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Cotidiano
SAÚDE PÚBLICA

Novo titular da Susam diz que a Saúde do AM está com um déficit de R$ 400 milhões

As declarações foram feitas por Francisco Deodato durante a transmissão de cargo realizada pelo governador Amazonino Mendes na sede da Susam 05/10/2017 às 17:49 - Atualizado em 05/10/2017 às 17:55
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Secretário de Saúde, Francisco Deodato. Foto: Arquivo AC
acritica.com Manaus (AM)

O atual secretário de Estado de Saúde, Francisco Deodato, declarou na manhã desta quinta-feira (5) que é preciso tirar o sistema de Saúde do Amazonas das páginas policiais e dos grandes escândalos. Ele afirmou que recebe o setor com um déficit de R$ 400 milhões. As declarações foram feitas durante a transmissão de cargo realizada pelo governador Amazonino Mendes, no auditório da sede da Secretaria de Estado da Saúde (Susam), no bairro Aleixo, na Zona Centro-Sul de Manaus.

 “Vamos criar as condições necessárias para enfrentar esse cenário, de forma a honrar os compromissos já postos e receber os que virão. Isso tudo sendo feito de forma correta juridicamente, digna e respeitosa”, afirmou o novo gestor da pasta.

Deodato explicou que é preciso haver uma consciência plena da gravidade da situação, pelos servidores, pela população e autoridades, para que se possa reconstruir o sistema de saúde pública do Amazonas. “Na campanha ouvimos as reclamações da população. Mas ontem (quarta-feira, 4) comecei uma peregrinação às principais unidades de saúde, para conversar com os servidores e com os pacientes, fazer um diagnóstico da situação e organizar um planejamento de urgência para enfrentar os problemas”, frisou.

Flagrantes

 O secretário relatou que esteve no Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, na Zona Centro-Sul de Manaus, onde presenciou casos graves: pessoas internadas acomodadas em cadeiras, por falta de leito; ambientes com capacidade para 30 pessoas abrigando 60 pacientes; enfermarias sem ar-condicionado e sem janelas; gente que estava até a noite sem se alimentar.

No Pronto-Socorro da Criança (PSC) da Zona Sul constatou o uso de um espaço improvisado como Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Bem ao lado do espaço improvisado se arrasta, há três anos, uma obra para a construção da nova UTI do hospital, projeto que foi previsto para ser concluído em 60 dias.

“Esse é o quadro que estamos encontrando. E hoje (quinta-feira) continuo a minha peregrinação nas unidades. Chegou à hora de fazermos a nossa parte. E eu confio muito nos servidores da saúde do nosso Estado”, ressaltou Deodato, que é o primeiro servidor da Susam a ocupar o cargo de secretário da saúde.

Compromisso

Em seu discurso, Deodato reafirmou o compromisso dele e do governador com o setor. “Teremos um governador que já deu provas do seu comprometimento”, disse ele, enumerando obras realizadas no último governo de Amazonino (de 1999 a 2002), do qual foi também secretário de saúde – a construção dos Centros de Atenção Integral à Melhor Idade (CAIMIs), dos Centros de Atenção às Crianças (CAICs), das primeiras Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) do Estado e dos hospitais Adriano Jorge e Francisca Mendes, dentre outras. Deodato também foi secretário municipal de saúde, de 2009 a 2012, quando Mendes foi prefeito de Manaus, e tem 30 anos de atividade profissional como médico.


Francisco Deodato e o governador Amazonino Mendes durante a passagem de cargo na sede da Susam. Foto: Clóvis Miranda/Secom

 Com o auditório da Susam lotado de servidores, ele agradeceu a confiança que o governador deposita mais uma vez no seu trabalho. Disse que o tempo é curto – pouco mais de um ano de mandato –, mas que fará o melhor para garantir o acesso da população aos serviços da saúde e que estes sejam de qualidade.  

Apelo do governador

 Foi com esse apelo aos servidores do setor, para que o ajudem na reconstrução da saúde, que o governador do Amazonas, Amazonino Mendes, conduziu ao cargo de secretário de Estado da Saúde ao médico Francisco Deodato.

“Há muitas formas de matar alguém e uma das mais eficazes e crueis é com a falta de gestão na saúde pública. Muita gente morre em decorrência do nosso serviço ou da ausência dele”, disse o governador.

Amazonino lembrou que no último ano do seu mandato como governador, em 2002, o orçamento para a saúde era de R$ 367 milhões e vários investimentos foram realizados. “De 2014 para 2015, o orçamento foi para R$ 3,2 bilhões e a saúde está um caos. Queremos saber para onde foram levados os recursos do setor? Que rio estranho é esse por onde ele percorreu?”, questionou.

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