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Cotidiano
Reordenamento

Melo volta a defender mudanças no sistema de saúde: 'Tem que ser feito', afirma

Para o governador, o reordenamento do sistema estadual de saúde é necessário para fazer frente à crise. Ele afirmou ainda que está preocupado em manter o mandato e comentou polêmicas envolvendo a Polícia Militar 24/06/2016 às 22:08 - Atualizado em 25/06/2016 às 11:30
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Governador afirma que reordenamento é fruto de um trabalho que já vinha sendo pensando há quase um ano (Foto: Evandro Seixas)
Aristide Furtado Manaus (AM)

Alvo de uma avalanche de protestos desde o dia 20 de maio por conta do anúncio de  medidas de contenção de despesas, principalmente na área de atendimento médico, o governador José Melo (Pros) defendeu, nesta sexta-feira (24), o reordenamento do sistema estadual de saúde como medida necessária para fazer frente à crise econômica e para corrigir distorções históricas do setor.

“O reordenamento é fruto de um trabalho que nós já vínhamos pensando já há quase um ano. A saúde no Amazonas foi concebida nesse modelo há 30 anos. Quando esse modelo foi concebido, a maioria dos pacientes que demandavam a nossa saúde eram de crianças e jovens. Trinta anos depois essa faixa etária subiu para acima de 20 anos. Então, hoje o que  nós temos que reforçar são aquelas unidades de saúde que atendem de jovem para cima. Por isso que o reordenamento é necessário e tem que ser feito”, explicou Melo.

Com o desgaste produzido por quase um mês de manifestações diárias de descontentamento com a iminente extinção dos Centros de Atenção Integral à Criança (Caics), Centros de Atenção à Melhor Idade (Caimis), e quatro dos dez Serviços de Pronto Atendimento (SPAs), que serão transformados em Unidades Básicas de Saúde (UBS), José Melo ressaltou que o Estado precisar reforçar o atendimento de média e alta complexidade.

“O Amazonas recebe pacientes de todos os Estados que nos cercam.  Acre, Roraima, sul do Pará vem tudo pra cá. Então, o Amazonas precisava se preparar mais ainda com a questão da média e alta complexidade. O 28 de agosto por exemplo tem que ter uma nova roupagem. O João Lúcio tinha que ter uma nova roupagem. O Adriano Jorge também. Porque são unidades grandes que recebem pacientes de todo canto”, disse.

Diante da mobilização de organizações da sociedade civil, dos ministérios Públicos Estadual e Federal, de entidades da Igreja Católica, e acadêmicos, parlamentares, de órgãos de representação dos profissionais da área de saúde, o governador José Melo pediu, ontem, paciência à população nesse momento de enfrentamento da crise. 

“Eu quero dizer o seguinte: só um pouquinho de paciência, mas daqui a um mês e meio, dois meses no máximo, a população vai ver que isso tudo que nós fizemos agora, tangido pela crise, veio para que a gente tenha lá na frente um sistema de saúde pública muito melhor do que esse que temos agora”, disse.

Na quarta-feira, a Cáritas de Manaus, Pastorais Sociais, e lideranças comunitárias participaram de uma audiência pública realizada pelos Ministérios Públicos Estadual e Federal  para discutir as consequências do pacote de cortes do governo na área de saúde. O tema já rendeu reuniões nos plenários da Assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM) e na Câmara Municipal de Manaus (CMM). Contrária ao reordenamento entidades ligadas à Igreja Católica preparam para os próximos dias audiências públicas nos bairros como forma de pressão para brecar as medidas planejadas pela Susam.

Estado quer economizar R$ 316 milhões

Com a reformulação do atendimento no setor de saúde, o governo do Estado espera poupar R$ 316 milhões, de um total de R$ 533 milhões projetados na terceira reforma administrativa da gestão Melo.

O reordenamento prevê a  transformação de quatro Centros de Atenção Integral à Criança (Caics), que funcionavam 24 horas, em Unidades Básicas de Saúde de horário ampliado (até 22h), haverá uma redução no número de plantões dos profissionais contratados de empresas de serviços médicos, de enfermagem e de serviços como limpeza.

Ao explicar as medidas de ajuste, no final de maio, o secretário da Susam, Pedro Elias, enfatizou que havia zonas de Manaus em que o governo do Estado mantinha 12 tipos de estruturas de saúde diferentes.

“Elas agora serão integradas. Talvez o paciente não encontre uma unidade ao lado da casa dele, mas o serviço estará disponível em outra parte do bairro e com mais profissionais”, disse.  Ele explicou que o Estado não abandonará a atenção básica de saúde, que é obrigação constitucional da Prefeitura de Manaus. “Vamos continuar ajudando a Prefeitura, mas nosso foco será a urgência e emergência, atenção oncológica, transplantes e cirurgias”, disse.

‘É claro que estou preocupado’

Mantido no cargo por conta de um recurso que está sendo analisado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e com mais quatro processos que podem lhe render outras cassações em vias de julgamento no Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), o governador José Melo (Pros) afirmou ontem que está preocupado em manter o mandato.

Na tarde de ontem, após a inauguração do Centro de Ginástica Olímpica do Amazonas, na Vila Olímpica de Manaus, José Melo, ao ser questionado sobre o processo que está sob a relatoria da ministra do TSE Maria Thereza Rocha respondeu: “Me preocupa muito o Brasil. Me preocupa mais ainda a questão do Estado, uma situação difícil. Eu tenho queimado minhas pestanas para poder resolver. Pergunta quantos Estados brasileiros vão pagar uma parte do 13º agora. Talvez um ou dois, incluindo nós. Pergunta quantos já pagaram o 13º do ano passado. Pergunta quantos Estados brasileiros pagam religiosamente a folha. Então é isso. Estou muito preocupado com  isso”.

Ele afirmou, em seguida, que vai lutar na Justiça para manter o cargo. “Agora, é claro que estou preocupado em manter o mandato que Deus e o povo do Amazonas me deu. É bom lembrar que essa eleição, quando começou eu tinha 1,5% e meu adversário tinha 67% nas pesquisas, e nós ganhamos a eleição com 173 mil votos de diferença. Não venham me dizer que os 864 mil eleitores que foram às urnas no segundo turno foram todos comprados. Isso eu não aceito”, disse José Melo.

Ao ser perguntado sobre a matéria do programa Fantástico que veiculou trechos de gravações telefônicas que mostram o envolvimento de setores da Polícia Militar em sua campanha, o governador disse: “Eu faço a pergunta no sentido inverso. Alguém em sã consciência acha que o governador pode ser responsabilizado por três, quatro, cinco pessoas se reunirem e falarem o que querem? Aí, os meus adversários estão tentando fazer com que isso aí tenha saído da minha boca. Os meus advogados estão cuidando disso. Como o processo está judicializado, quem fala é o meu advogado”, disse.

Na próxima semana, um dos processos movidos pela coligação Renovação e Experiência e que pede a cassação do governador José Melo por abuso de poder político e econômico deve começar a ser julgado pelo TRE-AM. A ação judicial seria julgada no dia 20 de maio mas foi suspensa por decisão liminar. Nela, o então relator, Mauro Bessa, que hoje não se encontra mais na Corte, manifestou-se, em relatório ao Ministério Público pela perda do mandato e realização de nova eleição.

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