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Cotidiano
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Semana Nacional de Ciência chama a atenção para o consumo de agrotóxicos

Atualmente, o Brasil é primeiro consumidor no mundo quando o assunto é o consumo de agrotóxicos 03/09/2016 às 05:00
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Um dos aspectos que deve ser tratado na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia do Amazonas 2016, que acontecerá de 18 de outubro a 25 de novembro, será relacionado à questão da qualidade dos alimentos (Foto: Arquivo AC)
Silane Souza Manaus (AM)

Um dos aspectos que deve ser tratado na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia do Amazonas 2016, que acontecerá de 18 de outubro a 25 de novembro, será relacionado à questão da qualidade dos alimentos. Atualmente, o Brasil é primeiro consumidor no mundo quando o assunto é o consumo de agrotóxicos. No Amazonas, o cenário não é diferente apesar de que o Estado tem uma enorme variedade de Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs) que podem ser consumidas pela população.

Conforme o professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (Ifam), Valdely Kinupp, As PANCs se referem a partes das plantas (frutos, folhas, flores, rizomas, sementes, entre outros) que podem ser consumidas pelo homem cruas e/ou após preparo culinário. Algumas chegam a ter 100 vezes mais nutrientes que as plantas comerciais. Além disso, elas estão em todos os lugares onde possa nascer uma planta. Basta saber reconhecê-las.

Para Kinupp, que é pesquisador e entusiasta das Plantas Alimentícias Não Convencionais, o tema da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia deste ano “Ciência alimentando o Brasil” não poderia ser melhor. “As PANCs podem ajudar a ciência a assegurar alimento de qualidade para toda a população através da diversificação que existe. Unindo a agroecologia com a agrobiodiversidade teremos geração de emprego e renda com comida de boa qualidade e ainda a conservação da natureza”, frisou.

O pesquisador revelou recentemente que é possível fazer pipoca da semente e geleia da flor de vitória-régia, uma das maiores plantas aquáticas do mundo e que é o símbolo da Amazônia. “Pode-se comer a flor, as sementes, os caules subterrâneos e o talo. As PANCs são plantas que a maioria das pessoas não come por falta de costume ou de conhecimento e que podem sim ser consumidas. Aliás, elas ainda são pouco consumidas justamente pela falta de conhecimento da população”, apontou.

Kinupp salientou que no Brasil há milhares de PANCs, especialmente na Amazônia. “É uma vergonha! Estamos na maior floresta do mundo em termos de biodiversidade, mas só comemos coisas de outros países. Desconhecemos nossas plantas. As pessoas vão ao mercado e compram batata e cenoura, por exemplo, mas não comem cara roxo, ariá, araruta, caapebas, urtiga, taioba, vitória-régia, aguapé, mapati, sova, patauá, bacaba, buriti, mari, enfim, são muitos”.

Mas o professor revelou que nunca na história do Brasil se falou tanto em Plantas Alimentícias Não Convencionais como vem sendo falado desde 2012. Mas ainda está muito longe de ser o ideal. “Tem muita gente produzindo e consumido PANCs. As pessoas estão mais receptivas ao tema. Tem muita gente trocando receitas e informações nas redes sociais, mas falta fazer tudo como pesquisas básicas de quase todas as espécies”.

Frase

Valdely Kinupp –professor e pesquisador do Ifam

“É preciso haver políticas públicas que incentive o uso das frutas amazônicas, pois elas quase não existem no mercado. As pessoas ficam decepcionadas quando vem para cá e não veem as PANC de que sempre falo em minhas palestras. Temos que aprender a comer nossa biodiversidade”.

Saiba mais

Valdely Kinupp, que também é fundador-curador do herbário do Campus Manaus Zona Leste do Ifam, lançou em 2014 o livro Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil, resultado de dez anos de trabalho realizado em coautoria com o professor Harri Lorenzi, fundador do Jardim Botânico Plantarumm localizado em Nova Odessa (São Paulo). A obra apresenta plantas com grande potencial nutricional que podem substituir hortaliças e frutos tradicionais trazendo novos sabores à mesa. Cada planta é apresentada em duas páginas: na primeira – suas características morfológicas para facilitar a identificação botânica, informações sobre seu uso geral e culinário com referências bibliográficas e ilustradas; na segunda – fotos legendadas das partes da planta utilizadas para o consumo, seguidas de receitas ilustradas feitas com a planta.

Ações

As atividades da 13ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia do Amazonas, que tem como tema nacional “Ciência Alimentando o Brasil”, serão realizadas por todas as regiões das cidades de Manaus e Itacoatiara (a 270 quilômetros da capital). O evento, que acontecerá de 18 de outubro a 25 de novembro de 2016, tem como uma das metas principais aproximar a população em geral do universo dos pesquisadores e da produção científica e tecnológica.

Conforme a Secretaria de Estado de Planejamento, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Seplan-CTI), a diversificação de locais e datas gera a expectativa de atingir público bem mais segmentado que o evento do ano passado. A previsão é levar o conceito de ciência e tecnologia para em torno de 4 mil alunos da Zona Sul, 6 mil alunos da Zona Oeste, 14 mil alunos da Zona Norte e 15 mil alunos da Zona Leste, totalizando quase 50 mil visitantes no geral.

Além de promover a difusão das atividades de CT&I, a 13ª SNCT será responsável pela inserção da cultura regional, através da dança, teatro, poesia, e proporcionará momentos de descontração e reconhecimento da cultura amazonense. Será uma “semana” que se estenderá por mais de um mês, promovendo o intercâmbio de saberes, proporcionando a promoção e a divulgação de pesquisas e produtos, e valorizando os alimentos regionais.

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