Publicidade
Cotidiano
Campanha difamatória

Ricardo Nicolau assume autoria de Campanha difamatória contra Rede Calderaro

Ricardo Nicolau confirma, em entrevista à rádio CBN Manaus, ser o responsável por panfletos contra Rede Calderaro 22/05/2013 às 09:14
Show 1
Ao invés de responder às denúncias levantadas pelo MP, em sua gestão na ALE, Ricardo Nicolau tenta intimidar proprietários do jornal A Crítica
André Alves Manaus

Em entrevista à rádio CBN, na manhã de terça-feira(21), o deputado estadual Ricardo Nicolau (PSD) admitiu que está ligado aos panfletos distribuídos em Manaus com denúncias, sem comprovação, que tentam denegrir e intimidar os sócios-proprietários da Rede Calderaro de Comunicação (RCC). A campanha difamatória por meio da publicação impressa, além de ataques em redes sociais, foi a forma que o deputado encontrou para reagir a reportagens baseadas em documentos oficiais que, entre outras coisas, revelaram superfaturamento de R$ 3,3 milhões em obra da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), erguida no período em que o parlamentar presidiu a Casa.

Desde que o assunto veio à tona, na edição de A CRÍTICA do dia 11 de abril, ao invés de responder à suspeita de corrupção, apurada pelo Ministério Público Estadual (MPE-AM), Ricardo Nicolau decidiu promover uma série de ataques contra os proprietários da RCC. As ameaças, entretanto, iniciaram em dezembro de 2012, quando o deputado passou a atribuir ao jornal a derrota no projeto de mudar a Constituição do Amazonas só para se reeleger. Diretores do grupo RCC registraram boletim de ocorrência no qual relatam as ameaças, dirigidas à direção do jornal pelo irmão de Nicolau, Luiz Alberto. 

Durante a entrevista que concedeu à CBN, ao ser questionado sobre a distribuição dos panfletos, no fim de semana, Ricardo Nicolau assumiu a responsabilidade pela publicação. “O jornal A Crítica de hoje diz que o senhor está patrocinando uma campanha de difamação contra o jornal e contra dirigentes do jornal, inclusive distribuindo panfletos apócrifos. O que o senhor tem a dizer sobre isso?”, é a pergunta feita a Ricardo Nicolau, que responde: “Na verdade, todos nós vivemos numa democracia e temos a liberdade de expressão. E eu não estou fazendo nada de forma apócrifa”, afirmou. 

“Não houve distribuição apócrifa de forma nenhuma. A legislação permite que qualquer cidadão do Brasil possa veicular jornais ou periódicos, desde que não seja apócrifo. E eu não tenho nada de forma apócrifa”, sustenta o parlamentar, dizendo ser autor das “denúncias” contra os proprietários da RCC. “Quando nós colocamos e expomos a verdade dos fatos, quando colocamos como eles estão trabalhando no Amazonas, aí eles não querem saber da liberdade”, disse Nicolau.

Postura autoritária

A história política de Ricardo Nicolau é recheada de incoerências. Quando é contrariado, o parlamentar  costuma reagir de maneira agressiva, como vem fazendo nos últimos dias. Na entrevista que concedeu , o deputado afirmou que respeita a democracia e a liberdade de expressão. No período que presidiu a Assembleia, entretanto, ele travou vários embates com colegas por não conseguir lidar com o contraditório.

Na última sessão presidida por ele, na ALE-AM, em 20 de dezembro de 2012, a oposição chegou a implorar para ter projetos incluídos na pauta de votação. “Há uma perseguição bem clara contra os deputados de oposição e isso é realmente um absurdo” disse, na ocasião, o deputado José Ricardo Wendling (PT), ao denunciar no plenário que, por retaliação, as propostas dos três deputados oposicionistas não estavam pautadas. “Por que, deputado Ricardo Nicolau? É uma retaliação pessoal? Chega nesse nível?”, questionou Luiz Castro. Aos colegas, Nicolau respondeu que era ele quem definia a pauta.

Também na entrevista dessa terça-feira(21), Ricardo Nicolau afirmou que ele e sua família, “há 25 anos vêm sendo denegridos” por, supostamente, centenas de matérias veiculadas pela RCC. Mas, antes do jornal tornar pública as suspeitas de corrupção durante sua gestão, na ALE-AM, o parlamentar chegou a render homenagens à Rede Calderaro de Comunicação. Em 2002, ele próprio propôs sessão solene para comemorar, na Assembleia, os 53 anos de A CRÍTICA.

 “Usou a palavra o parlamentar Ricardo Nicolau, justificando sua iniciativa, discorreu sobre a implantação deste jornal até hoje, gerando milhares de empregos diretos e indiretos, sua liderança no mercado e defendendo sempre os interesses do Amazonas. Após, parabenizou os funcionários do referido Jornal. Prosseguindo, fez a entrega do título”, é o que diz a Ata da 4ª Reunião Especial da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas do dia 18 de abril de 2002.

Parlamentar se contradiz

Ao contar sua versão para a briga que teve, na segunda-feira(20), no aeroporto internacional Eduardo Gomes com o publicitário Mário Júnior, o deputado Ricardo Nicolau se contradisse. Inicialmente, ele afirmou que foi vítima de uma “violência covarde”. Disse ele: “Eu estava no saguão do aeroporto, na companhia do meu irmão, não estava com nenhum segurança, e esse senhor, de forma transtornada, eu segurando a minha mala, ele veio e me deu um soco no rosto. Aí, eu, como qualquer cidadão, me defendi, reagi, o imobilizei, colocando ele no chão, quando os seguranças do aeroporto chegaram”, sustentou Nicolau.

Ao ser questionado se tinha algum ferimento no rosto, o deputado respondeu negativamente. “Não. Graças a Deus, não. Mas ele tentou me atingir, e eu o imobilizei, coloquei ele no chão para que não tivesse algo maior”. A partir de então, o soco do qual disse ter sido vítima se transformou em uma tentativa. “Ele veio e tentou desferir o soco. Não houve discussão”, afirmou o parlamentar.

 Em sua versão, o publicitário Mário Júnior afirma que foi vítima de agressão. Ele registrou um Boletim de Ocorrência contra Ricardo Nicolau e promete que irá processá-lo.

Mário Júnior relata que chegou ao aeroporto internacional Eduardo Gomes às 15h15, uma hora antes da saída da aeronave. No check-in, avistou o deputado Ricardo Nicolau e seu irmão, o empresário Luiz Alberto Nicolau, que disse, diante da fisionomia séria de Mário Júnior: “Que cara feia é essa?”. O publicitário disse ter ignorado o comentário.

Ele afirmou que ao se dirigir para a área de embarque, na presença de diversas testemunhas, Ricardo Nicolau, “em tom de chacota”, deu início a uma série de provocações. “Ele fazia gestos. Dizia, com palavrões, que ia me ferrar”, ao relatar os segundos que antecederam a briga.

Publicidade
Publicidade