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Cotidiano
MENOS MÉDICOS

Saída de médicos cubanos preocupa secretários de saúde do Amazonas

Saída deixaria comunidades em municípios como Japurá e Boa Vista do Ramos sem nenhum médico. CRM afirma que País "conta com médicos brasileiros em número suficiente" 17/11/2018 às 11:36
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Foto: Jair Araújo
Náis Campos Manaus (AM)

O Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Amazonas se reuniu, ontem, em Manaus, com pelo menos 23 representantes do interior do Estado para avaliar os impactos da retirada dos intercambistas cubanos dos quadros do Programa Mais Médicos. Ao mesmo tempo, o presidente da Associação Amazonense dos Municípios (AAM), Andreson Cavalcante, lamentava a saída repentina dos profissionais caracterizando o momento como preocupante.

Do outra lado, o Conselho Regional de Medicina e a Federação de Medicina reiteram que o País conta com médicos brasileiros em número suficiente para atender às demandas.

Como resultado da reunião entre os secretários do interior, foi formada uma comissão composta por três representantes para serem os porta-vozes do Amazonas nos debates nacionais sobre a saída dos cubanos do Estado. Na avaliação do Cosems, existem localidades que, caso se confirme a retirada dos cubanos, ficará sem nenhum médico para atender a população. “São os casos de Japurá que conta com quatro médicos e Boa Vista do Ramos que possui seis médicos da cooperação Cubana”, destacou o coordenador dos secretários, Januário Neto, de Manaquiri.

Para o presidente da AAM, Andreson Cavalcante o atendimento da maioria dos municípios será prejudicado com a retirada dos médicos cubanos, perdendo mais de 290 profissionais. “É de conhecimento de todos que os municípios têm muita dificuldade nessas contratações. Os médicos cobram muito caro para residirem nesses municípios, sobretudo, nos mais distantes. Realmente, o programa Mais Médicos veio como uma solução imediata e que vem dando certo, dando resultado. Portanto, é inaceitável retroagir com esse sistema”, criticou o prefeito de Autazes.

A Associação dos Municípios admite que, com a saída do Mais Médicos, a atenção básica no interior do Estado vai ficar comprometida. “Principalmente as áreas ribeirinhas, comunidades rurais, os municípios mais distantes, como São Gabriel da Cachoeira, Envira, Eirunepé”, exemplificou.

Rejeições ao cargo

Pelas contas de Anderson Cavalcante, o governo federal paga para Cuba cerca de R$ 11.500 por cada médico cubano e as prefeituras dão uma contribuição em média de R$ 2 mil para compor a remuneração desses profissionais que trabalham com a atenção básica nos postos de saúde dos municípios e nas comunidades rurais.

Proposta inicia carreira pelo interior

A ideia defendida pelo CFM sobre a criação de “carreira do médico em cada estado” vem sendo defendida no Amazonas pelo deputado Luiz Castro (Rede). A lei estabelece que a carreira médica deve iniciar pelo interior do Estado, a exemplo da carreira jurídica. “O médico designado para determinado município terá que cumprir dedicação exclusiva na respectiva localidade. Após oito anos de trabalho, ele poderá ser deslocado para atuar na capital”, destaca Castro.

O deputado sugere que a efetivação da carreira médica vai ajudar a interiorizar, progressivamente, a clínica médica, suprindo a falta de profissionais das diversas especialidades, nos municípios amazonenses, inclusive também atendidos pelo Programa Mais Médicos, do governo federal.

“Os médicos terão garantido o direito de participar de congressos e encontros de atualização nas diversas especialidades da profissão”, detalha Luiz Castro.

Conselho descarta médicos estrangeiros

Já os conselhos representativos de medicina, tanto estadual (CRM) quanto federal (CFM), discordam da necessidade de médicos estrangeiros para os cuidados da saúde dos brasileiros.

A conclusão consta no Manifesto dos Médicos em Defesa da Saúde, encaminhado a todos os candidatos nas Eleições Gerais de 2018, ainda no primeiro turno.

“O Brasil conta com médicos formados no País em número suficiente para atender às demandas da população. Historicamente, os médicos brasileiros têm atuado, mesmo sob condições adversas, sempre em respeito ao seu compromisso com a sociedade”, declarou um comunicado do Conselho Federal de Medicina.

O Conselho Federal de Medicina defende que, cabe ao governo, nos diferentes níveis de gestão, oferecer aos médicos brasileiros condições adequadas para atender a população, ou seja, infraestrutura de trabalho, apoio de equipe multidisciplinar, acesso a exames e a uma rede de referência para encaminhamento de casos mais graves.

“Para estimular a fixação dos médicos brasileiros em áreas distantes e de difícil provimento, o governo deve prever a criação de uma carreira de Estado para o médico, com a obrigação dos gestores de oferecerem o suporte para sua atuação, assim como remuneração adequada”, descreve o Conselho Federal em seu manifesto.

“Comprometido com a nação, a ser construída com base na ética e na justiça, o CFM se coloca a disposição do Governo para contribuir com a construção de soluções para os problemas que afetam o sistema de saúde brasileiro”, conclui o documento.

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