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Risco de atropelamento e acidentes leva comunidade a construir quebra molas ‘piratas’

De acordo com o diretor de engenharia do Manaustrans, Domingos Sampaio, apenas a autoridade de trânsito pode implantar uma lombada e apenas quando outras alternativas de engenharia de tráfego não tenham se mostrado eficazes para a redução de velocidade 16/05/2015 às 13:51
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No bairro Amazonino Mendes, moradores alegam que construíram a lombada porque o limite de velocidade não era respeitado
Kelly Melo Manaus, AM

O medo de acidentes de trânsito levou a auxiliar de serviços gerais Neuza Gonçalves de Almeida, 40, a reunir um grupo de vizinhos para construir um “quebra-molas”, na frente da casa dela, na rua 5, no bairro Amazonino Mendes, na Zona Norte.

A lombada, construída há pouco mais de uma semana, fora dos padrões estabelecidos pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran), foi a alternativa que ela e os vizinhos encontraram para obrigar aos motoristas a reduzir a velocidade.

Mesmo não sendo uma rua de fluxo intenso, motoristas estavam acostumados a passar em alta velocidade. “Várias crianças escaparam de sofrer acidentes, por isso, tomamos essa decisão”, explicou a moradora.

O motorista Luan Oliveira, 21, concordou com a iniciativa. Ele ajudou a construir a lombada e disse que os moradores usaram um carro com suspensão “baixa” como modelo na medição do quebra-mola.

“Só vai arrastar a suspensão se o carro for muito rebaixado. Nós fizemos isso porque as crianças não têm onde brincar e os motoristas não respeitam a velocidade”, ressaltou ele, ao lembrar que a máxima permitida para o trecho é de 30 km/h, por se tratar de uma via local.

Morador da rua 31, também no bairro Amazonino Mendes - onde há dois quebra-molas em menos de 30 metros -, Raimundo Almeida, 52, admite que a construção irregular de lombadas traz problemas para quem dirige, no entanto, para ele, a prevenção de acidentes vem em primeiro lugar.

“Como ninguém respeita as normas de trânsito, fizemos esses quebra-molas para tentar obrigar os motoristas a reduzirem. Mesmo assim, tem gente que passa com tudo”, afirma.

Proibição 
De acordo com o diretor de engenharia do Instituto Municipal de Trânsito (Manaustrans), Domingos Sampaio, apenas a autoridade de trânsito pode implantar uma lombada e apenas quando outras alternativas de engenharia de tráfego não tenham se mostrado eficazes para a redução de velocidade. “O cidadão não pode construir nada na via pública”, afirmou.

O engenheiro explicou que a implantação deve seguir os padrões estabelecidos pela legislação e ser baseada em estudos técnicos. “Recebemos muitos pedidos para a implantação de lombadas, mas 95% são reprovados”, disse. Ter grande circulação de pedestres, altos índices de acidentes por excesso de velocidade e a ineficácia da sinalização estão entre as condições para a implantação.

Sampaio alertou ainda que os quebra-molas irregulares podem ser identificados por agentes de trânsito ou por meio de denúncias e render multas aos responsáveis.

Prática comum na cidade 

Lombadas irregulares não são exclusividade do bairro Amazonino Mendes. Elas estão por toda a cidade. Construídas com cimento, seixo, e às vezes até pintadas em amarelo e preto para alertar aos motoristas, os quebra-molas não podem ser implantados em qualquer lugar. Mas a falta de fiscalização dos órgãos de trânsito acaba facilitando essa prática irregular.

Na opinião do pedreiro Alex Bertollo, 37, falta interesse da prefeitura para resolver esse problema. Na rua em que ele mora, no bairro Novo Aleixo, na Zona Norte, ele construiu um quebra-mola com quase 15 cm de altura em um trecho inclinado, totalmente fora dos padrões.

“Ano passado uma criança foi atropelada porque o motoqueiro estava acima da velocidade permitida. Fizemos assim para o motorista ser obrigado a reduzir. Até pedimos da prefeitura, mas não fomos atendidos”.

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