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Cotidiano
NOVEMBRO AZUL

Robô dá mais precisão à cirurgia de câncer de próstata e reduz risco de impotência

Disponível em apenas algumas capitais, a tecnologia pode ser implementada em breve na Fundação Centro de Controle de Oncologia (Fcecon) do AM 11/11/2018 às 08:23
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Tecnologia possibilita visualização em três dimensões (Divulgação)
Rosiel Mendonça Manaus (AM)

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil deve registrar uma média de 68 mil novos casos de câncer de próstata em 2018; no Amazonas, a estimativa é que 38 a cada 100 mil homens sejam diagnosticados com o tipo maligno da doença. Por outro lado, as tecnologias em saúde estão em franca expansão e hoje permitem que uma cirurgia para retirada de tumor na próstata seja feita com precisão robótica, facilitando a recuperação do paciente e reduzindo os riscos de sequelas como a impotência. E esse é um fator importante, já que a disfunção erétil é uma das principais preocupações dos homens que se submetem ao procedimento pelos métodos mais comuns, como a cirurgia aberta e a laparoscopia convencional.

Quando o assunto é cirurgia para o câncer de próstata, o robô Da Vinci Xi é o que há de mais avançado. Quem afirma é o uro-oncologista Cristiano Paiva, que acaba de voltar do Congresso Mundial de Urologia. “A cirurgia robótica para esse câncer é a mais efetiva porque tem mais precisão, principalmente quando se busca preservar o nervo da ereção. Claro que outros fatores também contam, como o diagnóstico precoce, quando o nódulo ainda é pequeno, e a experiência do cirurgião”,  explica ele. 

A cirurgia realizada com a tecnologia Da Vinci Xi nada mais é que uma laparoscopia assistida por robô e tem todas as vantagens de um procedimento minimamente invasivo: agride menos os tecidos, diminui a perda de sangue e reduz o tempo de recuperação para 30 dias; o tempo de uso de sonda na uretra também cai para cinco dias. 

Para o cirurgião, dentre os diferenciais do uso do robô estão a possibilidade de visualização em três dimensões e a redução de possíveis tremores, uma vez que o procedimento é controlado remotamente. Vale lembrar que a anatomia da próstata concentra estruturas de difícil identificação, ou seja, as mínimas lesões podem prejudicar a continência urinária e a capacidade de ereção do paciente.

Tecnologia

Apesar dessas vantagens, a cirurgia robótica para o câncer de próstata ainda não é adotada universalmente pelo SUS (onde a cirurgia aberta é a mais usada) por conta dos altos custos dessa tecnologia, que é importada dos EUA. No Brasil, apenas algumas capitais como São Paulo, Porto Alegre, Brasília e Fortaleza contam com a plataforma. Belém é a única da região Norte nessa lista, mas lá o procedimento só é realizado na rede particular e o paciente precisa desembolsar cerca de R$ 50 mil por ele.

No Amazonas, a esperança é que, a exemplo do que aconteceu no Inca, uma parceria público-privada permita a instalação de um Da Vinci Xi na Fundação Centro de Controle de Oncologia (Fcecon). Segundo o Dr. Cristiano Paiva, que coordena a Sala Inteligente da instituição, o projeto já foi apresentado à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e agora depende da vontade política do próximo governador para sair do papel. 

“A expectativa é que esse robô chegue aqui no próximo ano, permitindo o acesso a pacientes tanto do sistema público quanto do privado”, afirma o especialista. “De qualquer forma, o tratamento do câncer de próstata é bastante individualizado, o médico discute muito com o paciente antes da escolha final. Hoje os principais tratamentos são a cirurgia e a radioterapia, mas com a primeira opção a taxa de cura é maior”.

Diagnóstico

“O que me deixou feliz é que estamos no caminho certo em Manaus. Nossos métodos de diagnóstico estão bem atualizados”, comenta o Dr. Cristiano a respeito do que viu e ouviu no último Congresso Mundial de Urologia, realizado em Paris.

“Antigamente, se o paciente tivesse alguma alteração no exame, o médico mandava a pessoa direto para a biópsia. Hoje, há uma ressonância que localiza o ponto específico, aumentando a chance do diagnóstico preciso e precoce. No sistema público esse ainda não é o padrão, mas no privado sim. Inclusive já temos ressonância de ponta em Manaus”.

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