Domingo, 26 de Maio de 2019
NARCOTRÁFICO

Revistas em embarcações combatem transporte de drogas no Alto Rio Negro

Reportagem do Portal A Crítica acompanhou, durante dez dias, as operações montadas pelo Exército para impedir que a região conhecida como "Cabeça do Cachorro" seja dominada por carteis do tráfico



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Inspeções acontecem nos portos de SGC e em abordagem no meio do rio. Foto: Alberto Mensageiro/Divulgação
23/01/2019 às 02:59

A 2ª Brigada de Infantaria de Selva Ararigboia, de São Gabriel da Cachoeira, tem realizado dezenas de ações de combate ao narcotráfico nos rios da região. O general Omar Zendim, comandante da 2ª Brigada, adotou como estratégia a prevenção e o combate aos narcotraficantes, nos principais portos de São Gabriel, dentre eles o de Camanaus, de onde partem as grandes embarcações e lanchas rápidas com destino a Manaus.

Com uma tropa mobilizada e com cães amestrados especializados na identificação de entorpecentes, o Exército Brasileiro tem impedido que os traficantes transportem drogas pelo rio Negro em embarcações comerciais. “Nós estamos em toda a fronteira, através dos Pelotões Especial e ao longo do rio Negro e seus afluentes. Aqui em São Gabriel temos atuado tanto nos portos, como também em interceptações pelo rio, até mesmo em Santa Isabel do Rio Negro”, comentou o general Omar.

Revista rígida

Na condição de repórter tive a oportunidade de acompanhar essas operações durante dez dias e percebi que as barreiras montadas pelo Exército, para combater o narcotráfico tem surtido efeito positivo.

A criação de um “punho de ferro” fluvial na Ilha das Flores, onde um pelotão revista todas as embarcações que navegam pela área, vindo ou indo para as fronteiras com a Venezuela e Colômbia, tem afugentado os narcotraficantes e impedindo que o rio Negro seja dominado pelos cartéis estrangeiros e seus parceiros no Amazonas, como a Família do Norte (FDN), o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC).


Bagagens de barcos comerciais são cuidadosamente inspecionadas pelos militares. Foto:  Alberto Mensageiro/Divulgação

Pressão no crime

A vanguarda do Pelotão Especial de Fronteira de Cucuí tem sido determinante no combate aos cartéis internacionais da Venezuela e da Colômbia.

Localizada na tríplice fronteira, esta unidade do Exército se destaca pelas ações das operações especiais e a capacidade de reação rápida, que tem inibido os bandidos, tanto por água como por terra. 

Essa estratégia de prevenção e combate permanente fez com que a droga subisse de preço em Manaus e, praticamente, estrangulou o fluxo de drogas na região da Cabeça do Cachorro.

Ações coordenadas

Os outros seis pelotões especiais de fronteira, como São Joaquim, Maturacá, Yauaretê, Pari-Cachoeira, Tunuí e Querari, também têm agido de forma coordenada e sob a supervisão do 5º Batalhão de Infantaria de Selva, comandando pelo coronel Doktorczyk, formam um “arco de combate”, que tem impedido que garimpeiros clandestinos, narcotraficantes e contrabandistas de minérios da região, dentre eles a cobiçada Tantalita e o Nióbio, “tomem de assalto” o subsolo brasileiro, rico em minérios nobres.

Uma sofisticada estratégia de combate aos crimes transnacionais na região, se dá através das redes de inteligência formada ao longos dos rios, que formam a bacia hidrográfica do rio Negro. Mas os detalhes desta operação se mantém em sigilo, por razões de segurança de quem auxilia o Exército a manter as áreas mais isoladas do Brasil em segurança. 

Em 2018 foram aprendidas cerca de 1,5 tonelada de entorpecentes na região.

Militares indígenas: força invisível

Dominando os rios e as principais trilhas na floresta nas áreas de fronteira, os guerreiros de selva nativos, a 2ª Brigada de Infantaria de Selva, de São Gabriel da Cachoeira, no extremo Norte do Estado, conta com mais de 1800 indígenas, que representam a força invisível de combate do Exército, que tem evitado que as plantações de papoulas e os laboratórios de refino da droga se instalem no território nacional.

Tem sido uma guerra dura e difícil, porque a ausência de emprego no mercado de trabalho local, em grande escala para os jovens, faz com que os narcotraficantes recrutem indígenas e caboclos do outro lado da fronteira, para transportar a droga. Para os índios não há fronteira que separe suas origens. É  natural na região que as áreas de perambulação e caça das tribos locais estejam nos dois lados da fronteira. Isso acontece com os Kuripacos, Kubeus, Yanomami e outras etnias.


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