro de 2020
EDUCAÇÃO

Retorno de atividades presenciais divide opiniões entre estudantes da Ufam

Universidade ressalta que, até o momento, nenhuma instituição federal de ensino superior retomou as atividades acadêmicas presenciais



show_998_3C93309D-CFEB-4093-9F5F-8BF80760AFEE.jpg Foto: Arquivo/A Crítica
22/07/2020 às 18:03

O retorno das atividades presenciais na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) tem dividido a opinião dos alunos. Enquanto uns, a maioria em período de internato, pedem maior celeridade na construção de um novo calendário acadêmico, outros pedem mais cautela para que haja um retorno seguro para os campi de Manaus e do interior. A Ufam, por sua vez, afirmou, por meio de nota divulgada nesta quarta-feira (22), que o plano de volta às atividades está integralmente voltado à vida e saúde de alunos, professores e servidores da instituição.

Conforme o estudante do sétimo período de medicina, Erick Vinícius, após semanas de debates, o protocolo de biossegurança da Ufam foi aprovado há poucos dias; mesmo assim, ainda não houve nenhuma previsão do retorno das atividades (presenciais ou virtuais), o que tem deixado os alunos finalistas ou em período do internato médico sem perspectiva quanto ao futuro profissional, mesmo que eles tenham arrecadado equipamentos de proteção individual por conta própria.



“Foi necessária a suspensão das atividades acadêmicas para não sobrecarregar o sistema de saúde do Amazonas, contudo, após a divulgação dos dados das agências sanitárias em relação a queda do número de casos, de óbitos e da ocupação hospitalar, bem como, após aprovação do protocolo de biossegurança da instituição, ainda não obtivemos nenhuma previsão do retorno das atividades”, apontou ele, que é presidente do Centro Acadêmico de Medicina.

“Não queremos um retorno inseguro e sem observar a desigualdade entre as realidades das mais diversas unidades e cursos da instituição. Desejamos, sim, maior clareza e celeridade na definição de um calendário acadêmico que atenda às necessidades e capacidades de cada uma delas - sempre, claro, respeitando a diversidade estrutural, técnica, cultural e administrativa”, ressaltou.

Para a estudante do nono período de enfermagem, Karoline Costa, as pautas que estão sendo cobradas pelos alunos finalistas não tem a ver com “um tratamento especial”, como tem sido apontado nas mídias sociais, e, sim, de aperfeiçoamento de futuros profissionais que poderiam estar atuando durante a pandemia para, assim, terem um aprendizado prático necessário para lidar com futuras crises no setor de saúde.

“Os alunos finalistas dos cursos da saúde, especialmente dos cursos de medicina, enfermagem e odontologia, possuem, nos seus últimos semestres, uma carga horária exclusiva de práticas de campo nos mais diversos cenários do serviço de saúde. A não autorização do retorno para quem não faz parte do grupo de risco causa um abarrotamento de futuros profissionais que poderiam estar ajudando no controle da pandemia e de suas consequências”, argumentou.

Interior ainda vive os impactos da pandemia

De acordo com o estudante do oitavo período de engenharia ambiental, Del Belfort de Moraes, do campus da Ufam em Humaitá (distante 696 quilômetros de Manaus), o interior do Amazonas ainda tem vivido o impacto no aumento do número de casos de Covid-19, o que torna inviável, no momento, o retorno às atividades acadêmicas presenciais.

“Os dados do Estado quanto à pandemia estão em 'declínio' devido a absurda desproporção entre o número de habitantes da capital em comparação ao interior. Em Humaitá, por exemplo, no dia 19 de junho tínhamos 445 casos confirmados de Covid-19; ontem chegamos a 1.906 casos confirmados. O crescimento da pandemia no interior está chegando agora”, pontuou.

Além disso, segundo Moraes, não há leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) suficientes no interior. 

“Em Humaitá, os casos graves são transferidos via terrestre para Porto Velho (RO) ou via aérea para Manaus. Retornar às atividades presenciais agora é pôr em risco a vida de mais de 7 mil pessoas dos cinco Institutos da Ufam do interior, que estão distantes de Manaus. Se alguém acha que vale a pena voltar às aulas presenciais sem considerar a vida dessas pessoas é porque realmente já morreu por dentro nessa pandemia”, criticou ele.

Ufam

Em resposta às demandas dos alunos finalistas, a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o plano de biossegurança, aprovado recentemente, garante máscaras aos servidores em atividades laborais e que, no momento, esse mesmo plano não disponibiliza máscaras para alunos, tendo em vista que, segundo a instituição, não há recursos oriundos do Ministério da Educação (MEC) voltados para a expansão dessa medida. 

De qualquer forma, de acordo com a universidade, o plano prevê um estudo de demanda orçamentária para esse tópico em discussão. 

Em uma breve nota divulgada na manhã desta quarta-feira (22), a Pró-Reitoria de Ensino de Graduação da Ufam informou que há uma comissão responsável pelo “planejamento responsável e técnico para apresentar uma proposta pedagógica para o retorno das atividades acadêmicas presenciais e não-presenciais”.

A nota destacou que, até o momento, nenhuma instituição federal de ensino superior retomou as atividades acadêmicas presenciais. “Tudo está sendo administrado pensando na vida e na saúde de todos os estudantes, professores e técnico-administrativos. Todos têm a mesma importância para a Ufam”, encerrou a instituição sem apontar qualquer data provável de retorno às aulas presenciais.

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Repórter do caderno Cidades do jornal A Crítica. Jornalista por formação acadêmica. Já foi revisor de texto de A Crítica por quatro anos e atuou como repórter em diversas assessorias de imprensa e publicações independentes. Também é licenciado em Letras (Língua e Literatura Portuguesa) pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

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