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Cotidiano
SEM ASSISTÊNCIA

Ribeirinhos do AM padecem com descaso e malversação do dinheiro público

Apesar de viverem próximo a Manaus e Iranduba, moradores de três comunidades sofrem com problemas crônicos de saúde, educação e telefonia 20/03/2017 às 05:00
Janaína Andrade Manaus (AM)

A dificuldade enfrentada pelas comunidades ribeirinhas Santa Helena do Inglês, Nossa Senhora do Perpetuo Socorro, Saracá, localizadas no município de Iranduba (a 27 quilômetros de Manaus), traduzem os prejuízos causados pelo descaso e a malversação do dinheiro público. Apesar de viverem próximo a Manaus e ao Iranduba, padecem de problemas crônicos na área da saúde, educação e telefonia.

O município que há 16 meses teve o então prefeito Xinaik Medeiros, preso preventivamente em 10 de novembro de 2015 e o mandato cassado pela Câmara Municipal de Iranduba em 24 de fevereiro de 2016, é acusado de chefiar um esquema de fraudes em licitação da Prefeitura de Iranduba que levou ao desvio de R$ 56 milhões, descoberto com a deflagração da operação Cauxi da Polícia Federal no final de 2015.

Sua sucessora na administração do município, a vice-prefeita Maria Madalena de Jesus, popularmente chamada de “Madá”, ainda tentou a reeleição, mas foi derrotada por Francisco Silva (DEM), o “Chico Doido”, atual prefeito.


Lucimar Brito de Medonça, farinheira: “A assistência à saúde é quase zero” (Foto: Aguilar Abecassis)

Nascida e criada na comunidade Santa Helena do Inglês, que fica à uma hora e meia de lancha de Manaus, Lucimar Brito de Mendonça, 38, farinheira, é casada e mãe de três filhos. “A gente não tem apoio da Prefeitura de Iranduba e assistência a saúde é quase zero. Quando acontece algo  a gente precisa ir para Manaus”, contou ela, que duas vezes já chegou a desmaiar durante crises de gastrite, e teve que ser levada para a capital.

Rosimeira da Silva Mendonça, 28, é merendeira, divorciada e mãe de duas meninas, uma de 11 e outra de três anos, segundo ela, o atual prefeito só visitou comunidade no período de campanha.

“Aqui na nossa comunidade já teve a presença do prefeito (Xinaik), mas esse novo, eleito agora (Chico Doido), não apareceu na comunidade. Ele apareceu para pedir voto, mas depois que foi eleito não apareceu. Quando tem um problema mais grave de saúde, a gente precisa ir para a capital, nem tentamos ir para o Iranduba”, relatou Rosimeira. A merendeira chegou a tentar morar em Manaus, mas o desemprego e a falta de moradia a fizeram voltar para a comunidade.


Comunidades rurais sobrevivem da agricultura e da pesca de subsistência (Foto: Aguilar Abecassis)

Adriana Azevedo Siqueira, 28, chegou a comunidade Santa Helena do Inglês aos 11 anos, após a morte prematura do pai e um ano depois da mãe. Ela está desempregada e é mãe de duas meninas, uma de 15 e outra de 11 anos.

“Com 14 anos eu casei, com 15 anos tive o meu primeiro filho e com 18 anos veio o segundo filho. Aqui é muito bom para se viver, aqui não tem criminalidade, não é como lá em Manaus. Agora pelo lado da renda, é difícil. Aqui nós não temos renda. Eu comecei a faculdade de pedagogia e até ano passado eu trabalhava, aí agora fiquei desempregada e já fica mais difícil”, contou.

Adriana também critica o acesso a saúde e ausência dos políticos eleitos. “A ajuda que temos é de igrejas. Mas isso é duas, três vezes ao ano. A mesma coisa são os médicos do município de Iranduba, eles só vem duas, três vezes ao ano. Esse prefeito que foi eleito agora ainda não veio aqui, mas na época da campanha pra pedir voto, veio”, disse.


Moradores relatam que políticos só visitam locais durante campanha (Foto: Aguilar Abecassis)

Saúde precária

Morador da comunidade do Saracá, Joaquim Adelson, 39, padeiro, definiu a saúde pública como “precária” e falou que falta “organização” do prefeito com o calendário escolar, pois as aulas ainda não começaram.

“A saúde dos moradores é cuidada pelas igrejas, agora prefeito ou Governo, muito difícil aparecer. É mais certo que um raio caia aqui, do que um político ou os médicos da saúde pública. O novo prefeito ainda não apareceu. A educação aqui é um caso bem complicado, você vê que já estamos em março e as aulas ainda não começaram, porque está uma briga feia e a justificativa é que ainda não tem professor para o EJA, enquanto isso não se resolve a aula de ninguém começa”, observou Joaquim.

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