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Cotidiano
ESTIAGEM

Rio Negro tem vazante acentuada e prejudica locomoção de ribeirinhos no Amazonas

Nível das águas, ontem, baixou 20 centímetros e está quatro metros abaixo do mesmo dia do ano passado. Em Iranduba, seca dificulta a vida da população e traz surto de doenças, segundo moradores 19/09/2016 às 22:11 - Atualizado em 21/09/2016 às 11:23
Show seca
Seca prejudica ribeirinhos em Iranduba (Foto: Aguilar Abecassis)
Luana Carvalho Manaus (AM)

O rio Negro, que banha Manaus e alguns municípios da região metropolitana, como Iranduba, secou ontem 20 centímetros, atingindo o nível de 21,43 metros, quatro metros a menos que o mesmo período do ano passado. Assim como a cheia anormal, a estiagem também traz muitas complicações aos ribeirinhos, que afirmam preferir o período enchente do que a seca.

“Estamos acostumados, vivemos a vida controlados por esse sobe e desce dos rios. Mas na seca é muito mais difícil. Não tem peixe, nossas casas ficam distantes das margens dos rios e temos que enfrentar longos trajetos porque o barco não entra no lago”, diz o pescador Natanael Silva Medeiros, 36, morador há 20 anos do distrito do Cacau Pirêra, no Município de Iranduba (a 27 quilômetros de Manaus). Segundo ele, a renda dos pescadores cai quase 80% na vazante. “Além disso tem os problemas de locomoção. Os idosos não conseguem sair de casa porque fica uma lama e longas distâncias”.

Além das dificuldades   do ano que o lixo também toma conta das áreas de várzea. “Nessa época a gente fica muito mais doente, com vômito e diarréia, principalmente as crianças”, comentou o pescador Leandro Telles Souza, 20.

A dona de casa Samira Cavalcante, 40, diz que uma das maiores dificuldades na seca é conseguir água potável. “A gente geralmente usa a água do rio para tomar banho, lavar louca e cozinhar. Mas na seca não tem como. O rio seca, a água suja fica represada e aparece muito lixo”.

Riscos de doenças

De acordo com o presidente da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM), Bernardino Albuquerque, é no período de estiagem que doenças como a malária são mais frequentes. Porém, segundo ele, a situação está controlada. “Malária é uma doença que no segundo semestre do ano que ela tem uma aumento natural, mas felizmente esse ano estamos numa situação extremamente tranquila. Nossa maior preocupação é com o municipio de São Gabriel da Cachoeira, mas estamos intensificando os trabalhos naquela região”, informou.

Ainda de acordo com o especialista, doenças de transmissão hídrica e alimentar também são frequentes. “Consistem principalmente em diarréia, hepatite A e febre tifóide. Em função disto, a FVS fez um trabalho prévio de distribuição de hipoclorito em todos os 62 municípios do Amazonas e estamos monitorando para qualquer anormalidade”.

Logística prejudicada

Quinze municípios das calhas dos rios  Purus, Madeira e Juruá  estão em estado de alerta por conta deste período de vazante, de acordo com a Defesa Civil do Amazonas. São eles: Humaitá, Manicoré, Apuí, Novo Aripuanã, Boca do Acré, Pauini, Lábrea, Canutama, Tapauá, Guajará, Ipixuna, Envira, Eirunepé, Itamarati e Carauari, todos com os decretos oficializados pelo Estado.

Os municípios de Apuí, Anamã e Guajará decretaram estado de emergência no início do mês e também estão sofrendo com a vazante acentuada. Uma das piores dificuldades é a logística de transporte, de acordo com os moradores. Com os rios secos, balsas e barcos têm dificuldades para chegarem aos municípios, principalmente para descarregar mercadorias. No rio Madeira a situação é mais grave e para facilitar a navegação o Instituto de Proteção Ambiental (Ipaam) concedeu licença para atividade de dragagem em alguns pontos do rio, um dos principais do Estado.

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