Quinta-feira, 21 de Janeiro de 2021
Saúde

Sangue e tecido do cordão umbilical são promessas de cura e tratamento de diversas doenças

Serviço de coleta é realizado em Manaus no setor privado



50a1e0ef-c0ae-4de6-b285-0c3b875f89ff_4598F4BB-CB96-4B05-982D-144CAC54A4AF.jpg Momento da coleta do sangue, logo após o nascimento do bebê. Foto: Arquivo pessoal da enfermeira Maria Alice.
03/12/2020 às 13:05

A hora do parto é um momento marcante e inesquecível na vida das mamães e também representa uma oportunidade única para realizar o processo de armazenagem de células-tronco. Isso porque o cordão umbilical é umas das fontes dessas células especiais, que podem ser opção terapêutica no tratamento de mais de 80 doenças sanguíneas e degenerativas, entre elas a leucemia, anemia e doenças autoimunes. Além de representar uma promessa de cura para diversas doenças em pesquisa experimental. O serviço é oferecido em Manaus pelo setor privado.

De acordo com o doutor em Ciências e diretor científico do Centro de Criogenia Brasil (CCB), Nelson Foresto Lizier, a célula-tronco é uma célula que ainda não tem sua função estabelecida, sendo assim, ela tem a capacidade de se autorrenovar, de produzir cópias de si mesmo e de se transformar em diferentes tipos de células que compõe o corpo humano. Portanto, é uma célula que corrige defeitos do organismo.



“É importante armazenar o sangue e o tecido do cordão umbilical, pois no sangue encontramos as células hematopoiéticas, que são utilizadas para o tratamento de doenças sanguíneas, e no tecido há uma rica população de células mesenquimais, que são usadas para o tratamento de doenças degenerativas”, explicou.

O médico pediatra e presidente do CCB, Carlos Alexandre Ayoub, explica que, por serem células muito jovens e potentes, as células-tronco encontradas no cordão umbilical podem ser usadas não só pelo bebê, como pelo irmão, pai e mãe. “Pra você achar um indivíduo compatível para um transplante de medula você leva de seis meses a um ano, e apenas 25% das pessoas que necessitam de um transplante tem condição de achar”, destacou.

Conforme o médico pediatra, as células mesenquimais, por exemplo, são de muita importância porque essas não tem compatibilidade, portanto, podem ser utilizadas até por três gerações acima do doador. “Essas células são células que podem vir a tratar, futuramente, uma quantidade muito grande de doenças, muito mais que as células hematopoiéticas”, afirmou.

Ayoub explica que o procedimento de coleta dessas células é feito no local do nascimento da criança, na hora em que o obstetra corta o cordão umbilical e separa o bebê da mãe. “Nós temos que ter uma enfermeira no local do nascimento... nós não mexemos no bebê, não mexemos na mãe, uma coletora que estará dentro da sala cirúrgica vai puncionar esse cordão e coletar todo o sangue através de uma ordenha”, disse.

Em Manaus, a coleta do sangue e tecido do cordão umbilical pode ser feito por meio da iniciativa privada. De acordo com a enfermeira Maria Alice Santos, que trabalha como coletora há sete anos, o serviço pode ser solicitado pelos pais que desejam fazer o procedimento, e as empresas, normalmente, têm sede fora de Manaus, mas terceirizam o serviço de coletores na cidade.

“Quem faz a coleta, normalmente, é um profissional de saúde, médico ou enfermeiro, e é feito no ato do parto, sendo o parto normal ou cesárea. Essa coleta ela só funciona, a parte de sangue principalmente, sendo feita no ato do parto, assim que o bebê é tirado”, explicou a enfermeira.

A biomédica e representante do CCB em Manaus, Nilceia Nascimento, afirma que, como as células-tronco ainda não tem função destinada, qualquer gestante pode solicitar o serviço, que tem o valor base de R$ 4.090. Esse valor cobre os custos da coleta, transporte e armazenamento do material. Após a criança completar um ano de idade, é necessário pagar o valor anual de R$ 750 para manter as células congeladas. Mas existem diversos planos de pagamento, inclusive, o vitalício.

“Na hora do parto, a mãe fechou o contrato, ela tem um telefone de emergência e vai ligar dizendo que está indo para a maternidade. A enfermeira é acionada, vai para o hospital, independente do tipo de parto, ela faz essa coleta, coloca no kit que a mãe recebeu, e aí vem o pessoal do transporte e pega esse material no hospital e leva no aeroporto. Em 4 horas, dependendo do vôo está na sede em São Paulo”, explicou a biomédica.

Após esse procedimento, o material coletado e encaminhado à sede da empresa será processado em um equipamento de última geração e armazenado em uma sala especial. “As células-tronco do tecido do cordão umbilical só puderam ser coletadas e viáveis através de uma ciência que é a criogenia - ciência que mantém vivo células e tecidos através do frio”, destacou Ayoub.

Como e onde coletar – Em Manaus, o procedimento pode ser realizado em qualquer hospital. Basta solicitar o serviço através do número (92) 98173-2696, e no momento do parto a enfermeira é acionada para a coleta do material. Mais informações podem ser obtidas através do site.


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