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Cotidiano
VENEZUELA

SBCP pede investigação sobre denúncia de esquema de tráfico de órgãos de brasileiras

A denúncia da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica foi protocolada, sexta-feira (14), no Ministério Público do Estado (MPE),Tribunal de Justiça (TJ-AM), Defensoria Pública do Estado (DPE) e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) 15/10/2016 às 10:08 - Atualizado em 30/10/2016 às 18:29
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Marco Aurélio Choy, da OAB/AM, e Luciano Chaves, da SBCP, entregam denúncia as promotoras especializadas em Saúde Pública, que prometeram mobilizar a Polícia Federal para investigar o caso. (Clóvis Miranda)
Luana Carvalho Manaus (AM)

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) denunciou um possível esquema de tráfico de órgãos de mulheres  envolvendo médicos venezuelanos. A denúncia foi protocolada, na última sexta-feira (14),  no Ministério Público do Estado (MPE), Tribunal de Justiça (TJ-AM), Defensoria Pública do Estado (DPE) e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

O presidente SBCP, Luciano Chaves, disse que em um ano o órgão registrou 16 mortes por consequências de cirurgias plásticas feitas com os mesmos médicos da Venezuela. No Amazonas, pelo menos 72 pacientes, ainda segundo registros da SBCP, tiveram que passar por atendimentos e avaliações médicas em hospitais do Estado por conta de  sequelas graves. 

Para ele, a situação  é um problema de saúde pública. “Este número é considerado absurdo, principalmente se levarmos em consideração a semelhança. Um grande número de pacientes está voltando ao Brasil sem nenhuma assistência pós-cirúrgica, sobrecarregando o serviço público por conta de falhas cometidas por médicos que não são especialistas", disse Chaves. 

Um dos maiores problemas para quem realiza cirurgias no exterior, de acordo com Chaves, é que os pacientes não tem para quem cobrar indenizações em caso de falhas. “São outras legislações. Esse paciente fica sem cobertura pós-cirúrgica e acaba tendo que se tratar muitas vezes nos hospitais públicos”, destacou. 

O especialista denuncia ainda que há uma rede de aliciadores que atuam em redes sociais mostrando fotos enganosas de pacientes que passaram pela cirurgia plástica. "Desde abril estamos protocolando denúncias desta regional (Amazonas e Roraima). Com isso verificamos uma grande exposição publicitária deste tipo de cirurgia. Esses grupos fazem acordos financeiros com estes médicos e ganham por cada paciente que conseguem aliciar", afirma. 

Tráfico de órgãos? 

No dia 13 de setembro a parintinense Dioneide Leite, 36, morreu durante cirurgia na Venezuela. Ao retornar para o Amazonas, a família verificou que a paciente estava sem os rins. Três dias depois, Adelaide da Silva, 55, de Roraima, também faleceu no mesmo país após ser submetida por uma abdominoplastia e uma lipoaspiração. 

"Quando essas pacientes voltam, elas chegam no Brasil com um laudo de óbito emitido por médicos venezuelanos, dando o direito às famílias de enterrar os corpos. Porém, a família da paciente Adelaide fez questão que ela passasse pela perícia do IML e lá foi constatado que retiraram todos os órgãos dela. Ela voltou sem coração, sem rins, sem fígado e pulmões". 

Segundo o presidente do órgão, a Sociedade Venezuelana de Cirurgia Plástica informou que nenhum dos médicos citados pela denúncia possuem registro na sociedade. “Existem médicos muito bons e capacitados. Não duvidamos disso. Mas estamos denunciando os falsos especialistas que estão tirando vidas”

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