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Cotidiano
Operação

Operação 'La Muralla 2' investiga desembargadora, juiz e advogados

Operação da PF cumpre 15 mandados. OAB acompanha ação em escritórios e residências de advogados. No ano passado, primeira fase da operação cumpriu 194 mandados 09/06/2016 às 07:45 - Atualizado em 09/06/2016 às 17:47
Joana Queiroz e Janaína Andrade

Foi deflagrada na manhã desta quinta-feira (9), pela Polícia Federal do Amazonas, a operação "La Muralla 2". Desta vez os alvos principais são membros do judiciário e advogados, entre eles a desembargadora Encarnação das Graças Salgado e o juiz da Vara de de Execuções Penais (Vep), Luiz Carlos Valois. Na primeira fase da operação, deflagrada no ano passado, 194 mandados foram cumpridos. 

Os agentes dão cumprimento a mandados de busca e apreensão no gabinete da desembargadora Encarnação das Graças Salgado. No fórum Henoch Reis, o alvo é o gabinete do juiz da Vep, Luís Carlos Valois Coelho. Viaturas da Polícia Federal realizam a ação no Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM).

De acordo com o superintendente da Polícia Federal, Marcelo Resende, são 15 procedimentos que foram expedidos pelo Supremo Tribunal de Justiça (STJ).

Segundo o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Amazonas  (OAB/AM), Marco Aurélio Choy,  a instituição vai acompanhar os mandados de busca e apreensão em quatro escritórios e quatro residências de advogados. Os primeiros nomes divulgados são: Maria Goreth Terças de Oliveira, Luciana da Silva Terças, Flavícia Dias de Oliveira e Klinger da Silva Oliveira.

De acordo com a Polícia Federal, nessa segunda fase, a ação contou com a participação de mais de 100 policiais federais, além de representantes do STJ e da Procuradoria Geral da República (PGR), que se deslocaram para a capital amazonense para compor algumas das equipes.

‘Não há provas’

O Procurador Geral de Prerrogativas da OAB-AM, Allan Feitoza, afirmou que “não há provas que comprovem suficientemente” algum crime por parte do tribunal ou dos advogados. Segundo ele, a decisão deferida pelo STJ foi com base em meros indícios do Ministério Público Federal (MPF/AM) e possui grau de apuração.

“Não significa que há crime por parte da desembargadora, servidores do tribunal, ou dos advogados. A medida é cautelar. A OAB considera essa medida um absurdo, uma afronta à dignidade do TJAM e à advocacia. Só porque os advogados estão na área criminal, não indica que eles têm envolvimento com a execução do crime. Eles promovem a defesa e a defesa é obrigatória”.

La Muralla

Em novembro do ano passado, a Polícia Federal deflagrou a  Operação La Muralla, tida como  a maior operação já realizada no Amazonas para desarticular o tráfico de drogas, sendo um dos alvos a facção criminosa Família do Norte (FDN), grupo envolvido com tráfico e homicídios.

Na operação, 127 mandados de prisões preventivas e 67 de busca e apreensão foram cumpridos nas cidades de Manaus, Tabatinga e Tonantins, no AM; Crateus, Caucaia e Fortaleza no estado do Ceará; Natal (RN); Boa Vista (RR); Rio de Janeiro (RJ); além de prisões em outros países como Peru, Colômbia, Venezuela e Bolívia.

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